<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-425705622748118051</id><updated>2011-11-27T16:55:08.396-08:00</updated><title type='text'>RESMUNGOS LITERÁRIOS</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Benedito Ramos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11261507968685590861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>16</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-425705622748118051.post-7601523010293739151</id><published>2011-10-02T02:15:00.000-07:00</published><updated>2011-10-02T02:18:08.958-07:00</updated><title type='text'>LEONARDO DA VINCI SOFREU ABUSO SEXUAL NA INFÂNCIA - TEXTO COMPLETO</title><content type='html'>LEONARDO DA VINCI SOFREU ABUSO SEXUAL NA INFÂNCIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Benedito Ramos (*)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É Freud e não eu que levanta a suspeita de que Leonardo teria sofrido abuso sexual na infância.&lt;br /&gt;A revelação está em seu&lt;br /&gt;livro “Leonardo da Vinci e uma Lembrança de sua Infância”. O papa da&lt;br /&gt;psicanálise enxerga este pormenor, num texto interrompido, onde o artista pára de falar do vôo dos&lt;br /&gt;abutres, por causa de uma recordação de sua mais tenra infância. Leonardo lembra de um grande abutre&lt;br /&gt;que se aproxima de sua cama e começa a fustigar-lhe a boca com a cauda. Freud vê a observação com&lt;br /&gt;um simbolismo particular. O abutre seria um homem e sua cauda o pênis. O verbo fustigar, empregado&lt;br /&gt;para descrever a cena tem origem no formato de uma coluna – o fuste, e significa movimentar à força.&lt;br /&gt;Trata-se, portanto, de uma felação forçada.&lt;br /&gt;Venho estudando Da Vinci desde 1974, quando publiquei “Mona Lisa Um Auto-Retrato de&lt;br /&gt;Leonardo da Vinci”. De lá para cá, já li o bastante para publicar em jornal local, a série “Leonardo o&lt;br /&gt;Homem e o Mito”, quase de memória, logo que perdi a visão do olho direito. E nunca havia parado&lt;br /&gt;para pensar sobre a observação de Freud. Só recentemente, veio-me a idéia de pesquisar quem seria&lt;br /&gt;esse “abutre” o qual se refere Leonardo.&lt;br /&gt;É preciso, primeiro, entender que Leonardo nasceu de uma relação com uma aldeã de nome&lt;br /&gt;Caterina. Piero da Vinci, tabelião conhecido e poderoso, não desposou a jovem e tomou-lhe o filho&lt;br /&gt;para criar. O menino viveu como bastardo em companhia do pai, que não o encorajou à universidade,&lt;br /&gt;ao contrário, meteu-o na oficina de Andrea del Verrochio para ser um artesão. Desta convivência&lt;br /&gt;vamos testemunhar sua indiferença, quando em 1476, o filho é acusado de manter relações sexuais com&lt;br /&gt;o jovem Giacoppo Saltarelli, que servia de modelo ao atelier de Verrochio.&lt;br /&gt;Foi um dos momentos mais difíceis de sua vida e culminou com a sua ida para Milão, após o&lt;br /&gt;encerramento do processo judicial. Há, nesse período, uma anotação em seus escritos, que não é de&lt;br /&gt;Leonardo mas de alguém muito próximo: “Lionardo meu Lionardo por que esta dor?” Seu nome à&lt;br /&gt;maneira florentina revela familiaridade. Talvez seja o tio Francesco, único parente que esteve ao seu&lt;br /&gt;lado durante o processo. Mais velho que Leonardo 16 anos, Francesco vivia na casa paterna com Ser&lt;br /&gt;Piero, seu irmão e o restante da familia. Sua rara biografia diz que nunca trabalhou e nunca se casou.&lt;br /&gt;Ao morrer deixou-lhe uma propriedade – Il Brotto, objeto de litígio com os irmãos do artista em&lt;br /&gt;1507. No entanto, não há anotações sobre o tio nem comentário algum que revele o nível de sua&lt;br /&gt;amizade por este. Para alguém tão cioso por registros isto pode, no mínimo, significar indiferença.&lt;br /&gt;Seria fácil para seus biógrafos dizer que Da Vinci, após o incidente “Saltarelli”, teria ficado&lt;br /&gt;quieto e, embora não tenha se casado ou tido nenhuma ligação com mais ninguém, tenha vivido&lt;br /&gt;sozinho até a morte. Seria fácil dizer muita coisa desta figura enigmática da qual o historiador Paolo&lt;br /&gt;Giovio teria dito que tinha o “rosto mais belo do mundo”. Não seria difícil lembrar a sua farta&lt;br /&gt;compleição muscular, a sua vasta estatura, sua cabeleira loira com barba encaracoladas ou sua voz&lt;br /&gt;aguda e estridente. Leonardo era uma figura marcante, principalmente pela sua aparência principesca.&lt;br /&gt;Mas, escarafunchando melhor suas ações vamos ver que este dândi renascentista nunca foi santo.&lt;br /&gt;Por volta de 1490 Leonardo trabalhava para o Duque de Milão Ludovico Sforza, chamado – O&lt;br /&gt;Mouro. Nesta ocasião recebe ordens para ir até Pavia, onde naquele momento de paz, o Senhor de&lt;br /&gt;Milão dedicava-se a urbe de sua amada cidade natal, berço da civilização lombarda. Afinal, o artista ao&lt;br /&gt;enviar seu currículum ao Mouro, só faltou dizer que fazia mel de abelha. Razão de sobra para&lt;br /&gt;encarregar-lhe a tarefa de inspecionar, juntamente com Mestre Giovanni Amadeo a nova catedral, obra&lt;br /&gt;do arquiteto milanês Francesco di Giorgio Martini. O resultado é que a viagem rendeu-lhe bastante&lt;br /&gt;experiência, sobretudo na arquitetura, considerando que declarava-se e, almejava ser, engenheiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;militar. Mas nem por isso, deixou de medir e medir espaços e entrevistar operários. Foi nessa época&lt;br /&gt;que desenhou cúpulas em formas de domos, porém nada exepcional ou realizado, apenas esboços, hoje&lt;br /&gt;folhas do “códice Atlanticus”.&lt;br /&gt;No entanto, há algo exepcional que anota em seus cadernos no dia 23 de abril de 1490. Eis o&lt;br /&gt;texto: “(...) comecei este livro e recomecei o cavalo”. Refere-se ao cavalo do monumento que seria&lt;br /&gt;dedicado a Francesco Sforça, o pai de Ludovico. Também anota: “Giacomo veio viver em minha casa&lt;br /&gt;no dia de Santa Maria Madalena, 22 de julho de 1490, ele tem dez anos de idade”. Quem era este&lt;br /&gt;Giacomo? Na verdade trata-se do filho de um “contadino”, ou “matuto pobre” numa tradução mais&lt;br /&gt;clara, chamado Giovan Pietro Caprotti. Ele o teria entregue a Leonardo para viver em sua oficina, para&lt;br /&gt;aprender um ofício. Isto era muito comum na época. Mas no dia seguinte aparece nas anotações do&lt;br /&gt;artista algumas compras para o garoto: “ (...) eu lhe fiz talhar duas camisas, um par de calções e um&lt;br /&gt;gibão, mas quando guardei o dinheiro para pagar essas roupas, ele o roubou na escarcela, embora nunca&lt;br /&gt;tenha podido fazê-lo confessar o furto, estou disso absolutamente certo”. Antonina Vallentin em sua&lt;br /&gt;biografia de Leonardo relata o fato e acrescenta: “ o rapazinho cujo rosto correto seduzii-o pela sua&lt;br /&gt;beleza, mas estava tão desprezado, tão miserável, que ele se vê obrigado a comprar-lh, no dia seguinte,&lt;br /&gt;duas camisas, calças e um casaco. Gacomo dá cabo dos seus fatos em pouco tempo. Chega mesmo a&lt;br /&gt;dar uso a 24 pares de sapatos em um ano. Esta manutenção é muito dispendiosa e Leonardo anota as&lt;br /&gt;despesas que lhe ocasiona a presença da criança. Ela é tão discuidada na sua disciplina moral como no&lt;br /&gt;trajar e rouba dinheiro que Lonardo põe de lado. Po mais que o interroguem com severidade não é&lt;br /&gt;possível obter uma confissão, escreve em seu caderno”. Este foi o primeiro de muitos desgostos que&lt;br /&gt;passou por causa do menino. E não foi à-toa que em sua oficina lhe deram a alcunha de “salai”,&lt;br /&gt;provavelmente, uma forma dialetal de dizer “senza alá” ou “s’alai”, que passaria a história como Salai,&lt;br /&gt;ou “sem Deus”. Isto porque o menino salai, mesmo aprontando todas, continuou a ser mimado por&lt;br /&gt;Leonardo que o vestia ricamente. Um exemplo está no inventário de sua mala em 1505, além de suas&lt;br /&gt;roupas, “(...)uma túnica atada à francesa, pertencente a Salai, uma capa francesa, que era do Duque de&lt;br /&gt;Valentinois ( o 1.º Duque foi Cesar Bórgia), uma túnica de fazenda flamenga cinzenta” . Isto sem&lt;br /&gt;contar aneis, fitas, brocados e prata. Deste menino diz seu biógrafo-mor Giorgio Vasari: “ Leonardo&lt;br /&gt;acolheu como aluno o milanês Salai, cheio de graça e de beleza, com seus abundantes cabelos&lt;br /&gt;encaracolados, de quem o mestre muito gostava, muito lhe ensinou em arte, mas em certas obras, que&lt;br /&gt;em Milão se diz serem de Salai, Leonardo interveio”. É importante advertir ao leitor que o texto&lt;br /&gt;Vasariano de “Le Vite” serviu para dar nome a “Mona Lisa” e outras obras desconhecidas, porém é tão&lt;br /&gt;fantasioso que chega a considerar um “milagre” o nascimento de Da Vinci. Ele nunca chegou a&lt;br /&gt;conhecer o artista, que quando morreu só contava com cinco anos de idade. Fez sua biografia apenas&lt;br /&gt;por informações colhidas em Florença. Serge Bramly repara Vasari, dizendo que Leonardo tentou&lt;br /&gt;inculcar em Salai os rudimentos da arte, mas que este nunca se esforçou para aprender. Porém uma&lt;br /&gt;coisa é certa, e isto nos chama atenção, o modo como Vasari refere-se a “graça e beleza” do jovem,&lt;br /&gt;atributos que teriam encantado o mestre florentino, a ponto de tomar o garoto para si, assumindo todas&lt;br /&gt;as responsabilidades de um “pai”. Afinal, não há como dizer que Salai tenha sido seu aluno ou&lt;br /&gt;empregado. A relação entre ambos é ambígua demais, na visão da maioria dos historiadores. Ninguém&lt;br /&gt;ousa a fazer conjecturas, mas a fragilidade de carater do garoto, certamente, punia Leonardo com suas&lt;br /&gt;travessuras. E este se sentia refém a ponto de continuar a fazer-lhe os gostos mais extravagentes.&lt;br /&gt;Principalmente, porque sua herança natural de notário, o compelia a administrar bem suas finanças,&lt;br /&gt;anotar em seu livro caixa, todas as suas despesas. Poucos artistas de sua época viviam tão bem,&lt;br /&gt;financeiramente. Leonardo não tinha um ou dois aprendizes, tinha um séquito de jovens que o&lt;br /&gt;acompanhavam a toda parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonardo retratou o menino Salai por diversas vezes, sempre com cabelos encaracolados, nariz&lt;br /&gt;longilíneo, olhar vivo e rosto quase feminino. E diga-se de passagem, sua androginia, tão ao gosto&lt;br /&gt;renascentista, seria suficiente para que não precisasse buscar outros “Giacoppo Saltarelli”, para servir&lt;br /&gt;de modelo para suas vênus, como em Florença, no ano de 1470. O jovem viveu em sua casa por quase&lt;br /&gt;30 anos, sem nunca se tornar um pintor, um escultor ou um artesão menor. O catálogo – Classici&lt;br /&gt;dell’Arte da Editora Rizzoli, na página 110 traz a seguinte observação: “ Salaino(Salai), detto Andrea&lt;br /&gt;Caprotti – aluno predileto de Leonardo. Não deixou obra alguma documentada, como alguns teriam&lt;br /&gt;mencionado a cerca de sua participação dos modos de seu mestre em um tenue e incerto&lt;br /&gt;sfumato”(tradução nossa). Isto significa, que Salai apenas viveu na casa do artista até a sua morte. O&lt;br /&gt;mais interessante é que em Amboise, na França, trabalhando para Francisco I, somente três pessoas&lt;br /&gt;tiveram soldos anotados nos registros reais: Leonardo, Melzi e Salai, este último “cem escudos,&lt;br /&gt;entregues de uma só vez a Salay”, da forma como escreveu o servidor real, que também anotou o nome&lt;br /&gt;do mestre como Lynard de Vince. E um outro fato muito interessante é o testamento de Da Vinci, feito&lt;br /&gt;em 23 de abril de 1519, por um notário de Amboise. Para Salai deixou metade da vinha que Ludovico&lt;br /&gt;Sforza – O Mouro, havia lhe ofertado, inclusive com uma casa que ali havia construido. Foi para lá&lt;br /&gt;que ele foi após a sua morte e lá ficou até ser alvejado por um arcabuz em 1523.&lt;br /&gt;Salai, juntamente com Giovanni Boltrafio, Cesare dal Sesto, Marco d’Oggionne e Francesco&lt;br /&gt;Melzi, estiveram com Da Vinci até a sua morte em 2 de maio de 1519, no solar de Cloux, perto de&lt;br /&gt;Amboise, na França. É muito difícil dizer o quanto o rosto ou o corpo inteiro de Salai não está&lt;br /&gt;impregnado em suas obras. Quem teria sido realmente o “Homem Vitruviano” , aquele onde o artista&lt;br /&gt;descreve as proporções humanas? Salai? É muito difícil não crer nesta relação de alcova, facilitada pela&lt;br /&gt;licenciosidade de um rapaz que sabia que era desejado. Comparações que o artista faz, explicitamente,&lt;br /&gt;num desenho, entre o velho, com sua decrepitude, e o belo jovem, possívelmente Salai. Leonardo&lt;br /&gt;conhecia muito bem aquela relação que tanto o enojava, quando seu tio Francesco o molestou. O&lt;br /&gt;odiava por isso. Mas fazia, exatamente, a mesma coisa, dissimulado, travestido de pai, bondoso, afável,&lt;br /&gt;comprando e gastando com o garoto - o seu brinquedo predileto. Inegavelmente, o ciclo se completava.&lt;br /&gt;Diferentemente, de Leonardo que ignorou o tio em seus escritos, Salai nunca deve ter atingindo a uma&lt;br /&gt;maturidade moral e financeira a ponto de sair da companhia do “mestre”, porém nunca deixou de&lt;br /&gt;estorquir suas finanças, nem de buscar privilégios. Era sua vingança, também silenciosa e dissimulada.&lt;br /&gt;Da mesma forma que o tio, o sobrinho procurou recompensar o mal que fez ao garoto, com presentes e&lt;br /&gt;até uma polpuda herança, privilegiando-o em seu testamento.&lt;br /&gt;Há um trecho da obra de Dimitri Mereikowski, autor da obra: O Romance de Leonardo da&lt;br /&gt;Vinci que vale a pena mencionar: “Salai queixa-se às vêzes, amargamanete de tédio da sua vida&lt;br /&gt;monótona e isolada, afirmando que, aparentemente, os discípulos dos outros mestres levam uma&lt;br /&gt;existência muito mais divertida. Ele gosta de usar roupas novas, como as raparigas e fica triste por não&lt;br /&gt;haver quem as admire. Por êle, estaria constantmente em festas, em meio de ruídos luzes, multidão e&lt;br /&gt;olhares enamorados. Hoje o mestre(Leonardo), depois de escutar pacientemente, todas as mágoas e&lt;br /&gt;queixas do seu favorito, num gesto habitual, passou-lhe a mão pelos longos cabelos encaracolados e&lt;br /&gt;suaves, respondendo-lhe com um sorriso: - Não te entristeças rapaz, prometo levar-te ao&lt;br /&gt;Castelo(Sforzesco) na próxima recepção de gala”. Da mesma forma, o autor se refere a uma passagem&lt;br /&gt;quando Salai adoece. “O mestre trata dele pessoalmente, e não dorme, à noite, sentado à sua cabeceira.&lt;br /&gt;Mas não quer sequer ouvir falar de remédios. Marco d’Oggionne trouxe algumas pílulas para o&lt;br /&gt;enfermo. Leonardo deu com elas e as atirou pela janela afora.” Cabe um último acréscimo: Salai fez&lt;br /&gt;Leonardo pagar o dote de sua irmã, para que esta pudesse casar-se. Ele pagou e não reclamou.&lt;br /&gt;Uma curiosidade que passaria pela cabeça do leitor, seria a relação de Leonardo com os demais&lt;br /&gt;alunos. Giovanni Boltrafio escreveu em seu diário: “Tornei-me discípulo do mestre florentino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonardo da Vinci em 25 de março de 1494. O mestre interessa-se por mim, como se eu pertencesse à&lt;br /&gt;sua própria família, tendo descoberto que sou pobre, não quis aceitar o pagamento mensal que&lt;br /&gt;havíamos combinado”. Boltrafio era noviço quando decidiu ir estudar com o artista. Isto pertubo-o&lt;br /&gt;durante toda a sua vida. Sobretudo, pelo fato de sua inaptidão pela religião. Um dia chegou a dizer ao&lt;br /&gt;mestre que as pessoas comentavam porque alí(na oficina) ninguém nunca ia a missa aos domingos.&lt;br /&gt;Francesco Melzi era de descendência nobre, filho de Girolamo Melzi, capitão de Luis XII. Seu&lt;br /&gt;filho, ainda adolescente anunciou que iria viver na casa de Mestre Leonardo, para estudar. Isto foi um&lt;br /&gt;escândalo! O rapaz era de outra classe social, que não poderia sujar as mãos com tintas. Ninguém&lt;br /&gt;nunca tinha visto tal coisa na Lombardia. E Melzi nunca abandonou Leonardo e sempre o tratou melhor&lt;br /&gt;do que Salai. Já em idade avançada tinha paciência de estar ao seu lado, anotar seus escritos e cuidar&lt;br /&gt;dele quando enfermo.&lt;br /&gt;Cesare dal Sesto, este sim, o espreitava com desconfiança. Não se furtou de contar em contar a&lt;br /&gt;Beltrafio, logo nos primeiros dias(segundo Mereikowski) que Leonardo havia sido processado por&lt;br /&gt;sodomia, em 1476, em Florença. Dizia coisas que perturbava o ex-noviço, carola, que um dia chegou a&lt;br /&gt;confessar, chorando, a Leonardo que teria ido assistir um sermão de Savonarola. Savonarola foi o prior&lt;br /&gt;de São Marcos, em Florença que criticava as imoralidades do renascimento. Foi enforcado. E Leonardo&lt;br /&gt;o guardou em seus desenhos, com a corda no pescoço.&lt;br /&gt;É muito difícil, falar de Leonardo sem poupar esta riqueza de detalhes sobre a sua vida. Ele é&lt;br /&gt;um enigma, assim como suas ações e suas obras. Que, aliás, o destino de cada uma delas é motivo para&lt;br /&gt;um texto ainda mais longo. Fica para outra oportunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* E-mail: beneditora@hotmail.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/425705622748118051-7601523010293739151?l=resmungosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/feeds/7601523010293739151/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=425705622748118051&amp;postID=7601523010293739151' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/7601523010293739151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/7601523010293739151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/2011/10/leonardo-da-vinci-sofreu-abuso-sexual.html' title='LEONARDO DA VINCI SOFREU ABUSO SEXUAL NA INFÂNCIA - TEXTO COMPLETO'/><author><name>Benedito Ramos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11261507968685590861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-425705622748118051.post-8203930486708208398</id><published>2010-02-21T15:17:00.000-08:00</published><updated>2010-02-21T15:37:55.298-08:00</updated><title type='text'>INSTITUCIONAL PRODUZIDO PELA TVE ALAGOAS SOBRE O ESCRITOR BENEDITO RAMOS - parte 1</title><content type='html'>&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-332fb201d7386e80" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v10.nonxt1.googlevideo.com/videoplayback?id%3D332fb201d7386e80%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330464427%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D711B5643CC70121B509E0D71EEEEA29F9566C30F.305C8082ECB23786B3A1ADCA3DEDD2654DE54EDB%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D332fb201d7386e80%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DhMvQE6QS4TwpyAHPLgANNxHA7ig&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v10.nonxt1.googlevideo.com/videoplayback?id%3D332fb201d7386e80%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330464427%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D711B5643CC70121B509E0D71EEEEA29F9566C30F.305C8082ECB23786B3A1ADCA3DEDD2654DE54EDB%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D332fb201d7386e80%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DhMvQE6QS4TwpyAHPLgANNxHA7ig&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/425705622748118051-8203930486708208398?l=resmungosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/feeds/8203930486708208398/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=425705622748118051&amp;postID=8203930486708208398' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/8203930486708208398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/8203930486708208398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/2010/02/institucional-produzido-pela-tve_1194.html' title='INSTITUCIONAL PRODUZIDO PELA TVE ALAGOAS SOBRE O ESCRITOR BENEDITO RAMOS - parte 1'/><author><name>Benedito Ramos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11261507968685590861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-425705622748118051.post-6616864398971856487</id><published>2010-02-21T15:03:00.000-08:00</published><updated>2010-02-21T15:16:59.999-08:00</updated><title type='text'>INSTITUCIONAL PRODUZIDO PELA TVE ALAGOAS SOBRE O ESCRITOR BENEDITO RAMOS - parte 2</title><content type='html'>&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-2c024ba67c95f34f" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v10.nonxt8.googlevideo.com/videoplayback?id%3D2c024ba67c95f34f%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330464427%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D5C4BD99ADB856FF2C82212AAA4D9823A7C516FA3.61D760CFCBCB01BF30E89A366E9EF3F9E4A7F893%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D2c024ba67c95f34f%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D0Fc7kNBxdl0qjp0zRz8SXiDrrM8&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v10.nonxt8.googlevideo.com/videoplayback?id%3D2c024ba67c95f34f%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330464427%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D5C4BD99ADB856FF2C82212AAA4D9823A7C516FA3.61D760CFCBCB01BF30E89A366E9EF3F9E4A7F893%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D2c024ba67c95f34f%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D0Fc7kNBxdl0qjp0zRz8SXiDrrM8&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/425705622748118051-6616864398971856487?l=resmungosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/feeds/6616864398971856487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=425705622748118051&amp;postID=6616864398971856487' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/6616864398971856487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/6616864398971856487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/2010/02/institucional-produzido-pela-tve_21.html' title='INSTITUCIONAL PRODUZIDO PELA TVE ALAGOAS SOBRE O ESCRITOR BENEDITO RAMOS - parte 2'/><author><name>Benedito Ramos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11261507968685590861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-425705622748118051.post-7143595487709121838</id><published>2008-05-25T04:59:00.000-07:00</published><updated>2008-12-09T15:52:34.171-08:00</updated><title type='text'>LEONARDO DA VINCI SOFREU ABUSO SEXUAL NA INFÂNCIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_j5bc7KIKJhE/SDlWCQlaJpI/AAAAAAAAARo/QQQgnF1HvDA/s1600-h/study_of_a_chils_head.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5204285441214916242" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_j5bc7KIKJhE/SDlWCQlaJpI/AAAAAAAAARo/QQQgnF1HvDA/s320/study_of_a_chils_head.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_j5bc7KIKJhE/SDlVfQlaJoI/AAAAAAAAARg/6I-zaJmplwY/s1600-h/heads_profile_hi.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Benedito Ramos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É Freud e não eu que levanta a suspeita de que Leonardo teria sofrido abuso sexual na infância. A revelação está em seu livro “Leonardo da Vinci e uma Lembrança de sua Infância”. O papa da psicanálise enxerga este pormenor, num texto interrompido, onde o artista pára de falar do vôo dos abutres, por causa de uma recordação de sua mais tenra infância. Leonardo lembra de um grande abutre que se aproxima de sua cama e começa a fustigar-lhe a boca com a cauda. Freud vê a observação com um simbolismo particular. O abutre seria um homem e sua cauda o pênis. O verbo fustigar, empregado para descrever a cena tem origem no formato de uma coluna – o fuste, e significa movimentar à força. Trata-se, portanto, de uma felação forçada.&lt;br /&gt;Venho estudando Da Vinci desde 1974, quando publiquei “Mona Lisa Um Auto-Retrato de Leonardo da Vinci”. De lá para cá, já li o bastante para publicar em jornal local, a série “Leonardo o Homem e o Mito”, quase de memória, logo que perdi a visão do olho direito. E nunca havia parado para pensar sobre a observação de Freud. Só recentemente, veio-me a idéia de pesquisar quem seria esse “abutre” o qual se refere Leonardo.&lt;br /&gt;É preciso, primeiro, entender que Leonardo nasceu de uma relação com uma aldeã de nome Caterina. Piero da Vinci, tabelião conhecido e poderoso, não desposou a jovem e tomou-lhe o filho para criar. O menino viveu como bastardo em companhia do pai, que não o encorajou à universidade, ao contrário, meteu-o na oficina de Andrea del Verrochio para ser um artesão. Desta convivência vamos testemunhar sua indiferença, quando em 1476, o filho é acusado de manter relações sexuais com o jovem Giacoppo Saltarelli, que servia de modelo ao atelier de Verrochio.&lt;br /&gt;Foi um dos momentos mais difíceis de sua vida e culminou com a sua ida para Milão, após o encerramento do processo judicial. Há, nesse período, uma anotação em seus escritos, que não é de Leonardo mas de alguém muito próximo: “Lionardo meu Lionardo por que esta dor?” Seu nome à maneira florentina revela familiaridade. Talvez seja o tio Francesco, único parente que esteve ao seu lado durante o processo. Mais velho que Leonardo 16 anos, Francesco vivia na casa paterna com Ser Piero, seu irmão e o restante da familia. Sua rara biografia diz que nunca trabalhou e nunca se casou. Ao morrer deixou-lhe uma propriedade – Il Brotto, objeto de litígio com os irmãos do artista em 1507. No entanto, não há anotações sobre o tio nem comentário algum que revele o nível de sua amizade por este. Para alguém tão cioso por registros isto pode, no mínimo, significar indiferença.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/425705622748118051-7143595487709121838?l=resmungosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/feeds/7143595487709121838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=425705622748118051&amp;postID=7143595487709121838' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/7143595487709121838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/7143595487709121838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/2008/05/leonardo-da-vinci-sofreu-abuso-sexual.html' title='LEONARDO DA VINCI SOFREU ABUSO SEXUAL NA INFÂNCIA'/><author><name>Benedito Ramos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11261507968685590861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_j5bc7KIKJhE/SDlWCQlaJpI/AAAAAAAAARo/QQQgnF1HvDA/s72-c/study_of_a_chils_head.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-425705622748118051.post-4014952033920530832</id><published>2008-02-15T15:29:00.000-08:00</published><updated>2008-02-15T15:41:07.979-08:00</updated><title type='text'>O GÓTICO MOURISCO DE DOM MANUEL</title><content type='html'>Benedito Ramos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O Abade de Suger, criador e inovador do Estilo Gótico, apelidado vulgarmente de Estilo dos Godos, certamente, nunca pensou que mesmo após a sua morte, aquela invenção arquitetônica fosse tomada por tanto ecletismo. Foi o caso do Gótico Tardio Portug&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.7maravilhas.sapo.pt/imagens/mon13/img01.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 200px;" src="http://www.7maravilhas.sapo.pt/imagens/mon13/img01.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;uês ou como ficou sendo conhecido, o Estilo Manuelino. Criado sob a responsabilidade dos arquitetos João de Castilho e Diogo Boitac o estilo floresceu a partir do século 16, em Portugal, no reinado de D. Manoel I(1494-1521), na época das grandes navegações. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;É, talvez, modéstia demais tratar o estilo apenas como Gótico. Deste possui, com certeza a verticalidade própria, as nervuras dos tetos, os pináculos e a estrutura de apoio das paredes. No entanto, quando vamos a busca das ogivais janelas rendilhadas, de curvas amorcegadas e ornamentos apocalípticos, encontramos uma série de adornos materializados nas dominações almorávidas que permeou metade de Portugal e Espanha. Daí os portais morbiliformes, enrugados por múltiplas conchas marinhas, de concepção românica, baixos e profundos. Janelas em calcário macio, com talho vazado expressando uma folhagem exótica atada por cordéis sinuosos numa imagem labiríntica, como arabescos de mesquitas. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O lado português fica por conta dos entremeios brasonados com a esfera armilar, a Cruz da Ordem de Cristo, a mesma dos panos das caravelas e os pilares de colunetas trançadas à maneira salomônica do Baldaquim de Bernini, do Vaticano. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Mas é a liberdade do cânon gótico que faz do Estilo Manuelino uma atração à parte. Nada é tão peculiar do que os portais duplos, em forma de trevo ou folhagem. A ausência &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;do sentimento tétrico que Vitor Hugo sentiu ao escrever “Nossa Senhora de Paris”, como declara, motivado pela inscrição de um anagrama grego sobre a morte, feita em uma das paredes da catedral. Esse gótico perdeu o ranço teológico com que Suger concebeu o estilo despojado e triste voltado para diminuir o fiel diante da grandeza de Deus. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Ainda era preciso “ter fé para poder compreender”, como dizia Santo Agostinho. E isto ainda prevalecia mesmo no final da Idade Média nos tempos tomistas, não em Portugal, um Odisseu do século 16.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O mais interessante é que o Estilo Manuelino, que parece ter sido forjado por elementos góticos, está presente até nos pelourinhos provinciais ou nas fachadas das construções civis, mesclado com o Barroco ou Rococó. Longe de toda a formalidade, Portugal concebeu um gótico mourisco, na essência desta expressão, como diríamos no Brasil nordestino, “rajado” como um gato cinza escuro, porém muito particular. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/425705622748118051-4014952033920530832?l=resmungosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/feeds/4014952033920530832/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=425705622748118051&amp;postID=4014952033920530832' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/4014952033920530832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/4014952033920530832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/2008/02/o-gtico-mourisco-de-dom-manuel.html' title='O GÓTICO MOURISCO DE DOM MANUEL'/><author><name>Benedito Ramos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11261507968685590861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-425705622748118051.post-2618523581161423799</id><published>2008-02-15T15:23:00.000-08:00</published><updated>2008-02-15T15:29:13.913-08:00</updated><title type='text'>O MAQUIAVELISMO ESSENCIAL - Benedito Ramos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.arqnet.pt/imagens2/ph_maquiavel.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 200px;" src="http://www.arqnet.pt/imagens2/ph_maquiavel.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Nenhuma sociedade está imune à experiência dualística da razão e da crença. Esta última é, com certeza, a cachaça cujo porre cria o sofisma necessário para sustentar a realidade cotidiana. É como a teológica “esperança da ressurreição”. Colocada numa balança, a crença possui um peso dobrado. Resumindo: o homem crer bem mais do que realmente pode experimentar. &lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Isto, posto numa sociedade de consumo e ao lume do capitalismo, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;que divide os homens pelo dinheiro que possui, a crença é o pilar que acode o telhado da realidade. É preciso crer em dias melhores. O Brasil vai ter a reforma agrária que precisa. O riacho salgadinho será despoluído. Não faltará alimento na mesa do brasileiro. Enfim, Papai Noel existe. “...seja rico ou seja pobre o velhinho sempre vem”, como diz a música de Octávio Filho.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Em meio a este cenário, nos arriscamos a dizer que a sociedade prefere viver personagens de si mesma e não a sua própria vida. Afinal, esta é, quase sempre, de uma realidade tão crua que este maquiavelismo essencial se torna premente para&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;sua sobrevivência. Amar os inimigos ainda é muito pouco quando não se consegue derrotá-los. É preciso dar gáudio ao verdugo e sorrir até tombar do cepo. A verdade é cruel demais e a mentira pode ser a&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;chave da felicidade. Já houve uma época em que se podia dizer que “as aparências enganam”. Hoje, com certeza, são as aparências que importa e a realidade é subjetiva. Quem quer saber a maloca que você se esconde quando o seu carro causa inveja? Qualquer sacrifício vale a fita pela finta.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Parece crime hediondo a ética, quando com meias verdades se ganha lauréis. A sociedade é livre para escolher seus heróis. Vale, portanto, alguma coisa o ideário que você escolheu se a fome lhe bate a porta? Onde termina o caminho da solidão social? Desacompanhado, nem “minoria” você é, para acudi-lo um “órgão de defesa”. Ninguém cria uma ideologia para si mesmo. Quem não tem competência, para se fazer crer, aceita a crença dos outros. É assim que o mundo funciona. Pior é guardar-se no ceticismo e crer apenas no mito da verdade como elemento transformador. Paciência, até hoje a fórmula da Coca-Cola é um segredo e nem por isso deixa de ser tão apreciada.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: lucida grande;"&gt;            &lt;/span&gt;Não pense leitor amigo, que esta pachorra sua em fiar-se decanato, numa sociedade interesseira como a nossa, val coisa alguma. É preciso bem mais que se fazer douto, fora dos átrios dos compadrios. Nada mais, maquiavelicamente, correto do que conhecer os últimos atores sociais, para sobrepujar os editos. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/425705622748118051-2618523581161423799?l=resmungosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/feeds/2618523581161423799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=425705622748118051&amp;postID=2618523581161423799' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/2618523581161423799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/2618523581161423799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/2008/02/o-maquiavelismo-essencial-benedito.html' title='O MAQUIAVELISMO ESSENCIAL - Benedito Ramos'/><author><name>Benedito Ramos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11261507968685590861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-425705622748118051.post-5408895515273959287</id><published>2008-02-15T14:49:00.000-08:00</published><updated>2008-12-09T15:52:34.536-08:00</updated><title type='text'>1900 - A CARA EUROPÉIA DO BRASIL</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_j5bc7KIKJhE/R7YZCRX4SBI/AAAAAAAAAEs/Ltf--UXEV9E/s1600-h/victoria1ere.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_j5bc7KIKJhE/R7YZCRX4SBI/AAAAAAAAAEs/Ltf--UXEV9E/s320/victoria1ere.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5167345149268215826" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Benedito Ramos&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A geração pós-modernista, que hoje permeia o século XXI, não consegue entender porque o Brasil dos anos 20 vivia, plenamente, a atmosfera cosmopolita de Milão, Paris ou Londres. E em pleno sol tropical, desfilavam fatiotas abotoadas sobre coletes. Mas, sobretudo, construía uma urbanidade que não diferenciava da paisagem européia. Razão pela qual, ao deparar-se com as imagens da mini-série “Um Só Coração” exibida pela Rede Globo, não acreditam que estão vendo o Brasil. Como chegamos a isso? De que forma a paisagem colonial brasileira foi transformada em um cenário tão cosmopolita para depois ser destruída?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;A implantação das cidades portuguesas sempre foi um contraste em relação a Espanha, no que tange ao modelo regular conhecido como - plano de grelha. Poucas vezes, os portugueses tiveram cuidado de planejar suas cidades que cresceram sem a menor disciplina. No Brasil não foi diferente, e um exemplo disso, são cidades como: Ouro Preto,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;São João del Rey e Tiradentes. Da mesma forma Salvador, Rio de Janeiro, Olinda, estas, justificáveis pela proximidade da costa. Salva-se Recife, que deve seu plano regular aos Holandeses, ao contrário da Olinda, onde os portugueses construiram-na nos moldes das antigas fortalezas medievais, encimadas em montes, acima do nível do mar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;A realidade é que a arquitetura remanescente do período colonial, se constituía um entrave no crescimento das cidades, tanto pelas suas ruas estreitas, como pelos desníveis de terreno ou mesmo pela precariedade da construção, muitas&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;ainda em taipa. Um bom exemplo desse período, é a cidade de Santa Maria Madalena das Alagoas do Sul - hoje&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Marechal Deodoro, que teve o progresso interrompido, pela mudança da Capital, o que impediu uma alteração da paisagem urbana, dentro da linha vigente na virada do século.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Um panorama do processo urbanístico no Brasil, entre o final do século XIX e início do século XX, passa por momentos marcantes. Um processo, que começa na Revolução Industrial com a voracidade da modernização somado ao fortalecimento das aristocracias cafeeira e açucareira, esta última, no nordeste. Sem esquecer a participação da indústria textil que figurava entre as manufaturas de maior abrangência geográfica no território nacional. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;A renovação da urbanidade das principais cidades brasileira, se deve, principalmente a este desenvolvimento frenético patrocinado pela Inglaterra, considerada na época como a “Oficina do Mundo”. Depois, o próprio período de renovação urbanística das grandes cidades européias, como Paris, Milão, Londres e Roma,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;que precisavam perder todo a ranço que ainda restava do período medieval. Razão pela qual, o enlarguecimento das ruas, dispendia enormes somas com indenizações. Era aí que as grandes fortunas, dos industriais, comerciantes, banqueiros e proprietários rurais movimentam a economia, fazendo aparecer os recursos destinados a estas transformações. Não é de se estranhar, por tanto, que uma fotografia do centro São Paulo ou Rio de Janeiro, no início do século XX, se confunda com ruas de Milão ou mesmo de Paris. Afinal o homem desse período respirava o ar europeu, na sua inconfundível elegância beirando o esnobismo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;E toda esta sede de renovação ou restauração, estava em sintonia com a maioria das cidades brasileiras, principalmente, as portuárias. Por isso, Alagoas está inserida neste contexto, bem mais por Maceió, através do&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;bairro de Jaraguá e Penedo, do que pela&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;antiga capital da província – Santa Maria Madalena das Alagoas do Sul – atual Marechal Deodoro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Dizia o saudoso Durval Normande que viu, muitas vezes, companhias de óperas em excursão por Penedo, ao invés de Maceió, que ainda não tinha teatro. E o olhe, que fomos a primeira capital a receber iluminação elétrica. Mesmo assim, o próprio palácio do Governo só foi concluído em 1902. A partir daí foi que Euclides Malta, deu uma geral na cidade, que ganhou um aspecto mais metropolitano, com a importação de estatuária francesa para as praças, principalmente para a que tinha o seu nome, hoje&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;conhecida como Praça Sinimbu, totalmente descaracterizada do seu desenho original.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;           &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Durante muito tempo, guardou-se a idéia de que os componentes da Missão Artística de 1816, teriam sido convidados por D.João VI. Porém, naquela data, Napoleão Bonaparte já havia sido deposto, e consequentemente, muitos dos arquitetos e artistas, teriam servido ao antigo regime e a esta altura, eram perseguidos em seu país. Por isso, é mais plausível dizer, que eles teriam se oferecido. Porém, o certo é que estes artistas, estavam saindo de um país onde se respirava o Neoclassicismo, haja vista que foi esse o estilo adotado pelo governo. O chefe da Missão, Joachin Lebreton, tinha sido um dos fundadores do Louvre, os demais como Nicolas-Antoine Taunay, Jean-Baptiste Debret, Grandjean de Montigny,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;o escultor&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Auguste-Marie Taunay e&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;todos os outros haviam estudado nas escolas francesas, onde o Neoclassicismo imperava desde os tempos de Luís XVI. A finalidade da Missão era a de criar uma Escola de Artes e Ciência, que em 1826 seria a Imperial Academia de Belas Artes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;          &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O início do século XIX é marcado pela necessidade de proteção e restauração do patrimônio histórico-monumental que estava sendo inserido dentro da nova paisagem urbana que começava a ser delineada na europa por conta da Revolução Industrial.&lt;span style=""&gt;           &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O movimento modernista considerava os estilos &lt;i style=""&gt;Art Nouveau&lt;/i&gt; e o ecletismo verdadeiros inimigos da nova ordem estética. Não obstante, o estilo tinha uma clientela, a única desde o século XVIII - a burguesia, sempre em ascenção. Dessa forma, cada nova leitura dos clássicos greco-romano ou medieval, tinha um significado perante a crítica, como imitação ou historicismo.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;É porém o Ecletismo que passa a ser a expressão do sentido apolítico e burguês do final do século XIX ao início do século XX. Ao contrário, do seu antecessor, o Neoclassicismo, trazia em seu arcabouço um ideal político, de poder, galardia e fausto, existente no seio da burguesia.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O que significa dizer que cada “Neo-qualquer-que-fosse-o-estilo”, estaria sempre adequado a atender a um segmento da sociedade, assim como: o Neogótico para a arquitetura religiosa ou o classicismo pesado do estilo coríntio romano para os edifícios solenes como parlamentos, museus, ministérios e afins.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não se pode, porém, esquecer que foi a clientela burguesa que passou a exigir modernidade, como sinônimo de conforto em suas residências, obrigando a se promover grandes progressos nas instalações técnicas, serviços sanitários e na distribuição interna dos edifícios. Como também não se pode negar, que foi a sua exigência de conforto que motivou a mudança no conceito dos grandes hotéis, balneários, grandes lojas, escritórios, bolsa de valores, bancos e teatros.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Mas é sobretudo, a efervescência causada pelas primeiras Exposições Universais de Londres - em 1851 e de Paris em 1867-78-79, respectivamente, que trouxeram&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;à luz novas alternativas para o Progresso, como as estruturas de ferro, os ornamentos pré-fabricados, como colunas, consolos, escadas e elevadores, sem falar no impacto das obras mitológicas como o &lt;i style=""&gt;Cristal Palace &lt;/i&gt;e a&lt;i style=""&gt; Tour Eiffel. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="margin-left: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;       &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;       &lt;/span&gt;Inaugurada&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;a 2 de dezembro de 1861 no Rio de Janeiro a Primeira Exposição Nacional de “produtos naturais e Industriais”, como era apresentado no catálogo, representou uma iniciativa de grande repercussão para uma visão histórica global da indústria brasileira. A Família Imperial apareceu pela primeira vez em uma festa pública, onde estavam presentes a Princesa D. Isabel e D. Leopoldina. O&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Imperador&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;foi saudado pelo Marquês de Abrantes, presidente da Comissão Diretora da Exposição, ocasião em que o Imperador, em breves palavras, salientou: “ As festas da inteligência e do trabalho são sempre motivos do mais fundado regozijo.” (Catálogo da Exposição Nacional – 1861- Editora – Confraria dos Amigos do Livro – ed. 903) Para a cerimônia inaugural propositadamente foi composto o Hino da Exposição, pelo jovem compositor, então com 25 anos, Antônio Carlos Gomes, que havia extreado dois meses antes, com sua primeira ópera “A&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Noite do Castelo”, muito antes de “O Guarani.”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="margin-left: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Mal chegara os primeiros dias do século XX e a cidade do Rio de Janeiro sofreu uma intervenção que alterou profundamente sua fisionomia arquitetônica e estrutura urbana. Para se ter uma idéia da magnitude da renovação, executada com enorme rigor, entre 1903 e 1906, no governo de Rodrigues Alves, pela primeira vez, o Rio de Janeiro foi objeto de uma política urbana, formulada num plano sistemático, abrangendo um amplo leque de iniciativas que repercutiram como um terremoto nas condições de vida de sua população. Centenas de Prédios foram demolidos deixando ao desabrigo milhares de pessoas. A secular estrutura herdada da colônia, mas já transfigurada em suas funções, desde a desagregação do escravismo, foi posta à baixo, criando-se uma nova paisagem que tentava dar ao Rio de Janeiro o aspecto imponente das metrópoles do&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Velho Mundo, e uma nova estrutura mais compatível com as atividades econômicas e as relações sociais radicadas no espaço urbano.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="margin-left: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;       &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;     &lt;/span&gt;Nessa cidade portuária dos trópicos, a força braçal do trabalhador escravo movimentava todas as engrenagens de sua vida econômica e social. As ruas estreitas e sinuosas do Rio de Janeiro eram espaço de trabalho de uma multidão de “escravos de ganho”, que dominava a paisagem do cais do porto e dos locais de circulação mais intensa. Eram carregadores, vendedores ambulantes, trabalhadores da construção civil e obras públicas, sem falar nos escravos domésticos a quem cabia a execução de vários serviços ligados à manutenção pública das propriedades urbanas de seus senhores, em particular - o abastecimento de água e a limpeza dos esgotos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent3" style="margin-left: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;       &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;      &lt;/span&gt;A segunda metade do século XIX caracterizou-se pela emergência de forças poderosas de renovação na cidade escravista. Com a chamada segunda revolução industrial, o comércio internacional cresceu num rítimo sem precedentes. Ao mesmo tempo as exportações de capital, sob a forma de empréstimos públicos e investimentos&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;diretos, resultaram na instalação das bases materiais que configuram o início da modernização de economias periféricas como a brasileira, aparelhada com ferrovias, navegação a vapor e instalações portuárias, serviços públicos e outras atividades necessárias&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;aos novos fluxos de matérias-primas e produtos industrializados.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="margin-left: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;     &lt;/span&gt;Desde 1870 que a palavra &lt;i style=""&gt;Chalet&lt;/i&gt; aparecia para designar, tanto os pavilhões&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;de venda, quanto os quiosques( que logo encheram as ruas), como as residências, no estilo das habitações suíças. Havia inclusive a “Casa do Chalet” - na rua Gonçalves Dias, 49 - no Rio de Janeiro, que vendia grande sortimento de ornamentos de zinco estampados, Lambrequins, flechas, vasos, cataventos, estátuas, bolas, etc. - disponíveis para exportação&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;“para todo o Império”. Importava-se dos Estados Unidos de “J.B. &amp;amp; J.M. Vornell -&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;141 - Center Street N.Y.” edifícios inteiros, pontes, telhados, fachadas,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;vigas mestras, escadas, colunas, sem falar nos ornamentos que vinham diretamente de Milão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A construção de concreto foi outra novidade do século XX que fez a arquitetura industrial desenvolver-se amplamente. O&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;novo tipo de construção em concreto viabilizou muitas soluções formais, até mesmo em construções monumentais. Porém&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;já no século XVIII, os ingleses já haviam utilizado uma espécie de concreto para a construção de portos, canais e pontes, o chamado “Cimento de Portland”, inventado em 1824 por Joseph Aspdin, vinte e seis anos mais tarde o francês Joseph Monier construiu vasos para plantas em concreto. Em 1867, o mesmo inventor patenteou uma série de métodos de consolidação da massa por meio de barras de ferro. Em 1913 o invento já aparece na exposição de Breslau, num pavilhão projetado por Max Berg. A partir de 1915, com os conceitos inovadores do arquiteto Le Coubusier para massificação da produção. O concreto também chegou ao Brasil onde em 1926 foi instalada, em São Paulo, a primeira fábrica de cimento com o nome de “Portland”.&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=""&gt;       &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Quando contemplamos a paisagem urbana de Penedo, consoante as suas raízes históricas, onde a antiga Vila de São Francisco começa a aparecer nos idos de 1600, procuramos encontrar&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;um conjunto arquitetônico que fale da velha arquitetura colonial, semelhantemente ao da antiga Capital da Província, no entanto, além do Convento de Nossa Senhora dos Anjos e da Igreja da Corrente, somado a&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;alguns edifícios religiosos e públicos, que remontam desse período, a cidade oferece um sítio histórico bem mais abrangente da arquitetura vigente entre o final do século XIX e início do século XX. Por que ao invés de austeras casas de eira, beira e sobreira, com janelões de cantaria, encontramos belas&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;residências, algumas mansões, solares e até palacetes&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;em estilo Neoclássico,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Eclético,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt;Art Nouveau &lt;/i&gt;e até&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;no &lt;i style=""&gt;Art Deco&lt;/i&gt;? A verdade é que a cidade de Penedo, por desfrutar de uma posição geográfica extraordinária, foi responsável, na época, pelo franco desenvolvimento econômico e cultural do Estado de Alagoas, destacando-se até a nível nacional, mais que a futura Capital - Maceió. Seus grandes empórios, a sua intermediação no comércio ribeirinho, tudo representou uma prosperidade que ficou registrada na história de seu plano urbanístico que empreendeu a derrubada de antigas casas, pontilhando a cidade do ecletismo fulgurante do início do século, a exemplo das grandes cidades brasileiras.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="margin-left: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;       &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;Ao contrário,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Santa Maria Madalena das Alagoas do Sul – atual Marechal Deodoro,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;teve o seu desenvolvimento interrompido no dia 9 de dezembro de 1839, quando a capital da província foi transferida para Maceió. Esta foi a razão de ter sido mantida a arquitetura urbana do período colonial, embora com muitas intervenções, motivadas por reformas desorientadas, face ao abandono cultural a que a cidade esteve exposta. Restou como lembrança,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;ruas estreitas, casas ainda em taipa, e alguns edifícios oficiais, como a “Cadeia e Casa da Câmara” e religiosos como a Igreja da “Ordem 3ª do Carmo”, em ruinas, além de outros prédios religiosos, como Convento de São Francisco com a Igreja de Santa Maria Madalena e administrativos, como o antigo Palácio Provincial, em melhor estado.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A mudança do nome para homenagear ao Proclamador da República – Marechal Deodoro, foi promovida em 9 de novembro de 1939, com a Lei nº 2550, sancionada no Governo do Dr. Osman Loureiro. Esta honra não parece ter trazido a cidade nenhuma sorte, afinal a própria casa do primeiro presidente do Brasil, foi barbaramente restaurada, sem nenhum respeito à sua parte interna, descaracterizando-a por completo. Pior ainda foi a criação do que chamam de “museu” que de forma ingênua tenta preencher os espaços. Na verdade, nunca houve interesse de dotar a cidade de um acervo digno, nem desginar um profissional para administrá-lo. Marechal Deodoro passa pelo descaso do IPHAN, pelo nosso próprio decuido. Houve tempos melhores, em que a cidade foi palco de diversos eventos culturais que valorizava seu patrimônio. Por outro lado, até mesmo a instalação do “Museu de Arte Sacra”, já dava “Status” suficiente a cidade para mostrar a sua importância histórica. Se a Igreja está com o altar em ruínas, é só ver as reportagens antigas da Revista Geográfica, que já estava quase assim, há 20 anos atrás. Agora, simplesmente, acabou. Se Penedo partiu na frente e conquistou seu espaço foi pelo mesmo mérito que a cidade de Marechal Deodoro possui em dobro. É vergonhoso que a história de nosso país, se perca na inanição política da boa vontade cultural. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2" style="margin-left: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;               &lt;/span&gt;Maceió, teve um surgimento diferente, primitivamente a sesmaria concedida a Diogo Soares só veio aparecer, a partir de 1673 quando o Rei de Portugal expediu ao Visconde de Barbacena, uma ordem para assentar defesa e uma vila no território de Maceió. O terreno alagadiço, que teria dado nome a cidade, na língua tupi – Maçayó, já estava nas mãos de Apolinário Fernandes Padilha, que criou a capela de Nossa Senhora dos Prazeres, substituindo a freguesia de São Gonçalo,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;isto já em 1724. Só no ano de 1815, precisamente no dia 5 de dezembro, é que a povoação elevou-se a categoria de vila.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;A emancipação política da província das Alagoas da capitania de Pernambuco, trouxe o seu primeiro governador, Sebastião Francisco de Melo Póvoas, que aqui chegou em 27 de dezembro de 1818, através do porto de Jaraguá. Um porto ainda primitivo, sem nenhuma estrutura mais adequada, serviu como base para o desenvolvimento da povoação de Jaraguá. Por isso desde 1819 se tornou a principal porta de saída das exportações de algodão, açúcar e madeira. Foi o pequeno porto de Jaraguá,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;que fez com que aquele governador implantasse o aparelho fiscal nas suas adjacências, concorrendo para a nucleação urbana e o estabelecimento de firmas britânicas e do comércio local. Foi o franco desenvolvimento do comércio, somado a preferência pelo ancoradouro de Jaraguá, ao invés do Porto dos Franceses, situado mais próximo à capital da província, o que concorreu sobremaneira para a transferência da administração para Maceió. Em 7 de setembro 1870, quando a Ponte foi inaugurada na administração de José Bento da Cunha Figueiredo juntamente com a estrada de ferro, até a cidade de União dos Palmares – antiga Imperatriz, o bairro de Jaraguá estava perfeitamente adequado ao fluxo de desenvolvimento econômico. No início do século já se podia ver diversas companhias de navegação instalada em sua rua principal, como foi o caso da Lloyd Brasileiro, instalada em prédio na antiga Rua da Alfândega – atual Sá e Albuquerque, e outras como: a Cia Pernambucana de Navegação a Vapor, a Cia Paraense da Navegação a Vapor, a Cia Gran Pará de Navegação, a Cia Nacional de Navegação Costeira, a Cia Lage e Frigoríficos, Diques Flutuantes, todas, com sede em Jaraguá.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A navegação estrangeira também já estava presente, com a Hamburg Sudameriks, o agente Brostelmann, a Royal Mail Steam Packet Company, agente Williams &amp;amp; Cia, a Lamport &amp;amp; Hoolt, o agente Pohlmann &amp;amp; Cia e Noredtscher Lloid Bremen, o agente Hans Seeger, com um paquete por mês e única com o escritório no centro da cidade. Enfim pode-se registrar que em 1902 chegaram ao Porto de Jaraguá 1.479 embarcações. Para atender toda esta demanda, foram construídos diversos armazéns – chamados “trapiches”, onde os mais conhecidos, foram: o “Trapiche Novo” e o “Trapiche Faustino”. Este último, teve sua ponte de embarque inaugurada em 1850, permitindo que em 1859, desembarcasse o Imperador Pedro II e D. Tereza Cristina.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Porém é muito importante saber que nesta época exportava-se açúcar, algodão, milho, feijão, arroz, fumo, farinha de mandioca, coco, couro, cigarros, sabão, álcool, frutas, madeiras, sal, tecidos e produtos químicos. Importava-se a farinha de trigo, charque, querosene, bacalhau, fazendas, quinquilharias, vinhos, armas, ferragens, louças, produtos químicos e mecânicos além de objetos de luxo. O apoio à presença de estrangeiros residentes ou de passagem, para atender a exigências legais, passou a ser dado pelas agências consulares de diversos países como: Alemanha, Dinamarca, Bélgica, Inglaterra,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Suécia, Noruega, Cuba, Estados Unidos, França, Espanha, Países Baixos, Itália e Portugal. Somente o último ficava localizado na Rua do Comércio. Toda esta movimentação fez com que a Associação Comercial de Maceió, já com sua sede em Jaraguá na Rua da Alfândega, 105 pleiteasse a ampliação da rede bancária, o que ocorreu em seguida com a abertura de agências do Banco de Pernambuco, Banco do Recife, Banco Emissor da Bahia, Caixa Comercial, Caixa de Montepio dos Servidores do Estado, Caixa Econômica, o Banco de Londres, Banco do Brasil e outros. Enfim o Bairro de Jaraguá serviu de esteio ao desenvolvimento econômico do Estado. Razão pela qual o seu desenvolvimento urbano, está pontilhado de inserções ecléticas, que convivem pacificamente com armazéns austeros, de portas altas e de decoração ligeira. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Hoje, em meio ao sítio histórico e revitalizado, está a&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Associação Comercial de Maceió, nos seus gloriosos 137 anos de existência, habitando desde 1928 no imponente prédio em estilo Neoclássico, cuja a entrada se torna mais soberba pela dimensão do seu frontão decorado com uma alegoria dedicada ao Comércio. A suntuosidade, desse pórtico monumental, se faz através do apoio são quatro, possantes colunas em estilo coríntio, que deixam à mostra as três portas principais, arqueadas, ricamente decoradas, tanto na madeira quanto nos complementos em ferro, permitindo o acesso ao hall de entrada. A partir daí contempla-se a magnitude do grande salão, onde cada espaço, cada porta e janela se harmoniza num ritmo próprio e formal do estilo. As duas escadarias laterais, com corrimão de balaústres contínuos leva o visitante ao terceiro pavimento onde ficam o auditório e o Salão Nobre, com sua mobília da mesma época. O edifício tem três mil metros quadrados de área construída, dividido em três pavimentos, onde o térreo serve apenas de &lt;i style=""&gt;plateau&lt;/i&gt; para realçar toda a estrutura.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;E foi assim que o final do século XIX plantou a semente que germinou durante as três primeiras décadas&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;da República, que hoje nos motiva a conhecer melhor este período. Infelizmente, os novos tempos se encarregaram de comandar a destruição de boa parte desse patrimônio. A ordem de verticalizar o mundo, como símbolo da modernidade, substituiu a paisagem urbana. Belas fachadas, com ornamentos e decoração fausta, foi substiuída por tapumes de metal em benefício da mídia. Ao invés da uniformidade arquitetônica, ainda presente em cidades da Europa, hoje, apenas uma fantasiosa exibição de letreiros de propaganda.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É impossível fazer comparações entre a nova e a velha paisagem urbana das grandes cidades brasileiras. Suas modificações não aconteceram simplesmente por uma nova ordem econômica. A maioria das cidades perdeu, parte da sua arquitetura civil, por mera especulação imobiliária. Palacetes e mansões foram derrubados, mais rapidamente, pela expectativa de uma lei de preservação ou coisa parecida. Muitos terrenos apareciam no meio da cidade, virava monturo, à espera de uma boa oferta. Depois surgiam edifícios cujo perfil arquitetônico era apenas funcional. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O aproximar do século XXI trouxe uma sensação de perda. Contemplou-se o estrago pelas fotografias antigas ou pelos postais. Era tarde demais. A urbanidade havia semeado vergalhões e concreto por toda parte. A cidade agora era quente, abafada, sufocada por trás de uma muralha. Foi então, que a nova tendência arquitetônica dos anos 80, começou a chamar de pós-modernismo uma onda de &lt;i style=""&gt;revival &lt;/i&gt;que assolou o país inteiro. Todo mundo passou a inspirar-se no mesmo historicismo embolorado do início do século XX. O neoclassicismo passou a ser uma pálida lembrança, representada por colunas grotescas, fachadas de frontões bisonhos ornados por invencionismos funestos. Como se isto pudesse reparar as perdas. Não adiantava mais marmorizar paredes, imitar estuques, pátinas, pinturas decorativas, &lt;i style=""&gt;trompe l’oeil&lt;/i&gt;, forrar paredes com papeis românticos, voltar aos ornamentos internos de cornijas e florões, que tudo era falso. A arquitetura havia perdido a sua referência terrena e sonhava com os tempos de antanho, buscando um falso historicismo de retórica para justificar as transposições malogradas. No meio de tudo isso, a arte se perdeu ainda mais da sua função e divagou, escorada nos bons alicerces de um&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;passado menos remoto.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Hoje, as chamadas “ruas do comércio”, perderam seu charme, tornaram-se sucateadas, ficaram apinhadas de gente, vendendo de tudo para sobreviver. Por mais barato que ainda possa parecer, tem gente com horror de ser vista no centro da cidade. O cenário capitalista do mundo contemporâneo trouxe o mesmo pendor de imitar ruas e lojas chiques, manter grifes internacionais. A cara européia do Brasil, agora é bem mais americana, principalmente novaiorquina. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Trocando em miúdos, rever a evolução da paisagem urbana entre os séculos XIX e XX é, acima de tudo, ter a certeza de que o mundo contemporâneo continuará no mesmo processo de substituição de valores, sempre em benefício do que se convencionou chamar de modernidade. Afinal o mundo globalizado visto pela internet, ficou tão perto, perdeu fronteiras que a cara do século XXI com certeza não será a mais elegante, nem a mais cosmopolita, poderá até mesmo ter o olho apertado e a carapinha estirada, cortada em franja.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;E, com certeza esta mesma história será contada no futuro, através das obras remanescentes, deste presente &lt;/span&gt;que ora vivemos.&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/425705622748118051-5408895515273959287?l=resmungosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/feeds/5408895515273959287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=425705622748118051&amp;postID=5408895515273959287' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/5408895515273959287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/5408895515273959287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/2008/02/1900-cara-europia-do-brasil-benedito.html' title='1900 - A CARA EUROPÉIA DO BRASIL'/><author><name>Benedito Ramos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11261507968685590861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_j5bc7KIKJhE/R7YZCRX4SBI/AAAAAAAAAEs/Ltf--UXEV9E/s72-c/victoria1ere.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-425705622748118051.post-5800798235605343620</id><published>2008-02-14T10:28:00.000-08:00</published><updated>2008-02-14T10:30:52.051-08:00</updated><title type='text'>O ELOGIO DA MENTIRA - Benedito Ramos</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;As relações do homem com a mentira começam na infância, quando a criança é obrigada, a receber informações, muitas vezes bizarras, a respeito de religião e sexo. É quando a mentira parece ter uma função educativa. O adulto usa a metáfora para fazer analogia com realidade. A criança não entende metáforas. A pedra tem que ser pedra e água apenas água. Portanto, inventar um nome exótico como “florzinha” e “piu-piu” para se referir aos seus órgãos genitais é uma afronta a sua inteligência. Pensa-se, erradamente, que a criança não é capaz de compreender a mentira e aceitá-la até por sua própria conveniência. E um exemplo disso é o Papai Noel, que existe mesmo na sua tangível desconfiança. Mas, ao contrário do que se imagina, ela sabe quando o adulto mente. E&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;também é capaz de fazê-lo com a mesma arte. Ouvi recentemente de um Senhor que seu neto de dois anos o levava até a geladeira e pedia para ele abrir. Quando ele abria, dizia que queria ver o “Danoninho”. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Apenas “ver”. O avô mostrava. Depois ele pedia para ver dentro do “Danoninho”. O avô abria. Então ele pegava a colher e dizia que iria experimentar, só para ver. Logo que sua mãe o via comendo fora de hora, brigava com ele. Era então que ele dizia: “- Foi o vovô que deu”. O avô relatava, rindo, a malandragem do garoto, mas, sobretudo a sua inteligência em persuadi-lo a fazer algo errado por ele e com a mesma esperteza &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;isentar-se da culpa e da penalidade.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText2"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-style: normal;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A Bíblia diz que no Jardim do Éden,&lt;/span&gt; “&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Ordenou o Senhor Deus ao homem dizendo: De toda árvore do Jardim comerás livremente, mas da árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, dela não comerás, pois no dia em que comeres certamente morrerás&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;. Gen 2.16-17&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-style: normal;"&gt; A história desta metáfora é muito parecida, com a advertência hodierna à criança, sobre a ingestão de produtos tóxicos ou venenosos. Ela só entenderá, se souber o real sentido da morte. Caso contrário haverá sempre espaço para a “desconfiança”, que segundo Thomas Hobbes é uma das três causas da “discórdia”. Portanto se a verdade não for integralmente constituída ela será passível de desconfiança e transformada em uma mentira. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Diz Maquiavel n’O Príncipe, capítulo XVIII-4 que: “Não quero silenciar um exemplo moderno: o de Alexandre VI, que em sua vida só fez enganar os homens. Nunca pensou em outra coisa, e encontrou sempre oportunidade para isso. Ninguém jamais afirmou com tanta convicção – e prometendo tanto vigor cumprir tão pouco o prometido. Contudo, sempre se beneficiou com a mentira, pois conhecia bem esta arte.” &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Alexandre VI era pai de Lucrecia Bórgia que apesar de ter morrido aos 39 anos, de um parto mal sucedido, até como uma mulher virtuosa. No entanto, virou uma lenda como uma mulher fatal, capaz de envenenar os homens, apenas com um toque de seu anel em copo de bebida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText2"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-style: normal;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;A famosa frase: “O Brasil não é um país sério”, foi durante muito tempo atribuída integralmente a Charles de Gaulle, na década de 1960. No entanto, dizem que ele apenas teria dito: “O Brasil não é um país”. Ora, entre “não ser um país” e “ não ser sério” , o fato é que o Brasil parece “não existir” como “nação” nem como um “estado”. E o que diz a própria frase, super conhecida e nem se sabe com precisão a quem atribuir. A falta de seriedade não fica só patente no descaso de uma frase ofensiva de autoria incerta, mas nos estereótipos que foram se acumulando através de jargões como: “o jeitinho brasileiro”, “aqui tudo acaba em pizza”&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;e outros tantos. É um país onde o próprio povo não lhe dá fé. Onde a ideologia ganha forma de campanha na mídia, tentando resgatar uma cultura, que nunca foi adquirida desde os primórdios de sua civilização. É o caso do governo brasileiro usar o Sr. Francisco para “dar exemplo”. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Uma proposta infeliz para uma sociedade que não conhece a ética. E esse “exemplo” nunca virá verticalmente, haja vista que o tão falado “exercício da democracia” também sugere ao seu povo os mesmos direitos, sejam para o bem ou para o mal. Em conseqüência cada um se sente protegido pela impunidade de outrem. Se não há penalidade não há crime. Se o governo faz, por que eu não posso fazer?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText2"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-style: normal;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Vivemos um momento ímpar na história de nossa sociedade. Nunca a prevaricação ganhou ramificações tão amplas. Algo muito além das licitações de fachadas, e do tráfico de influência. Um “rasgar de véu” na pior das comparações entre o sagrado, representado pelo estado e o profano, pela sociedade. Especialmente, em um governo, sobretudo, advindo de um partido com a história do Partido dos Trabalhadores. Por isso o ruir deste dogma de integridade é como o desnudar de um véu sagrado. É a própria face da mentira &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;que prosperou de tal forma que a confiança já não consegue sobreviver. Perguntamos ao leitor, até que ponto ocultar a verdade não é mentir? Até que ponto disfarçá-la em uma bela retórica não é compactuar? Por que a verdade assusta mais que a mentira? Por que as pessoas se protegem contra a verdade através de um hábeas corpus e se entregam tão espontaneamente à mentira? Não seria porque a mentira tem correção e a verdade é única? Ninguém corrige uma verdade com uma mentira. Por isso é que a mentira precisa ser orientada, planejada, articulada amplamente entre seus parceiros para ser lançada como uma “verdade”. O que se conclui que a mentira nunca assume a sua própria face e está sempre disfarçada. Finalmente, nos perguntamos: até que ponto o exercício profissional permite ao advogado o direito de conhecer a verdade e legitimar a mentira? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText2"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-style: normal;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Não dá para esquecer o velho Santo Agostinho, na sua obra máxima: “Cidade de Deus”, quando resume a imoralidade política e administrativa como causa da queda do Império Romano, em uma única frase curta e afiada: “Sem a prática da justiça, que é o Estado, senão um bando de ladrões? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/425705622748118051-5800798235605343620?l=resmungosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/feeds/5800798235605343620/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=425705622748118051&amp;postID=5800798235605343620' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/5800798235605343620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/5800798235605343620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/2008/02/o-elogio-da-mentira-benedito-ramos.html' title='O ELOGIO DA MENTIRA - Benedito Ramos'/><author><name>Benedito Ramos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11261507968685590861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-425705622748118051.post-172314520744237300</id><published>2008-02-14T08:09:00.001-08:00</published><updated>2008-12-09T15:52:34.784-08:00</updated><title type='text'>LEONARDO DA VINCI – A VERDADE E O MITO - Benedito Ramos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_j5bc7KIKJhE/R7RqxBX4SAI/AAAAAAAAAEk/RkNmdofbRIA/s1600-h/s%C3%B3_um_cego_n%C3%A3o_v%C3%AA.GIF"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_j5bc7KIKJhE/R7RqxBX4SAI/AAAAAAAAAEk/RkNmdofbRIA/s320/s%C3%B3_um_cego_n%C3%A3o_v%C3%AA.GIF" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5166872062915528706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Quando em 1974, publiquei o opúsculo “Mona Lisa - Um Auto-Retrato de Leonardo da Vinci”, lembro que a jornalista Ana Luiza Loureiro, ainda sugeriu: - Você devia usar um título assim: “A Mona Lisa é Leonardo”. Achei interessante, mas não aceitei a idéia, não queria que o livro fosse algo sensacionalista, mas um texto sério, uma pesquisa. Era um dos meus primeiros trabalhos, coisa ainda muito tímida, mas que daria um rumo diferente a minha vida. Nunca mais deixei de pesquisar sobre Da Vinci. Aquela obra inicial havia sido feita com uma imensa ajuda de Heliônia Ceres, a quem havia conhecido através de Denise Barbosa, da Ematur. A amizade com a escritora cresceu a medida em que trocávamos informações e dialogávamos por horas a fio &lt;st1:personname productid="em italiano. Era" st="on"&gt;&lt;st1:personname productid="em italiano. Era" st="on"&gt;em  italiano. Era&lt;/st1:personname&gt;&lt;/st1:personname&gt; perfeito! Ela, professora de Italiano, na UFAL, eu, louco para ir a Itália. Quando o livro foi, finalmente lançado, no auditório da Academia Alagoana de Letras, eu, com meus 23 anos de idade, sentia uma certa falta de ar, na presença de tantas pessoas que já considerava ilustres. A começar pelo próprio presidente: Dr. José Maria de Melo, com seu discurso solene em um sotaque tão conterrâneo, depois, Anilda e Carlos Moliterno, que sempre me trataram com muito carinho. O auditório estava repleto, a começar por Solange Lages, Guiomar Alcides de Castro, Vicente Novais de Castro, Durval Normande, Heloisa Ramos, Rosivan Wanderley, entre outros que não lembro agora. Isto, somado a uma porção de amigos do Banco, antigas professoras e minha família. Era algo inusitado para o bancário que queria ser escritor. O livro havia sido patrocinado pelo Ricardo, da Cristalvidro e embora fosse uma edição pequena, eu não podia pagar. Mas foi a imprensa que mais colaborou na sua divulgação. Sobretudo, porque o assunto tinha o seu aspecto sensacionalista, mesmo que eu não quisesse. Cheguei a aparecer, pela primeira vez, na televisão, e isto era raro, sobretudo, em um programa de auditório, comandado por Luiz Total e entrevistado por Solange Lages, no “Momento Cultural”, numa tarde de sábado. Maceió inteira viu. E isto foi o bastante para que o Diretor do Jornal de Alagoas, o jornalista Noaldo Dantas, me convidasse para manter uma coluna de “Artes Plásticas”. Pronto. Nunca mais parei. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Chega a ser engraçada esta minha relação com Leonardo da Vinci. Durante muito tempo, as pessoas apontavam para mim como: “o cara que disse que a Mona Lisa era um homem”. E posso garantir que nenhum livro meu teve tanta popularidade como aquele pequeno opúsculo sobre Da Vinci. Isto, certamente, concorreu para nunca abandonar o tema, mesmo quando passei a me dedicar aos contos e romances. Não posso negar que foi esta mesma força que me fez atravessar o Atlântico e passar um mês na Itália fuçando história e arte. Não resisti de ver a aldeia de Vinci, ao passar por Empoli diante de um outdoor enorme sobre o Mestre. Fiquei até o final do expediente no Castelo Sforzesco, em Milão, olhando cada canto, imaginando sua presença. Da mesma forma como fui surpreendido no bairro do “naviglio” onde havia um canal, semelhante ao “salgadinho”. Vendo que o leito estava seco e havia pessoas varrendo perguntei a respeito, achando que alguém falaria de uma obra da prefeitura. Para minha admiração, a pessoa respondeu: - Isto ainda é obra de Leonardo da Vinci.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O fato é que descobri mais tarde que popular mesmo, não era eu, nem meu livrinho. Era Da Vinci e sua Mona Lisa. Parecia sem lógica, mas aquela obra clássica, da pintura renascentista italiana, era mais conhecida no Brasil do que a abertura do Guarani, de Carlos Gomes, que apesar de tocar na hora do Brasil, todas a noites poucos sabiam o que era. Ao contrário, Mona Lisa era um ícone, que muita gente tinha até na parede de sua casa, como se fosse Santa Bárbara ou Santa Catarina, que até pareciam. Era interessante, que pessoas simples gostassem do quadro. Muitos sabiam até que era de Da Vinci, porque este artista era tão popular como Rui Barbosa, que foi para a Inglaterra ensinar Inglês. E, meu pai ainda complementava: - Ele teve o disparate de colocar uma placa “Ensina-se Inglês para Inglês”. Leonardo não é apenas um artista ou o autor de Mona Lisa, é um cientista capaz de fazer de tudo. E isto era cultura de almanaque, um livrinho popular desde o início do século 20. Por isso o mundo inteiro sabia quem era. O escândalo era dizer que Mona Lisa era o próprio artista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Foi justamente por este caminho que segui. O artista e sua obra haviam se tornado um mito que, a cada dia crescia e continua a crescer a medida em que a literatura a respeito do assunto aumenta. O homem Leonardo, este, só poderia ser conhecido através de uma filtragem de todo o deslumbramento que domina os historiadores. Um deslumbramento que parece nascer em seu principal biógrafo: Giorgio Vasari. Um artista, até certo ponto medíocre, embora um grande arquiteto, que se tornou mais conhecido por tomar o lugar do historiador Paolo Giovio na principal tarefa de escrever inúmeras biografias para a coleção de arte do Cardeal Farnese, aquele que era irmão de Giulia, amante do Papa Alexandre VI, que morreu envenenado – o pai de César e Lucrecia Bórgia. Quando Leonardo morreu Vasari tinha apenas oito anos. Este menino cresceu ouvindo o anedotário florentino sobre da Vinci e suas arengas com Micchelangelo, o autor do Davi e dos afrescos da Capela Sistina. Foi ele que mais tarde veio a preencher as paredes do Palazzo Vecchio, com a Batalha de Anghiari, para substituir as manchas deixadas pelo fracasso destes dois artistas, que Florença maldosamente confrontou para pintar o mesmo tema. Razão pela qual se apegou ao trabalho de biógrafo com tanto afinco. Percorreu a Itália inteira em busca de informações. Foi procurar Francesco Melzi, seu principal herdeiro, talvez Salai, Boltrafio e outros de seus discípulos. E ficou, certamente, encantado por suas obras, a ponto de comprar alguns esboços e talvez o auto-retrato da Biblioteca Real de Turim. E foi definitivamente de Vasari a versão que chegou até os nossos dias de que o retrato daquela dama de manto negro era o de Mona Lisa Gheraldini Del Giocondo, a esposa de um rico florentino que encomendou o quadro a Da Vinci e pelo prazo de três anos, ele teve que distrair a modelo com música e canto, pela sua instabilidade emocional. E isto é apenas o começo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Em 1550 Vasari publica o livro, que o faria mais famoso do que o seu ofício de arquiteto e pintor: Le Vite, ou, melhor “As Vidas dos grandes arquitetos, pintores e escultores italianos.” Notadamente, nenhum outro artista entre os tantos que abordou lhe renderia tanta reverência quanto o de Lionardo da Vinci, escrito à maneira toscana. Sobretudo, pelo fato de ter registrado um nome, que nem mesmo aparece nos escritos do pintor: o de Mona, que é o diminutivo de Madona, que quer dizer Senhora, Lisa Gheraldini del Giocondo. Mais ainda, para alguém que anotava, diariamente a mínima despesa doméstica, nem sequer mencionar o nome do marido desta beldade, um rico florentino chamado Francesco Bartolomeu di Zanobio Del Giocondo. Afinal, este cidadão havia lhe entregue parte do pagamento para pintar o retrato de sua mulher. E por três anos ainda ficou esperando, sem cobrar, sem reclamar na justiça, deixando que Leonardo, já no final de sua vida levasse o quadro para a França e morresse no Castelo de Amboise, deixando-o com o Delfim, Francisco I. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Para Vasari isto era apenas um detalhe sem importância, afinal o próprio nascimento de Lionardo era algo “verdadeiramente admirável e celestial...” Este artista teria sido um menino prodígio, com grande proveito em aritmética e que teria ido para o atelier de Mestre Verrocchio, onde viria a pintar o anjo do seu “Batismo de Jesus”, bem mais perfeito do que o de seu mestre, fazendo-o abandonar a arte. Esta versão de Vasari passou a história de forma tradicional e aceita a ponto de durante mais de quatrocentos anos ninguém contestá-la. O fascínio exercido pelo pequeno quadro de 57 x &lt;st1:metricconverter productid="43 centímetro" st="on"&gt;&lt;st1:metricconverter productid="43 centímetro" st="on"&gt;43 centímetro&lt;/st1:metricconverter&gt;&lt;/st1:metricconverter&gt; o fez a principal atração do Museu do Louvre, &lt;st1:personname productid="em Paris. As" st="on"&gt;&lt;st1:personname productid="em Paris. As" st="on"&gt;em Paris. As&lt;/st1:personname&gt;&lt;/st1:personname&gt; demais obras, assim como seus escritos e desenhos tiveram diversos destinos e se espalharam pela Europa, desde a Itália até a Inglaterra. O último deles, o Códice Atlântico, foi na verdade, a herança de Francesco Melzi, após a morte do mestre. Melzi durante sua vida tentou colecionar os desenhos em um grande livro, terminando por colar um sobre outro, quase danificando toda a coleção. No início do século 20 o livro foi achado, na Biblioteca Ambrosiana e começou a ser restaurado. Por coincidência um dos restauradores, foi um jovem seminarista chamado Giovanni Batista Montinni, que viria a ser o futuro Papa Paulo VI. O livro foi publicado, sendo vendido por uma verdadeira fortuna, na década de 1980. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Com o tempo, alguns historiadores e críticos começaram a duvidar que a Gioconda fosse mesmo uma mulher e chegavam a dizer que se tratava de um jovem travestido. Destes que freqüentavam as oficinas dos artistas no renascimento. Este período, chamado pela história como início da Idade Moderna, o homem, sobretudo o italiano, reconheceu que a Idade Média teria sido um atraso para o curso da história. Uma história feita de glória, ciência e arte e que teria sido ofuscada por mil anos de escuridão. Por isso que o período não representava apenas uma mera transposição do historicismo clássico, mas a renovação de sua essência. Daí o retorno ao gosto pagão, onde a nudez e a deificação de heróis italianos passavam por uma leitura do classicismo greco-romano, fosse na pintura, na escultura ou na arquitetura. Motivo para que jovens como Giacoppo Saltarelli, servissem de modelo para imagens de Vênus e circulassem entre estes artistas, a ponto de Leonardo ter sido acusado em 1476 de manter relações homossexuais, junto com outros artistas, no atelier de Verrocchio. O assunto chegou às barras dos tribunais, até que finalmente, o artista foi inocentado, ou pelo menos a queixa foi retirada. É possível, que a posição de tabelião de seu Pai, Ser Piero da Vinci, tenha influenciado nesta decisão. Embora este não tenha procurado o filho bastardo, nascido em 15 de abril de 1452, que teve em sua juventude com a jovem Caterina, depois, casada com Antônio d’Accatabriga. Para Leonardo foi um dos momentos mais difíceis de sua vida. Ficou só e teve apenas o apoio de seu tio Francesco com quem conviveu durante a infância e adolescência.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Sobre este tema, a homossexualidade de Leonardo, Freud dedicou um opúsculo, mais conhecido pelo seu título em francês: &lt;i style=""&gt;Un souvenir d’infance.&lt;/i&gt; A obra focaliza uma visão contada por Leonardo sobre a figura de um abutre que colocava a cauda em sua boca, quando criança. Freud a partir desta imagem levanta a possibilidade de se tratar de uma felação, referindo-se a cauda do pássaro como um órgão sexual masculino. Estudei esta possibilidade de Leonardo ter sofrido abuso sexual na infância. Foi quando me veio a figura de seu tio Francesco, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;dez anos mais jovem que seu pai Ser Piero da Vinci. Com apenas 16 anos quando Leonardo nasceu, teria provavelmente 20 ou 22 anos, naquela época. Seus dados biográficos, extraídos do site “I Nostri Avi” – Leggi argomento – Genealogia dei da Vinci. http// &lt;a href="http://www.iagiforum.info/viewtopic.php?t=931"&gt;www.iagiforum.info/viewtopic.php?t=931&lt;/a&gt;, diz que “não tinha profissão, vivia da renda e do poder da família, morreu sem filhos e deixou a pequena propriedade denominada – Il Broto para Leonardo”. E complementa que isto foi questionado pelos irmãos de Leonardo em 1507. Foi o tio Francesco que escreveu nos cadernos de Da Vinci, justamente no período em que foi acusado de sodomia: “Lionardo, mio Lionardo por que esta dor?”. E, realmente, naquele momento em que o artista mais precisou de apoio não contou com ninguém mais de sua família. Seu pai, poderoso tabelião não pensou duas vezes em ignorar o caso. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mas há um detalhe onde há unanimidade entre os historiadores: sobre a beleza do jovem Leonardo. O próprio Paolo Giovio, historiador e biografo italiano (1483-1552) deixou escrito: “Leonardo tinha o rosto mais belo do mundo”. E isto se devia ao fato de sua alta estatura, grande compleição muscular, cabelos encaracolados e mãos delicadas como a de uma mulher. Pior ainda é que a despeito de ser um homem enorme, tinha uma voz excessivamente aguda, como a de um cantor eunuco. Bem mais admirável é saber que tinha uma força, fora do comum, a ponto de dobrar barras de ferro, como conta a tradição florentina a respeito do péssimo relacionamento entre ele e Micchelangelo. A história relata que havia uma grande pedra de mármore em frente a Piazza della Signoria. Em uma ocasião teria passado Micchelangelo, que vendo Leonardo, na época, em idade já avançada, prometeu resgatar a pedra que lhe havia sido doada, alegando que este não teria condições de fazer uma escultura. Em resposta o artista teria dobrado uma barra de ferro da praça. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Por outro lado, ainda abordando sobre a figura de negro que Vasari chamou de Mona Lisa é preciso fazer uma observação sobre moda e costumes da época, para perceber certas distorções. Primeiro, Lisa tem sobrancelhas raspadas. Na época era moda mantê-las ao natural. Segundo, ela possui ombros largos e mãos grandes, dedos grossos e pouco delicados. É só comparar com “A Dama com Arminho” ou com “A Madona Del Garofano”. Terceiro, vestida de negro está muito mais para uma viúva do que para uma senhora casada, cujo marido deseja o seu retrato. E, finalmente o seu sorriso. Um sorriso que não foi pintado propositadamente apenas &lt;st1:personname productid="em Mona Lisa" st="on"&gt;em  Mona Lisa&lt;/st1:personname&gt;, mais repetido em quadros como: “João Batista”, “Baco”, “Santana a Virgem e o Menino” e no anjo de “A Virgem dos Rochedos”. Razão pela qual os historiadores passaram a chamar de “sorriso leonardesco”. Isto quer dizer que, ou esta Lisa que, segundo Vasari, passara três longos anos pousando para Leonardo, influenciou os demais quadros, ou, quem sabe, ela nunca existiu. Coincidência maior é que os quadros “Mona Lisa”, “Santana” e “João Batista”, foram para a França com Leonardo, ali ficaram após a sua morte, e hoje estão no Louvre. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Quais seriam as razões para que Leonardo da Vinci pintasse seu retrato como o de uma mulher? Esta é uma resposta que o leitor terá a medida em que tentar entender esta personalidade estranha do pintor florentino. A começar pela sua infância, separado da mãe ainda cedo trazido para a casa do avô, dividindo esta relação com outros parentes, inclusive o seu tio Francesco, que se sabe muito pouco. Talvez, divagando por esta paisagem interna tenha Freud obtido os elementos psicológicos necessários para escrever o seu livro: “Uma Recordação de Infância”, onde aborda a personalidade do menino Da Vinci. Este menino que costumava dissecar animais e colecionar insetos em seu próprio quarto, pinta pela primeira vez, uma redoma de madeira e impressiona o pai, a ponto de colocá-lo na oficina de um dos mais famosos artistas e ourives da época: Andréa del Verrocchio. É de lá que sai o futuro pintor que já em 1472 fazia parte da Guilda dos Pintores de Florença, junto com Perugino e Botticelli. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Morando em Florença, cercado pela efervescência cultural da república, assistindo as disputas entre Borgias e Medicis ou em meio aos apocalípticos sermões de Girolamo Savonarola, Leonardo dividia seu espírito criador com a pesquisa científica à luz das letras que pode obter na infância. Nunca freqüentou nenhuma universidade, apenas aprendeu os rudimentos de gramática e aritmética. Não falava o latim em uma época onde os italianos se orgulhavam de sua fluência a ponto de tratarem-se mutuamente de: “nós os latinos”. Diz Kenneth Clark, que Leonardo tinha a escrita de uma criada. Mas isto não o impedia de estudar anatomia, mesmo que para isto, tivesse que subornar empregados do Hospital, para ter acesso ao necrotério. Pior ainda era seguir os sentenciados ao local de tortura para desenhar os seus espasmos de dor. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Em seu atelier alojou alguns discípulos entre eles Giovanni Beltrafio de quem Dimitri Meirekovski no seu famoso livro: “O Romance de Leonardo da Vinci”, transcreve parte de seu diário. Era um jovem dividido entre a vocação para o monastério e a companhia do mestre a quem platonicamente tanto amava. Vivia para observá-lo e o descrevia como um semideus. Ficava enciumado com a forma como Leonardo tratava o menino Salai, o Andréa Salaino, que quase todos os dias causava-lhe desgosto e prejuízos financeiros. Mesmo assim o tratava como a um filho. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Chegou a anotar em seu “Tratado da Pintura”: “Artista, a tua força está na solidão, se divides o teu tempo com um único companheiro, não estás só.” E Leonardo era um solitário. Ficava por muitas horas sentado em sua mesa anotando suas idéias como um filósofo. Escrevia de trás para frente, impedindo com isso que as pessoas facilmente entendessem o que estava escrito. Por que fazia isto? Será que escondia alguma coisa? Será que tinha medo do seu próprio tempo? É impossível imaginar que numa época onde Galileu Galilei teve que negar seus conhecimentos e Giordano Bruno foi queimado, Leonardo não temesse ser confundido com um bruxo por desenhar asa delta, helicóptero ou bicicleta. Ou, quem sabe não quisesse que sua ortografia fosse observada por estranhos. Afinal, a sua figura delineada em um figurino requintado, somada a sua elegância e certa arrogância natural causava impacto. Artistas como Micchelangelo andavam sempre sujos e suados. Florença vivia muito de aparência. O dinheiro corria frouxo pela força das tecelagens, ourivessaria e dos bancos enquanto a política dominava as relações onde o tráfico de influência representava poder. Maquiavel sabia muito bem disse a ponto de se bandear de um lado a outro seguindo seus príncipes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Era neste cenário que o filho de Ser Piero da Vinci encontrou suas primeiras encomendas. Obras de sua juventude como a “Anunciação” ou o “Retrato de Ginevra Benci”, onde se vê claramente o espírito renascentista que se preocupava bem mais com a paisagem, a urbe e os detalhes decorativos da arquitetura palaciana. Figuras tênues de expressão ingênua sem o efeito sensual do sorriso que, no final de sua vida eternizaria. A anunciação é uma destas obras, mornas de expressão que se define pela delicadeza do desenho e pela palidez crepuscular das cores. Cada espaço do quadro é tratado como um inteiro, permitindo ao observador enxergar detalhes em uma paisagem que se esmaece em toda a sua sutileza. Ginevra Benci é um retrato encomendado onde a figura da mulher é propositalmente feia, com lábios estreitos e tez doentia. É este Leonardo que logo desgasta a sua imagem em Florença, pela falta de cumprimento dos prazos de entrega. Ou melhor, pela sua dispersão em começar um trabalho e logo abandoná-lo para iniciar outro. Foi o caso da “Adoração dos Magos” para o Convento de San Donato, em 1481. O quadro nunca foi terminado. Enquanto isto, artistas como Boticelli, Perugino, Piero de Cósimo, Signorelli, Pinturicchio, Cosimo Rosselli e Ghirlandaio partem para Roma a convite do Papa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Aos trinta anos Leonardo vê sua vida desmoronar em Florença, a medida em que recebe menos encomenda e se torna mais esquecido. Começa a pensar em ir para Milão onde ofereceria os seus ofícios a Ludovico Sforza – o Mouro. Mas não poderia apresentar-se ao Duque apenas como um pintor. Afinal Ludovico era um homem de armas por isso teria que se esforçar para mostrar suas habilidades como engenheiro militar. Esta carta pedindo emprego é uma patética imagem de um homem que acreditava que podia fazer tudo. É o que vamos ver no próximo capítulo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;A ida para Milão era uma aventura, que o temperamento davinciano trocaria facilmente, pela comodidade de sua oficina &lt;st1:personname productid="em Florença. Sua" st="on"&gt;em Florença. Sua&lt;/st1:personname&gt; quietude, seu silêncio eram por demais preciosos para fazer seu espírito alçar vôo na imaginação. Era um visionário, não um cientista, como a história o descreve. Seu mundo era atemporal. Por isso ninguém conseguia entendê-lo. Estava além dos muros de Florença, muito além do seu tempo. Um tempo curto apressado que o impedia de fazer o que mais gostava: pensar, pensar e pensar. No entanto, era necessário deixar que a cidade se esquecesse um pouco de sua imagem indo e vindo pela Piazza della Signoria observando as pessoas com seu inseparável caderno de anotações. Mas Milão precisaria menos de um artista, e ainda menos de um músico tocando um alaúde de prata, com formato de cabeça de cavalo. O que o obrigava a expor bem mais o seu ecletismo. Era preciso ser um engenheiro militar. E podia ser. Sabia que podia. Tinha certeza que mesmo sem ter experimentado nenhum daqueles instrumentos, podia construí-los. Era talvez um louco. Só um louco escreveria tal carta. Eis o teor:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;“Ilustríssimo Senhor, tendo, a partir do momento atual, considerando suficientemente as experiências daqueles que se têm na conta de grandes inventores de máquinas de guerra, verificando que as ditas maquinas em nada diferem das que são comumente empregadas, esforçar-me-ei, sem querer prejudicar ninguém em revelar meus segredos a vossa Excelência, a quem ofereço executar, conforme lhe for conveniente, todas as coisa brevemente anotadas abaixo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 45pt; text-align: justify; text-indent: -18pt;"&gt;1. Possuo um modelo de pontes muito sólidas e leves, de transportes extremamente fácil, graças ao qual vós(sic) podereis perseguir o inimigo e, se necessário, dele fugir; e outras, robustas, e que resistem ao fogo como aos assalto, fáceis de colocar e de retirar. Conheço também os meios de queimar e de destruir as do inimigo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 45pt; text-align: justify; text-indent: -18pt;"&gt;2. Sei, quando de um cerco, como secar a água dos fossos e construir uma infinidade de pontes, aríetes, escadas e escalas e outras maquinas destinadas a tal tipo de empresa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 45pt; text-align: justify; text-indent: -18pt;"&gt;3. Item, se por motivo da altura dos parapeitos, da força do lugar ou da sua posição, fosse impossível subjugar tal lugar pelo bombardeio, conheço métodos para destruir qualquer cidadela ou fortaleza não construída sobre a rocha etc.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 45pt; text-align: justify; text-indent: -18pt;"&gt;4. Possuo ainda modelos de morteiros muito práticos e de fácil transporte, com os quais eu posso enviar montões de pedras pequenas quase como se chovesse; cuja fumaça mergulhará o inimigo no terror, para seu grande prejuízo e confusão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 45pt; text-align: justify; text-indent: -18pt;"&gt;9. E se o combate deve ser no Mar, possuo numerosas máquinas muito eficazes tanto para o ataque quanto para a defesa e navios que resistem ao fogo dos maiores canhões, à pólvora e à fumaça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 45pt; text-align: justify; text-indent: -18pt;"&gt;5. Item. Sei mediante caminho subterrâneos tortuosos e secretos, cavados sem ruídos, atingir um lugar que se quiser alcançar, mesmo se fosse necessário passar por baixo de um fosso é de um rio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 45pt; text-align: justify; text-indent: -18pt;"&gt;6. Item. Farei carros cobertos, seguros e indestrutíveis, que, penetrando as fileiras inimigas com sua artilharia, destruirão a mais poderosa das tropas; a infantaria poderia segui-los sem encontrar obstáculos nem sofrer danos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 45pt; text-align: justify; text-indent: -18pt;"&gt;7. Item. Em caso de necessidade, farei grandes bombardas, morteiros e instrumentos de fogo de formas belas e úteis , diferentes daqueles que são utilizados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 45pt; text-align: justify; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;i&gt;8. &lt;/i&gt;Onde fracassaria um bombardeiro, eu farei catapultas, máquinas para lançar pedras e dardos, &lt;b&gt;&lt;i&gt;trabocchi &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;e outras máquinas inusitadas e de uma maravilhosa eficácia. Em resumo, segundo o caso, posso inventar infinitas máquinas para o ataque como para a defesa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 45pt; text-align: justify; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;i&gt;9. &lt;/i&gt;(sic). Em tempo de paz, eu acredito poder dar satisfação perfeita e igualar quem quer que seja em matéria de arquitetura, na composição de edifício público ou privado, e para levar água de um lugar para outro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 9pt; text-align: justify;"&gt;Item. Posso executar esculturas em mármore, bronze ou terra; e em pintura fazer seja qual for a obra tão bem quanto um outro quer que ele seja.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 9pt; text-align: justify;"&gt;Alem disso, o cavalo de bronze poderia igualmente ser executado, que será a gloria imortal do senhor vosso pai, feliz de memória, e da ilustre casa de Sforza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 9pt; text-align: justify;"&gt;E se uma das coisas acima mencionadas parecesse a alguém impossível ou irrealizável, estou pronto a experimentá-la em vosso parque ou a qualquer outro lugar que convier a Vossa Excelência – à qual me recomendo com toda humildade etc...” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 9pt; text-align: justify;"&gt;O leitor pode tirar as conclusões a respeito de um homem que acreditava piamente que podia realizar todas estas coisas. Sua convicção ia além do imaginável. Não obstante sua passagem pelo ducado lhe assegura um emprego, cuja função estava bem longe de um engenheiro militar. Não faltando com isso tarefas de promotor de festas, onde sempre aproveitava o ensejo para demonstrar sua capacidade inventiva. Mesmo assim, algumas vezes chegou a desenhar e bordar roupas para damas da corte. A despeito destes percalços Leonardo teve um de seus maiores prêmios: a oportunidade de pintar “A Santa Ceia” para o Convento de Santa Maria delle Grazzie. Uma obra demorada o suficiente para deixar a seguinte pérola literária: Leonardo demorava muito na pintura e o prior do convento foi se queixar ao duque. Interpelado, Leonardo respondeu que apenas duas figuras faltavam. Uma era a de Cristo cuja face de santidade ainda não havia encontrado, a outra era Judas, a face do traidor. Esta última ele tinha acabado de descobrir. E o prior foi eternizado em sua obra. Mas esta é apenas uma entre tantas outras histórias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Como principal biógrafo de Leonardo, Vasari foi responsável pela maior onda de mito a respeito do artista. E sobre a passagem por Milão veja o leitor o que ele escreve: “O príncipe diante de seus maravilhosos discursos, apegou-se inacreditavelmente a seu talento. Pediu-lhe que pintasse um quadro de altar mostrando uma “Natividade”, que ele enviou ao Imperador da Alemanha.” Este quadro nunca existiu. Na verdade sua recepção não foi nada calorosa nem os favores do Duque foram obtidos assim facilmente. Primeiro ele teve que mostrar suas qualidades. O título de engenheiro militar ele só obteria oito anos mais tarde, em 1490. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Por out ro lado, a própria afirmação que me foi dada em Milão por um morador do Naviglio, em 1994, sobre construção das comportas do canal, fica evidente que houve realmente, a participação de Da Vinci. Isto porque conforme afirma Serge Bramly, em 1490, ele teria apresentado esboços para a reurbanização da cidade após a peste. Sobretudo, para acabar com o excesso de vias estreitas do subúrbio, principalmente de seus navigli. Mesmo assim, não existe nada oficial, apenas os desenhos feitos em seus cadernos de anotações podem indicar a sua participação em um concurso público. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Um dos maiores problemas deste texto é a sua produção praticamente de memória. A vista ainda avariada me impede de fazer citações ou confirmar títulos, páginas etc. Mas, de uma coisa esteja certo o leitor: dentro do que li até hoje, aprendi a separar o deslumbramento natural do historiador da verdade histórica. É o caso, por exemplo, de Antonina Valentim, autora da obra Leonardo da Vinci, uma edição portuguesa da década de &lt;st1:metricconverter productid="70. A" st="on"&gt;&lt;st1:metricconverter productid="70. A" st="on"&gt;70. A&lt;/st1:metricconverter&gt;&lt;/st1:metricconverter&gt; autora faz um relato apaixonado sobre a vida do artista, levando em conta, sobretudo, a obra de Vasari e os próprios escritos de Leonardo. Com isso não fere a sua biografia com nenhum insucesso e até mesmo o caso de sua acusação de relação com o modelo Giaccopo Saltarelli, ela trata como um caso de calúnia. Assim como o afastamento de seu pai, como motivado pela morte de sua esposa de parto do primeiro filho legítimo. Por isso, para esta autora, a ida de Da Vinci a Milão é uma verdadeira festa, assim como cada uma de suas intervenções do Castelo e na vida cortesã. Quando sabemos que na realidade sua passagem por Milão foi cheia de contratempos, e não unicamente pela falta de uma boa relação com o duque, mas pela própria contingência, do momento político, em que aquele pequeno estado vivia. Sobretudo pelo envolvimento na guerra de Nápoles. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mas Leonardo teve seus momentos de glória, como foi o caso da “Festa do Paraiso” organizada por ele, depois do casamento de Isabel de Aragão com o Duque Gian Galeazzo Sforza. E em relação sua obra maior a “Santa Ceia” é preciso entendê-la sem levar a sua composição para o lado esotérico ou místico, como tem feito muitos especuladores. Trata-se um quadro cuja leitura é meramente, de espírito renascentista, em um padrão de cena interna, onde a valorização da perspectiva é fundamentada no classicismo histórico que exigia a harmonia de valores positivos e negativos. A própria influência de Vitruvio, nas “Divinas Proporções”, cartilha de todos os artistas e arquitetos renascentistas. Razão por que dispõe os quatro grupos de três figuras que ladeiam o Cristo. Com esta proporção Da Vinci divide o quadro ao meio, centralizando a figura de Jesus. Esta leitura, fundamentada no cânon greco-romano ditou a estética renascentista, e da mesma forma, o neoclassicismo. Assim como determinou as regras dos templos dóricos, mesmo no helenismo, quando estas regras se desfizerem, permaneceu valorizando as composições harmônicas. O que justifica, que a linha que divide a figura de Cristo ao mesmo tempo, permite que de cada lado se mantenha na mesma ordem nas figuras dos apóstolos e a mesma quantidade de portas e janelas. Isto se pode ver também em um edifício do mesmo estilo, onde cada lado é um espelho do outro. Ou seja, se há um pórtico, de um lado, há também do outro lado. O renascimento é par. Portanto, se há alguma novidade na “Ceia” é exatamente a possibilidade do espectador perceber a gravidade da cena retratada. A traição estava denunciada e o impacto desta revelação é capaz de formar cada um dos grupos que se questionam. E esta é outra faceta da pintura renascentista: a figura já não aparece estática, muda em uma pose sem expressão. A ceia é um acontecimento que envolve treze participantes, que conversam, comem, bebem e se movimentam entre si, trocando idéia, escutando, falando. Tudo isto velado por uma paisagem interior cuja perspectiva vai se tornando oblíqua, deixando ao fundo a paisagem externa tênue emoldurada pelo arco da porta principal e das duas janelas. Esta obra, realizada para o refeitório dos frades de Santa Maria delle Grazie, resulta no próprio convite de Cristo para Cear com ele. Afinal apenas um lado da mesa está composto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Por mais que se queira conjeturar uma numerologia cabalística para expressar a esta cena, nada pode ir além de um tracejado geométrico conciso de números perfeitos, nada mais. Leonardo, por si mesmo detestava tudo o que fosse sobrenatural, a começar pela astrologia que na sua opinião era uma forma de enganar as pessoas. O duque Ludovico não fazia nada que não consultasse seus astrólogos. Por isso, para ele a matemática, assim como a geometria, dentro das suas limitações acadêmicas não passavam de uma ciência, como outra qualquer e não de magia, como assim pensava o homem da Idade Média. E sobre religião, não se pode dizer que o artista fosse um bom cristão piedoso e amante da humildade, no entanto mesmo cético como era, tinha um bom conhecimento da Bíblia, um dos livros, que junto com a obra de Vitruvio faziam parte de sua biblioteca. Aliás, diga-se de passagem, quarenta livros que registrou em seu poder, pelo menos dez eram emprestados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Finalmente, é muito importante lembrar que as marcas da porta existente ao centro da mesa(no quadro) é o resultado de uma intervenção feita pelos frades, ou um atalho, para não contornarem com os pratos já frios até o refeitório. Pior ainda, durante a Segunda Guerra o mosteiro foi bombardeado deixando a obra quase &lt;st1:personname productid="em ruína. Recentemente" st="on"&gt;&lt;st1:personname productid="em ruína. Recentemente" st="on"&gt;em ruína. Recentemente&lt;/st1:personname&gt;&lt;/st1:personname&gt;, foi terminada uma restauração que durou vinte anos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;A variedade de informações deixadas por Da Vinci é tamanha, que não se torna tão fácil estabelecer uma idéia sobre a sua personalidade. Alguém que parece por demais seguro de si mesmo deixa frases bisonhas, soltas, perdidas em seus escritos, que nos desmonta. Suas crenças são um mistério. Mas sua relação com as ciências herméticas parece ser a de um curioso, um cético que não vai além da mera especulação. E a melhor forma de se perceber isto é imaginar que o fim idade média, após a invenção da imprensa, quando o livro passou a ter maior popularidade, sobretudo, pelo surgimento das universidades, é possível se verificar a enorme quantidade de livros editados sobre magia, ocultismo, bruxaria. astrologia e assuntos semelhantes. Isto, quando o livro era caríssimo. Leonardo possuía quarenta em seu poder e fez questão de anotar cada um deles, se bem que alguns com o nome do seu respectivo dono. Nada melhor do que a análise destes títulos para uma compreensão da personalidade do artista. Eis a origem de alguns deles: “Livro de Pandolfino, Biblioteca de San Marco, Biblioteca de Santo Spirito, Lactantius de Daldi, Livro de Mestre Palago - Superintente do Hospital, Gramática de Lourenço de Médicis, Livro de Maso, Livro de Mestre Luca, Meu mapa mundi de Giovanni Benci,”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Com, pelo menos, dez livros obtidos por empréstimos, isto significa que cerca de trinta poderiam lhe pertencer. Para a época, já significava um grande número. Vejamos os títulos: “Livro de Aritmética, Plínio(História Natural de C. Plínio Secondo, ed. Veneziana de 1476 de Cristoforo Landino), Bíblia(possivelmente uma edição veneziana de 1471), Dos Reis Militares – Ed. De Roberti Valturio , Bolonha, 1471),Guido(possivelmente Guido Cauliaco, autor de um tratado de cirurgia – Veneza – 1498) Piero Crescentio(Escrito sobre agricultura, Florença, 1471), Quadriregio(poema imitando a Divina Comédia, de Frederico Frezzi, de Foligno, Perugia – 1471), Donatus(autor de uma breve sintaxe latina), Justino(historiador romano)Guido( possivelmente Guido d’Arezzo, inventor de um sistema musical), Dotrinale ( dotrinal de sabedoria, possivelmente de Guy de Roye, texto latino de 1388), Morgante( Il Morgante maggiore – epopéia romanesca de Luigi Pulci, edição veneziana de 1481), Johanne da Mandavilla (tratado sobre as maravilhas do mundo, ed. Milanesa de 1481), De Onesta Voluttà(ed. Romana de 1473), Manganello( Sátira feroz contra as mulheres, ed. Venezian de 1500), Crônica Desidero( Possivelmente a Crônica de Santo Isidoro Menor, 1480), Cartas de Ovídio(1491), Cartas de Filelfo(ed. Veneziana de 1500) A Esfera (tratado sobre o globo celeste, ed. 1472), Da Quiromancia(possivelmente a Chiromantica scientia naturalis ad dei lauden finit, ed. Veneziana de 1480), Formulário de Cartas( Ed. Veneziana de 1487), Fiore de Virtù(ed. Veneziana de 1474), Vida dos Filósofos(ed. Veneziana de 1480), Lapidário(sobre lapidação de mármore – ed. Milanesa de 1481), Arte de Conservar a Saúde(Ed. Milanesa de 1481), Ciecho d’Ascoli (poemas de filosofia especulativa- o autor foi queimado por heresia em 1387), Alberto Magnus(Segredo das virtudes das ervas – ed. Napolitana de 1478), Retórica Nova, Cibaldono(medicina), Ésopo(fábula, ed. Napolitana de 1485), Salmos(saltério de David em língua italiana- ed Veneeziana de 1476), Da Imortalidade da Alma(teologia platônica- ed. Florentina de 1475), Burchiello(Sonetos ed. Florentina de 1475), Il Driadeo(poemas de Luca Pulci, ed. Florentina de 1481), Petrarca(sonetos e canções de triunfos ed. Veneziana de 1470). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Não se trata apenas da variedade enciclopédica, mas da qualidade destes títulos. Leonardo tinha interesses tão diversos como a própria vida que levou. Sua relação com o sagrado o faz manter não somente a Bíblia, como um livro de Salmos e outros livros relativos às virtudes cristãs. É o mesmo homem que se interessa por poemas, literatura e sátiras. Ou, possui um livro de um autor queimado pela inquisição. Sem falar no livro sobre quiromancia. E até mesmo a filosofia platônica nos surpreende, tanto quanto o seu interesse por manter a saúde, objeto, inclusive de nota: “Se queres estar são, observa esta norma – não comer sem fome, cear leve, mastigar bem...” Será o mesmo Leonardo que escreveu verticalmente sobre uma página de matemática: “Profecias de Leonardo da Vinci”? Quem é este homem? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ângelo Guido, que em 1976 publicou “Símbolos e Mitos na Pintura de Leonardo da Vinci”, talvez tenha ido longe demais quando tracejou toda a composição da Santa Ceia, admitindo uma geometria mágica que engendra todo um conhecimento metafísico atribuído a Da Vinci. Este estudioso, de uma obra de exaustiva pesquisa, em algum momento, parou, pensou e escreveu: “Não pretendemos, porém levar a nossa pesquisa por esse terreno, embora estejamos inclinados a acreditar que certos misteriosos tratados e certos símbolos, como os dos alquimistas, seus contemporâneos, não fossem desconhecidos de Leonardo, ansioso como era de tudo conhecer.” p.73.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Será que esta dúvida de Ângelo Guido não tem sentido? Afinal a matemática, a geometria, metafísica aristotélica, e a filosofia estão presentes em outras de suas anotações. Vejamos mais livros que o mestre italiano anotou: Espelhos Côncavos, Vitrúvio, Meteora(que é um tratado de Aristóteles), Do Centro de gravidade – de Arquimedes, Filosofia de Aristóteles, Albertuccio e Marliano – Do Calculo(proporções, movimento e volocidade), Do Céu e do Mundo, Álgebra de Alberto de Imola, A Filosofia de Hermes, Arquimedes- De Ponderibus, Euclides. A realidade é que esta busca de um contínuo conhecimento movia toda a criatividade do homem Leonardo. Perguntamos então: Como fica o artista, onde se esconde a sua sensibilidade? Será que a sua obra é também fruto desta ação racional do cientista ou do visionário? Porque teria escrito: “Nenhuma certeza está onde se pode aplicar um das ciências da matemática...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Um dos maiores fracassos na vida de Leonardo foi não poder fundir o monumento dedicado ao pai do Duque Ludovico - o mouro, o velho Francesco Sforza. No seu espírito de grandeza queria algo maior e mais imponente do que o Gattamelata de Donatello, em Pádua ou o Colleoni de Verrocchio, &lt;st1:personname productid="em Veneza.  Em" st="on"&gt;&lt;st1:personname productid="em Veneza. Em" st="on"&gt;em Veneza. Em&lt;/st1:personname&gt;&lt;/st1:personname&gt; 1498 o modelo em gesso estava terminado, coisa que até mesmo o próprio Duque não acreditava. Só faltava fundi-lo no bronze. Naquele mesmo ano, em novembro, o artista resolveu expor o cavalo, ainda em gesso, sob um arco, para servir de adorno a procissão que se faria no casamento de Bianca Maria, sobrinha de Ludovico. Dizem que foi uma festa, o monumento tinha quase nove metros de altura do cavalo até o cavaleiro. Terminada a cerimônia, o monumento continuou ali ao ar livre, sem que se fizesse seu retorno até a oficina de Da Vinci. Por outro lado era comum e notório que o Duque não tinha como adquirir 50 toneladas de bronze para fundir a estátua. Displicentemente, Leonardo se apegou, como de costume, rapidamente a outra atividade e esqueceu o pai do Duque. Um ano depois quando os franceses invadiram Milão, o primeiro alvo foi esta obra, que ainda estava exposta, no mesmo lugar, após um ano, em 1499. Era o fim, o Duque fugia dos franceses e Leonardo arrumava as malas para deixar Milão. É possível que quisesse mesmo ficar livre de seu compromisso com o príncipe. Durante aqueles últimos 17 anos havia guardado algum dinheiro, o suficiente para remeter uma boa quantia a um banco de Florença. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Inteligentemente, de volta, Leonardo passa em Mantova, terra onde Baltassare Castiglione, publicou o seu “Il Cortigiano”, obra que o imortalizou como o mestre das boas maneiras. A pátria de Isabella d’Este, a quem Leonardo dedicou um esboço de seu perfil, sempre foi cotada como uma escola da vida social de toda a aristocracia da península. E a princesa, irmã de Beatrice, casada com Ludovico – o mouro, também viria a ser cunhada de Lucrecia Borgia, quando esta se casou com Alfonso I, seu irmão. Quando casou, com dezesseis anos, com Francesco Gonzaga, em 15 de fevereiro de 1490, já era conhecida como uma das mulheres mais culta de seu tempo. Mas esta foi apenas uma rápida parada do Mestre Leonardo, antes de chegar a Florença em 1500. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Voltava a terra que parecia tê-lo expulsado há cerca de 18 anos atrás. Estava maduro, com 48 anos, ainda mais senhor de si mesmo, exuberante naquela sua bela figura que a história o descreve. Se Leonardo havia mudado, Florença também mudara. Havia se transformado &lt;st1:personname productid="em uma República" st="on"&gt;&lt;st1:personname productid="em uma República" st="on"&gt;em uma República&lt;/st1:personname&gt;&lt;/st1:personname&gt; um tanto democrática e um tanto puritana. E seu povo, mais crítico, mais arrogante e mais exigente. Por isso a figura de Leonardo era a de um dândi, comparado ao estilo de vida de um Miguel Ângelo, sempre sujo de pó, suado andando alvoroçado entre sua casa e a oficina. Para ele mesmo, e para a maioria dos florentinos, aquela aparência burguesa de Leonardo era um enigma. Ninguém sabia de onde vinha o dinheiro para todo aquele luxo, e, sobretudo, para manter todo aquele séqüito de ajudantes jovens e bonitos. O criador do David tinha apenas 22 anos, mas não havia sido privilegiado pela natureza, como Leonardo. Miguel Ângelo era feio, mais tarde avolumou-se um bócio sobre o queixo numa figura doentia que não se esforçava para manter o bom humor. É possível que dessa época seja a história contada em Florença, sobre sua declaração pública de antipatia a Leonardo. Conta-se que algumas pessoas estavam na Piazza della Signoria, discutindo alguns versos de Dante, da Divina Comédia, momento em que passava Leonardo. Pediram então para que interpretasse os versos, justamente quando passava também por ali Miguel Ângelo. Da Vinci sabendo que além de poeta, ele havia estudado, cuidadosamente a obra de Dante, sugeriu que pedissem para ele. O artista ficou uma arara, porque achava que Leonardo queria divertir-se dele. Indignado respondeu-lhe: “Explicai-os vós mesmos! Vós que fizestes o modelo de um cavalo para ser fundido em bronze e não pudestes fundi-lo, deixando-o inacabado, para vergonha vossa! E julgaram aqueles capões milaneses que poderíeis fazê-lo!” Durant, Will, História da Civilização, vol. V, ed.Record. p;171.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mas foram estas duas feras que os florentinos resolveram confrontar. Em outubro de 1503 escolherem os artistas para pintar a “Batalha de Anghiari” e a “Vitória de Florença sobre Milão”, dois grandes murais para o novo Salão dos Quinhentos, no Palazzo Vecchio. Desastradamente, os dois aceitaram a proposta e assinaram contratos muito severos para a execução do trabalho. Os dois passaram meses estudando, fazendo esboços, até o dia em que fizeram o risco nas paredes. Leonardo resolveu fazer uma experiência com pintura a encáustica, que não secou, apesar dele colocar até um braseiro diante da pintura. Miguel Ângelo desistiu do trabalho logo que recebeu o convite do Papa Júlio II. Assim terminava a competição que culminava também com o fracasso no pagamento, devido as dificuldades financeiras do contratante. A parede ficou lá e só futuramente foi preenchida com uma batalha do mesmo nome, assinada por Giorgio Vasari, principal biógrafo de Leonardo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A próxima etapa é mostrar como este mesmo Vasari foi capaz de engendrar uma bela história sobre o retrato de Mona Lisa, cujo sorriso foi eternizado em um pequeno quadro de 53 por &lt;st1:metricconverter productid="46 centímetros" st="on"&gt;&lt;st1:metricconverter productid="46 centímetros" st="on"&gt;46 centímetros&lt;/st1:metricconverter&gt;&lt;/st1:metricconverter&gt; que o Louvre guarda a sete chaves. Mas este é um novo capítulo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Mesmo os mais respeitáveis dos historiadores não podem negar a versão vasariana de que a Mona Lisa tenha sido a esposa do Rico florentino Francesco Bartolomeo de Zanobio del Giocondo. E que este teria encomendado o quadro a Da Vinci. Para esclarecer melhor ao leitor, sobretudo aos que andaram lendo “O Código de Da Vinci”. Mona significa o diminutivo de madona ou senhora, uma forma de tratamento muito comum, na época. Lisa, sem dúvida alguma é outra forma carinhosa, ou um diminutivo de Elisabetta. Este seria certamente o nome da beldade: Elisabetta Gheraldine Del Giocondo, ou simplesmente Lisa, ou senhora(mona) Lisa. Não existe nenhuma ligação com a mitologia egípcia. O grande enigma é que esta versão é contestada, mas ninguém até hoje conseguiu provas materiais de que o retrato seja de outra pessoa. Por outro lado, o próprio autor da obra, Leonardo, tão avaro por registros, não deixou uma linha sequer falando deste nome, ou mesmo deste tal Francesco Del Giocondo. Afinal, se houvesse uma encomenda ele teria anotado, como fez com todas as outras obras. Leonardo teria registrado aquela contabilidade rústica com que tanto se empenhava para manter o luxo de suas vestes e os mancebos de sua oficina. Quando voltou para Florença, depois de 18 anos entre Milão e Mantova, estava com dinheiro no banco, suficiente para se manter, até conseguir trabalho. Ou mesmo para permitir-lhe produzir aquilo que bem quisesse e não encomendas.Mas, sobre Mona Lisa, nenhuma linha. Quando morreu o quadro foi para o Castelo de Fontenebleau, onde permaneceu até o século 18, indo depois para Versailles e posteriormente para o Louvre em 1804. O quadro não tinha nenhuma anotação e a única forma de identificá-lo foi recorrer ao livro de Vasari, que a essa altura já era bastante conhecido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Uma grande coincidência envolve quatro obras de Leonardo: Mona Lisa - pintado entre 1503 e 1506, João Batista - pintado em 1509, Baco - 1510, e Sant’Ana a Virgem e o Menino - 1510. Os quatro quadros estavam com Leonardo quando de sua morte e ficaram na França. Estão todos no Louvre. Qual é a coincidência? É que entre &lt;st1:metricconverter productid="1503 a" st="on"&gt;&lt;st1:metricconverter productid="1503 a" st="on"&gt;1503 a&lt;/st1:metricconverter&gt;&lt;/st1:metricconverter&gt; 1510 Leonardo produziu o sorriso de Mona Lisa, mas o repetiu &lt;st1:personname productid="em João Batista" st="on"&gt;&lt;st1:personname productid="em João Batista" st="on"&gt;em João Batista&lt;/st1:personname&gt;&lt;/st1:personname&gt;, Baco e em Sant’Ana. Este tipo particular de sorriso ficou conhecido como: “Sorriso Leonardesco”. É possível que estas obras, sobretudo os três primeiros quadros podem ter sido feitos simultaneamente, como uma exercício de repetição onde aparência, tons do ambiente e o claro-escuro se igualam. São quatro quadros que parecem não ter donos, como se Da Vinci não os tivesse concebido por encomenda, mas que fossem seus. Afinal os levou para a França e não deixou em testamento o nome de seus proprietários para que Francesco Melzi, seu fiel discípulo entregasse. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Por que estas figuras, sobretudo, as três primeiras, são andróginas? Leonardo produziu algumas obras veladas pela indefinição sexual. Podemos enumerar algumas como: o anjo da “Virgem dos Rochedos”, e talvez o “Cristo” da Ceia, considerando uma cópia feita pelo seu aluno Giovanni Boltrafio, que está no Museu de Estrasburgo. No entanto entre &lt;st1:metricconverter productid="1503 a" st="on"&gt;&lt;st1:metricconverter productid="1503 a" st="on"&gt;1503 a&lt;/st1:metricconverter&gt;&lt;/st1:metricconverter&gt; 1510, definitivamente produziu andróginos. E foi algo que fez deliberadamente quando quis, como se o fizesse para agradar a si mesmo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Nenhuma destas obras a figura retratada possui sobrancelha, como se esta fosse interferir na beleza do rosto. O espectador não percebe esta decisão do artista e raramente algum historiador ou crítico faz esta observação. Sabemos que Leonardo possuía sobrancelhas espessas o que leva-nos a crer que era alguma coisa em seu próprio rosto que não gostava. No entanto, vamos ver que nem mesmo as mulheres depilavam as sobrancelhas naquela época. Há um auto-retrato de Leonardo, pintado entre 1510 e 1513, que está na Biblioteca Real de Turim onde se pode constatar esta nossa afirmação. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Para onde nos leva todas estas conjecturas? Leva-nos a afirmar que esta tal “Mona Lisa” nunca existiu. Vasari criou uma história com o mesmo deslumbramento com que começa sua narrativa dizendo que “o nascimento de Leonardo é algo celestial..” Não lhe faltava imaginação para criar ou repetir tudo o que se falava do artista que havia se tornado uma lenda. E quem é então o modelo de todas estas obras: Mona Lisa, Baco e João Batista? Alguns historiadores que também perceberam o nível de androginia expressado por Da Vinci concluíram tratar-se de “um jovem travestido”. E dizem isto, principalmente, por causa do costume de retratar jovens andróginos como imagens de “Vênus”, ao gosto da pintura renascentista, por príncipes e Papas. É muito fácil esta afirmação. O próprio Leonardo esteve envolvido em um processo no tribunal de costumes de Florença, por ter sido acusado de ter relações sexuais com o jovem Giaccopo Saltarelli que servia de modelo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Considerando os fatos apresentados, podemos chegar a conclusão de que a Mona Lisa nunca existiu. Se não existiu resta saber quem seria a figura retratada por Leonardo? Daí, dizer que a Mona Lisa seja o próprio Leonardo, não conheço ninguém que tenha feito esta afirmação antes de 1974. Foi nesta época que publicamos o livro “Mona Lisa Um Auto-Retrato de Leonardo da Vinci”. Esta convicção se prende a dois fatos: o primeiro de caráter estético e o segundo psicológico. No primeiro caso deixamos que o leitor observe durante uma semana até o próximo capítulo, é a semelhança do auto-retrato de Leonardo, de Turim, aquele velho de barba, com a Mona Lisa. Se for possível observe o quadro na mesma posição do rosto para o lado direito. No segundo caso, as razões pelas quais o artista teria feito o seu próprio retrato como uma mulher. Mas esta é uma outra história. Aguardem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 9pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/425705622748118051-172314520744237300?l=resmungosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/feeds/172314520744237300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=425705622748118051&amp;postID=172314520744237300' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/172314520744237300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/172314520744237300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/2008/02/leonardo-da-vinci-verdade-e-o-mito.html' title='LEONARDO DA VINCI – A VERDADE E O MITO - Benedito Ramos'/><author><name>Benedito Ramos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11261507968685590861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_j5bc7KIKJhE/R7RqxBX4SAI/AAAAAAAAAEk/RkNmdofbRIA/s72-c/s%C3%B3_um_cego_n%C3%A3o_v%C3%AA.GIF' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-425705622748118051.post-4194432206370831129</id><published>2008-02-14T07:32:00.000-08:00</published><updated>2008-02-14T07:52:21.934-08:00</updated><title type='text'>ELOGIO DA MALÍCIA - Benedito Ramos</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A malícia é, positivamente, um dos valores mais cobrados desde a primeira infância. Aos do sexo masculino, bem mais. Parece ser sinônimo de esperteza, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;inteligência e avidez. Mas as meninas parecem herdar este atributo mais cedo, mesmo sem lhes ser cobrado. Com os meninos é diferente, à proporção que vão crescendo, o pai, geralmente, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;induze-lhe esta malícia para com os amigos, as moças e com a vida em geral. Faz parte do seu amadurecimento. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Às vezes o indivíduo fica adulto e não adquire este dom, se é que podemos chamar assim. Passa a vida inteira sendo enganado porque não consegue pensar mal de ninguém. É alvo predileto de piadas e pulhas sem que consiga deduzir com a rapidez necessária o significado. A ficha não cai, como se costuma dizer. É devagar para compreender um sorriso fora de hora, um olhar avesso ou uma cara feia. Não é burrice. Funciona como uma espécie de inocência que parece se perpetuar com o passar do tempo. Conheci um sujeito que era quase um santo. Vivia como se não ser desse mundo. Mesmo quando era enganado continuava acreditando na boa fé de qualquer um. Não conseguia pensar mal de ninguém.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A evolução da malícia passa por uma fase chula que se reporta à canalhice. O indivíduo consegue transformar qualquer frase em alguma pornografia. E, sobretudo, se houver uma platéia capaz de rir o chiste tem ainda mais graça. A mente parece viver pronta a produzir cada vez mais uma experiência&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;provocadora. É o próprio deleite do choque que causa e a criatividade que se revela ao bizarro. Alguns chegam até ficarem famosos pela sua capacidade em produzir um anedotário medíocre onde o palavrão se amolda de forma magnífica. É o próprio efeito da vulgaridade que se debruça na fluência verbal de palavras provocantes. E enfim o orgulho pessoal de um ator diante de seu público. Uma simbiose. Um existe pelo outro. Há quem escute e goste. Há quem seja obrigado a escutar. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Este tipo de malícia não se aquieta a nada. O indivíduo vive atento olhando, escutando e contextualizando seu verbo pronto, quase sempre, a uma apresentação. Não há momento, seja casamento, batizado, enterro ou mesmo no âmago da sua própria família, que se desligue&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;deste quebra-cabeça que é montar palavras, juntar frases até chegar ao trocadilho sujo e desproporcional. Há maliciosos compulsivos cujo pensamento vaga, como alma penada, a procura de uma motivação fúfia. Depois, digerem prazerosamente a idéia, para regurgitá-la mais tarde já apodrecida. Mesmo assim, sofrem, muitas vezes, quando são preteridos pelos amigos cansados da embófia, e ficam só. Mas não se dão por vencidos de forma fácil e com a mesma rapidez colhem alguma frase no ar e jogam a nova platéia esperando a ovação. Muitas vezes é patético observar as suas ações sem efeito e as tentativas de associar-se a estranhos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Mas a malícia é, antes de tudo, a maior arma da política. As relações políticas são antes de tudo relações de conveniência. O político, não precisa ser o que diz, mas parecer ser. E disso Maquiavel entendia muito bem quando escreveu seu livro “O príncipe”, razão pela qual chegou a dizer: “Não é necessário que um príncipe tenha de fato todas as qualidades acima numeradas, mas é necessário que as aparente todas.” &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;A falta desta malícia impede as ações, muitas vezes necessárias, para o bom termo de um acontecimento. Conta Renato Costa, no seu livro “Ensaios da História”, publicado em 1930, pela Editora Globo, que: “Tivesse D. Pedro II, vindo imediatamente de Petrópolis e se mostrasse nas ruas, dentro daquela irradiante simpatia e imperturbável serenidade, que tanto o distinguiam das maluquices dos seus antepassados, e é bem provável que&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;‘o acidente militar’, de 89, não tivesse passado de meia dúzia de prisões, até que o idealismo republicano avolumado, forçasse de novo, as portas avelhantadas da monarquia”. No caso de Pedro II, o imperador nunca fez questão de saber que os republicanos lotavam os quartéis e certamente nunca duvidou de sua boa relação com Deodoro. Faltou malícia no velho para perceber o carisma que tinha nem jogou duro com os adversários quando podia. Finalmente o seu caráter impediu que mais tarde, já no exílio, condenasse a república. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Mas o sentido da palavra é tão amplo que não podemos negar que, mesmo nas mais sinceras das relações sociais, não se escondam, uma boa dose de malícia. Mesmo porque a própria compreensão dos fatos sociais exige uma dose de malícia na sua percepção. Haja vista, que nem sempre é a coerção que os&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;justificam, a medida em que o indivíduo não age de outra forma, senão pelo desejo de ser comandado. “Manda quem pode obedece quem tem juízo”, é um adágio tão conhecido quanto o seu sentido prático. Quem manda&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;responde pela sua ordem. É mais conveniente persuadir uma autoridade a dar a ordem do que tomar a iniciativa de fazê-lo. Isto é extremamente malicioso. Mas é a vida. O tolo fala. O inteligente ouve. O malicioso espreita.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O oportunismo é a forma mais maliciosa de relação. Durante todo o tempo o indivíduo permanece na tocaia a espera de sua presa. Não está do seu lado, mas a tem como uma carta na manga, enquanto contorna os subterrâneos do poder. O oportunista sabe geralmente os nomes das pessoas, seus cargos e a hora exata para ser apresentado. Com a mesma rapidez com que faz amizade, avança na intimidade alheia com a sutileza de um médico. Recolhe informações e planeja sua relação. Uma ocasião, após vender alguns quadros de um artista alagoano, o comprador, um empresário importante, quis conhecê-lo. Levei-o para apresentá-lo e no mesmo instante aquele artista pediu um emprego para o irmão. Talvez, muita gente ache isto natural, eu, no entanto, fiquei imaginando como ele deve ter planejado aquele pedido feito no primeiro instante em que o convidei. Isto é extremamente malicioso e oportunista. Mas o mundo é mesmo dos maliciosos. Descobri isto muito tarde. Quase não usei este “dom”.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/425705622748118051-4194432206370831129?l=resmungosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/feeds/4194432206370831129/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=425705622748118051&amp;postID=4194432206370831129' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/4194432206370831129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/4194432206370831129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/2008/02/elogio-da-malcia-benedito-ramos.html' title='ELOGIO DA MALÍCIA - Benedito Ramos'/><author><name>Benedito Ramos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11261507968685590861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-425705622748118051.post-1428489628380136352</id><published>2008-02-13T11:38:00.000-08:00</published><updated>2008-02-13T11:50:06.393-08:00</updated><title type='text'>O ESTADO DE GUERRA ENTRE DEUS E O HOMEM</title><content type='html'>Benedito Ramos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;h2 style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Introdução&lt;/span&gt;&lt;/h2&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O texto faz uma abordagem sociológica do momento da “criação do homem e sua queda”, segundo o livro do Gênesis,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;e, se exime em tratar do aspecto teológico e moral relatados simultaneamente em três religiões: o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo. A trajetória do homem, até o pecado original é analisada através de um contexto natural acentuado pela manifestação da razão e pelo sentimento humano. O aspecto sobrenatural – ou o sentido do sagrado – dá lugar a uma relação, até certo ponto, fria, entre a criatura e o seu Criador. Este último se confunde com o mesmo caracter humano da criatura, o que, aliás, é um recurso que a Bíblia também se utiliza, com efeito, bastante convincente. Isto permite criar um discurso simultâneo, entre Deus e o homem, sem ferir a relação sagrada de ambos. Vamos ver na Bíblia, Deus, por diversas vezes, arrependido em ter criado o homem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Isolados todos os pontos onde o sobrenatural cause impacto,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;se entra no principal conflito contextual – a Lei. A Lei é o resultado de uma determinação a ser cumprida que não se encerra senão na prescrição da pena. Esta lei, que não é a Lei Mosaica, passa a existir a partir da primeira condição estabelecida por Deus, para que o homem possa viver no Jardim do Éden. “Não comer o fruto da árvore do Conhecimento do Bem e do Mal”, representa a síntese moral que transforma esta “ordem” &lt;st1:personname productid="em Lei. Será" st="on"&gt;em Lei. Será&lt;/st1:personname&gt; o conteúdo expresso desta Lei o objeto de “competição”, “desconfiança” e “glória” que segundo Hobbes(1) são as três causas principais da discórdia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Criado o cenário, o “estado de guerra” é causado, segundo Locke(2) &lt;span style="font-size:12;"&gt;“(...) por aquele que tenta impor a outro o poder absoluto,(...)”.&lt;/span&gt; Onipotente, Deus determina a sua Lei ao homem que criou “a sua imagem e semelhança”. Mas o diálogo entre a “serpente” e a mulher revela aquilo que Marx(3) chama de &lt;span style="font-size:12;"&gt;“Autoconsciência – ou verdade da certeza de si mesmo”&lt;/span&gt;. O homem sabe que é diferente de Deus e não semelhante de acordo com o seu projeto de criação. E será esta busca pela igualdade de poder o foco de todo o processo de competição, porque a esta altura ele se sente enganado, vendo que não poderia “dominar a terra”,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;como Deus teria ordenado, se não podia ter acesso a uma única árvore. E será sem dúvida o seu desejo de se tornar Deus – ou chegar ao poder – a razão de ser expulso do jardim do Éden. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;          &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;font-family:georgia;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;A ORIGEM&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="font-weight: bold; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A despeito da teologia, considerar a Lei a partir de Moisés(4),&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;o Livro do Gênesis já começa com o estabelecimento de uma Lei e a aplicação da pena para o descumprimento desta. A relação do Criador com a criatura é, desde o princípio, uma relação de poder. A posição da criatura é a de obedecer incondicionalmente. Eis o texto:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;font-family:georgia;"  class="MsoBodyText2"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ordenou o Senhor Deus ao homem dizendo: De toda árvore do Jardim comerás livremente, mas da árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, dela não comerás, pois no dia em que comeres certamente morrerás.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Gen 2.16-17&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ora se Deus não houvesse colocado restrições sobre a “árvore do Conhecimento do Bem e do Mal”, certamente o homem estaria em paridade com o seu Senhor em poder(5). Isto é, não haveria “poder” para determinar esta Lei. Considerando o que afirma Thomas Hobbes – Leviatã: &lt;span style="font-size:12;"&gt;“Onde não há poder comum não há lei”.&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Mas, Deus determina a ordem, que se transforma em lei com um agravante, de penalidade – a morte. A lei entra em vigor e tem efeito imediato sobre o homem. O princípio predominante desta lei era, neste caso a teocracia. Deus tem o poder absoluto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Estava estabelecido o nível desta relação entre o homem e Deus. A partir daí, há de se considerar sua posse sobre a vida deste homem ao estabelecer uma pena capital para o descumprimento de sua lei. Se isto for aplicado ao que diz John Locke – Segundo Tratado sobre o Governo – Capítulo III – 17, vamos observar que:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;font-family:georgia;"  class="MsoBodyTextIndent3"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;“Disso resulta que aquele que tenta impor a outro o poder absoluto, põe-se em estado de guerra com ele, devendo isso ser entendido como declaração de intenções contra a vida do próximo, donde há motivos para concluir que quem a outrem subjuga, dele usará, segundo lhe aprouver, quando o tiver cativo, chegando mesmo a aniquilá-lo, se lhe der na veneta; não há quem deseje ter outrem sob seu poder absoluto senão para coagí-lo à força ao que é contrário à liberdade, isto é torná-lo escravo”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ao criar o homem “a sua imagem e semelhança”, Deus também lhe submete ao seu poder, criando a partir de então todas as condições para o estabelecimento de um “estado de guerra” entre ambos. Esta relação passa a se deteriorar a medida em que o homem percebe as &lt;b style=""&gt;diferenças &lt;/b&gt;e não as &lt;b style=""&gt;semelhanças&lt;/b&gt; entre ele e Deus. E isto acontece exatamente no momento da tentação. É preciso entender, e saber diferenciar, que a semelhança a que se refere Deus não é material. O homem foi criado do pó da terra – para após um ciclo vital, voltar a esse mesmo pó. Deus é eterno. Não foi criado. É o criador. A semelhança estaria exatamente no que se refere o Gn 2.7.&lt;span style=""&gt;           &lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt;“&lt;/i&gt; &lt;i style=""&gt;Então Deus modelou o homem com argila do solo, insuflou um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente. &lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;O sopro de seu próprio hálito – é o seu próprio Espírito. Mas isto é explicado pela teologia. E ao contrário, vamos observar que o diálogo da “tentação” ou desconfiança é bastante humano. E, estas diferenças, irão exercer um papel preponderante no momento do “pecado”. O homem, sem dúvida alguma, quer essa igualdade de direitos. O homem quer competir com Deus. A origem desse processo de competição se inicia a partir do momento em que o homem, diferentemente dos animais, utiliza a razão para investigar a causa dos limites que lhe foram impostos pela proibição de comer do “fruto da árvore do Conhecimento do Bem e do Mal”. Eis o texto:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;font-family:georgia;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;font-family:georgia;"  class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;Gen. 1.3... 1. Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;campo, que o Senhor Deus tinha feito. Esta disse a mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-left: 3cm; text-indent: -3cm; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;font-family:georgia;"  class="MsoBodyTextIndent2"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;2. Respondeu a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim podemos comer,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-left: 3cm; text-indent: -3cm; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-left: 3cm; text-indent: -3cm; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;          &lt;/span&gt;3. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus; não&lt;br /&gt;comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-left: 3cm; text-indent: -3cm; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-left: 3cm; text-indent: -3cm; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;4. Então a serpente disse a mulher: Certamente não morrereis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-left: 3cm; text-indent: -3cm; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-left: 3cm; text-indent: -3cm; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;5. Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, os vossos olhos se abrirão e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-left: 3cm; text-indent: -3cm; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-left: 3cm; text-indent: -3cm; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;6. Vendo a mulher que aquela árvore era boa para comer, e agradável aos olhos, e a árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto e comeu, e deu também a seu marido, que estava com ela e ele comeu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-left: 3cm; text-indent: -3cm; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-left: 3cm; text-indent: -3cm; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;7. Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; coseram pois folhas de figueira, e cingiram-se.&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;font-family:georgia;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;font-family:georgia;"  class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;O texto antecedente ao gn 1.3. – o da criação do homem traz uma expressão definitiva em relação ao papel do homem no momento da criação:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;font-family:georgia;"  class="MsoBodyText2"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Gn. 1.1.26 – Então disse Deus:&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança(...)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;font-family:georgia;"  class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Quando o homem é criado esta “imagem e semelhança”, a qual se refere Deus, não fica delineada senão no aspecto teológico. O homem foi criado para ser a “semelhança de Deus”. A tentativa de Deus de tornar o homem bom vai do Pentateuco ao Apocalipse. E, por várias vezes Ele se arrepende de tê-lo criado. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;font-family:georgia;"  class="MsoBodyText2"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Deus amou o homem de tal maneira que deu o seu próprio filho, para que todo aquele que nele crê não pereça mas tenha a vida eterna.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E esta visão teológica não pode ser confundida com a sociológica. Tanto a semelhança como a diferença, têm as suas especificidades. Todo homem é semelhante a outro mesmo sendo diferente. É uma questão genérica. No caso de Deus e do homem a questão genérica não existe em termos materiais e sim, no âmbito espiritual. E, ainda assim, dentro da própria expectativa de Deus(não do homem) de fazê-lo semelhante a Si mesmo. Porém, Deus diferentemente do homem, conhecia o “bem” e o “mal”&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;enquanto o homem apenas o “bem”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Conhecendo apenas o bem o homem era uma criança – não sabia sequer que estava nu. Não tinha noção de regras morais. E conhecia uma única lei: “Não comer do fruto da árvore que estava no meio do jardim”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Mesmo assim, tinha todas as outras e a autorização para “dominar toda a terra”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O questionamento é um atributo da razão humana. O homem não questionaria se estava nu ou vestido porque não conhecia outro estado a não ser o de nudez. No entanto, não comer o fruto de uma única árvore era diferente. Haveria um razão para esta proibição que ele desconhecia. E se era proibida, porque Deus havia decidido proibir e isto abria um espaço entre o ato de mandar e obedecer. O homem, a partir desta segunda colocação desejaria passar para a primeira opção – a de mandar. E isto seria o seu espírito de competição que passaria a exercer um poder coercitivo sobre a sua razão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;                    &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;A Busca do Poder – a Glória&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A árvore era o abismo colocado entre Deus e o homem. Era o divisor entre o poder e obedecer. É, portanto, este desejo de ascenção que exerce coerção sobre o homem a ponto de fazê-lo ansioso por este poder. E para chegar a esse poder seria necessário estar acima de qualquer regra ou qualquer lei. Pois é assim que o homem vê Deus em relação a si mesmo. É assim que o diálogo da tentação e a consumação do pecado se apresenta. A serpenta incita o homem a ser igual a Deus. E a igualdade não é a semelhança. A proposta inicial de Deus foi à semelhança. A contra-proposta do homem foi à igualdade. A semelhança guarda as devidas proporções. A igualdade é um paralelo – uma dualidade. Criador e criatura se tornariam uma só pessoa. Mas isto seria impossível. Na concepção de Hobbes – Leviatã – 18 – sobre os direitos dos soberanos por instituição: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;“ (...) a autoridade maior é indivisível e inalienável ao soberano, (...)” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;No entanto, este antagonismo entre o Criador e a criatura, ativado pelo processo de investigação do último sobre seus direitos, objeto da tentação do homem se transforma no seu desejo de chegar ao poder.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;“Na natureza do homem encontramos três causas principais de discórdia. Primeiro, a competição; segundo, a desconfiança; e terceiro a glória”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Hobbes, Thomas – Leviatã – Martin Claret – pg. 97&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O questionamento, vem da parte da serpente, que representa&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;a tentação cuja etimologia significa “ação de sondar ou investigar”. A pergunta é: Será que comendo o “fruto da árvore do Conhecimento do Bem e do Mal”, morre mesmo? A frase exata da parte da serpente é uma afirmação afiada e insinuante: “certamente não morrereis”. A tentação conduzida pela serpente diante da mulher dá a entender dois momentos dessa história: o primeiro, quando a serpente começa a persuadir a mulher e o segundo quando ela(Eva) toma o fruto e dá ao marido. No entanto vamos ver no versículo 6, já no final do texto que a mulher “tomou do seu fruto e comeu, e deu também a seu marido, que estava com ela e ele comeu”. Pergunta-se: Por que o texto menciona que o “marido” estava com ela? A partir daquele momento ele passou a estar ali com ela? Não será que durante todo o processo de tentação? Não há dúvida que o texto é criado de maneira a proteger o homem da iniciativa do pecado por razões de ordem moral no universo semita, onde a mulher era um ser inferior. No fundo, a serpente representa a consciência dessa mulher, para não dizer do próprio homem, trabalhando a decisão de desobedecer ao “Todo Poderoso”. Caso contrário, o texto se confunde com uma fábula de um suposto tempo em que os animais falavam. O pecado original é uma decisão conjunta daquele primeiro núcleo familiar. Não foi um acidente, um esquecimento involuntário, tudo aconteceu de forma proposital onde a especulação deu lugar ao espírito competitivo a dúvida&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;e&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;ao desejo. O texto foi escrito, por volta de 700 ou 800 anos antes de Cristo. A tradição em atribuí-lo a Moisés se dá principalmente pela própria Lei(os 10 mandamentos) e pelo processo de formação da nação israelita. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Voltando ao texto, é necessário que se perceba que a partir do momento em que paira dúvida sobre a “pena capital”,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;outras dúvidas aparecem. A primeira delas é que o homem não se sentia “a imagem e semelhança de Deus”. Razão pela qual seria tão importante conhecer o “bem” e o “mal”. Porque era esta era chave para “ser como Deus”. E esta conclusão está implícita no fato de que Deus é quem ditava as regras. Era quem decidia. Era o Senhor. Enquanto o casal mantinha uma condição igual a qualquer animal do jardim do Éden. Portanto, não havia “semelhanças”,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;mas “diferenças”. Esta percepção da sua condição diante de Deus era o abismo que o homem tinha a sua frente entre ele e o seu Criador.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;                                                      &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;Elogio ao Pecado original&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; font-weight: bold; text-align: center;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;É, precisamente, o versículo 5, que traz alguns pontos bastante decisivos, no tocante a este desejo do homem em ser como Deus, ou seja, ser o Senhor – ter o poder: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;“(...) os vossos olhos se abrirão e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Por conseguinte, não foi, em hipótese alguma, o “sabor” do fruto, mas do poder que persuadiu o homem a descumprir a Lei. Sendo criatura e não criador o homem, “semelhante desse Criador”, se sentiu enganado pelas diferenças com seu Criador. Estas diferenças que estavam determinadas nas suas limitações em relação ao poder, concorreram para que considerasse falsa a sua semelhança com o seu Criador. Assim, era necessário buscar, através da posse do “fruto da árvore do Conhecimento do Bem e do Mal” esta igualdade de condições – que era bem mais que simples semelhança. E este&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;é o mérito do homem ao decidir diferenciar-se das feras do Jardim do Éden. Para isso, foi necessário ir de encontro a uma lei que o colocava na mesma condição de animais, sem capacidade de fazer distinção entre o bem e o mal. Se a proposta do Criador era a de ter a criatura, como um ser alienado sobre a sua proteção, o pecado original era necessário para dar impulso a esse homem para “dominar a terra”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoBodyTextIndent3" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;“(...) É perfeitamente compreensível a um ser vivo, natural, provido e dotado de forças essenciais objetivas, isto é naturais, ter objetos reais e naturais de seu ser e igualmente sua auto-alienação ser posição de um mundo real, mas sob a forma de exterioridade, como um mundo objetivo que não pertence ao ser e que ele não domina. Nada há de misterioso nisso. Ao contrário, o inverso é que seria misterioso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Marx , Karl – Manuscritos Econômicos e Filosóficos – “O saber absoluto – capítulo final”- 1 – ad.2.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O texto de Marx é ainda mais explícito quando diz: “(...) como um mundo objetivo que não pertence ao ser e que ele não domina.” Claro que não domina, este ser está “programado” para ter um comportamento pré-estabelecido. Qualquer desvio de conduta seria o que Marx acrescenta, no final: “Nada há de misterioso nisso”. Se o homem, por opção preferisse manter uma conduta animal, desprovida de razão e ação, isto sim, “é que seria misterioso”, diz Marx. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E isto nos faz crer que o Pecado Original, presente em três religiões: Judaismo, Cristianismo e Islamismo, apesar de ser o princípio moral da relação do homem para com Deus é também o princípio da reflexão deste mesmo homem em relação ao seu papel como ser vivo. Causa e motivo de condenação, o fardo que, segundo o cristianismo, o homem traz desde o seu nascimento, o Pecado Original, apagado sob o dogma do batismo pode representar o momento mais importante para o ser humano. É quando este homem se define como um “ser” que decide – usa a razão para não permanecer uma criatura alienada pela condição da obediência inquestionável dos demais animais irracionais. E isto abre um precedente enorme, quando observamos a relação desta “decisão” com o “mal”, porque desta forma, a unilateralidade do “bem” seria uma utopia da parte de Deus. Principalmente, porque este “mal” já estava previsto, desde o princípio e implícito, seja na condição da “lei” e “pena capital”, como no objeto da proibição: “a árvore do Conhecimento do Bem e do Mal”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Perguntamos, para que o homem seria provido de razão se esta razão lhe condenaria? Não há como duvidar que tudo fazia parte do próprio plano de Deus. Mas, como Deus iria permitir que o “mal” vencesse o “bem”, logo no alvorecer da humanidade? O próprio Locke, no “Segundo Tratado sobre o Governo” – capítulo V – 26 reconhece: “Deus, que deu o mundo a todos os homens, também lhes deu a razão para dela servissem para maior proveito da vida e da própria conveniência.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;É claro que o lado moral ou religioso nos impediria de fazer um “elogio” ao Pecado Original, porém é dele que provém o lado material, terreno e sobretudo humano de Adão. Um Adão divinizado pela opção sobrenatural do bem não seria protagonista do Livro do Gênesis, tampouco este livro existiria. O Pentateuco a Torah ou o Alcorão foram escritos para estabelecer a Lei. Uma Lei apoiada num baluarte comum a toda humanidade – Deus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="text-decoration: none;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/425705622748118051-1428489628380136352?l=resmungosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/feeds/1428489628380136352/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=425705622748118051&amp;postID=1428489628380136352' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/1428489628380136352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/1428489628380136352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/2008/02/o-estado-de-guerra-entre-deus-e-o-homem.html' title='O ESTADO DE GUERRA ENTRE DEUS E O HOMEM'/><author><name>Benedito Ramos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11261507968685590861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-425705622748118051.post-8757082604738307119</id><published>2008-02-11T16:19:00.000-08:00</published><updated>2008-12-09T15:52:35.179-08:00</updated><title type='text'>PANORAMA DA HISTÓRIA DA ARTE OCIDENTAL</title><content type='html'>Benedito Ramos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A GRÉCIA - MÃE DE TODAS AS ARTES&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;AS ORIGENS DA ARTE OCIDENTAL E O NASCIMENTO DO MODELO CLÁSSICO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;•    Sabemos que as artes, de forma geral, arte, arquitetura, literatura, filosofia e ciências, tiveram o seu apogeu na Grécia dos 500 anos aC. Este período que ficou conhecido como helenismo, se constitui em toda a nossa herança da antigüidade clássica na arte ocidental. A pr&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_j5bc7KIKJhE/R7FgLRX4R_I/AAAAAAAAAEc/98XK4YkPfjk/s1600-h/grecia_maior.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_j5bc7KIKJhE/R7FgLRX4R_I/AAAAAAAAAEc/98XK4YkPfjk/s200/grecia_maior.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5166015994329057266" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;esença da arte grega foi tão marcante que veio a influenciar todos os outros estilos futuros.&lt;br /&gt;•    Porém esse período de alto desenvolvimento da arte grega teria iniciado a partir do ano 2000 aC, quando os cretenses criaram seu próprio sistema de escrita. É desse época também as primeiras civilizações urbanas, que ficavam em torno dos grandes palácios. Estes palácios foram destruídos, por volta de 1700 aC e reconstruídos em 1500 aC. Destes, o mais importante foi o de Cnosso – chamado de Palácio de Minos, que pelo seu formato de labirinto teve sua existência associada a lenda do Minotauro.  Esta portanto é a civilização Minóica.&lt;br /&gt;•    A mesma situação viveu a civilização Micênica entre os anos de 1600 a 1100 aC, cuja arte produzida tinha grande semelhança com a Minóica. Mesmo assim, deixou obras que tiveram características próprias, como “A Porta dos Leões”.&lt;br /&gt;•    Estas civilizações desapareceram, sem que possamos associar a continuidade das obras produzidas a partir de 800 aC a tais civilizações.&lt;br /&gt;•    A partir deste período é que podemos sinalizar um estilo que a história classificou como “Geométrico” que estaria ligado a decoração da cerâmica e mais tarde aos baixos relevos e ornamentos da arquitetura.&lt;br /&gt;•    O chamado Estilo Arcaico, perto de 700 aC, foi, possivelmente, estimulado pelas relações comerciais com o oriente próximo, particularmente, o Egito. Razão pela qual, vamos ver que a criação das colunas Dórica, Jônica e Coríntia, tiveram uma concepção muito semelhante as egípcias. Os egípcios criaram colunas de sustentação, com capitéis inspirados em folhas de papiro e lotus.&lt;br /&gt;•    Devemos lembrar que foi neste período em 750-700 que Homero escreveu a Ilíada e a Odisséia. Estas duas obras representam todo o cenário da antiga Grécia, com seus costumes, deuses e mitologia, mas sobretudo a topografia das ilhas e lugares sagrados. A obra de Homero, mesmo naquela época era lida em dias festivos, como uma reverência nacional.&lt;br /&gt;•    O teatro Grego também se faz presente em Ésquilo, Sófocles e Eurípedes entre 600 a 400 aC.&lt;br /&gt;•    A filosofia que começou a evoluir antes de Socrates – 400 aC, passaria por Platão entre 427  a 347 aC e finalmente a Aristóteles entre 384 a 322.&lt;br /&gt;•    Enfim a Grécia atingiria o seu apogeu como civilização evoluindo também no campo da matemática, com Pitágoras em 520 aC  e na medicina, com Hipócrates em 469 aC.&lt;br /&gt;•    O Estilo Clássico aparece a partir de 480 aC. É neste período, onde o avanço em todos os aspectos da arte atingiria um dos graus de maior evolução. Na arquitetura aparecem as três ordens dórica, jônica e coríntia.  A dórica, considerada ordem básica, é a mais antiga e mais definida que a jônica, enquanto a coríntia uma variante da segunda. O termo ordem arquitetônica se torna singular na arquitetura grega, de onde, tudo dela provém, haja vista que nenhum outro sistema arquitetônico, chegou a produzir coisa comparável. Um templo dórico é único, todos pertencem a uma mesma espécie, facilmente identificável na sua consistência interna e externa, que não permite variações, nem ornamentos fora do padrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•    A escultura evoluiu a partir do estilo arcaico, onde é patente a influência da escultura egípcia, e facilmente pode ser observada a falta de proporção que só o estilo clássico trouxe. A partir desse período as figuras são tratadas com uma beleza quase matemática, onde as proporções do corpo, cabeça, rosto, parecem medidas sob um cânnon de regras cuja finalidade seriam manter a beleza sob medida. Entra nesta regra o formato do rosto, cabelos tamanho dos olhos, boca proporcional ao tamanho do nariz. Peso da figura em relação a altura, considerando todo o trabalho anatômico do corpo desde a musculatura toráxica até a compleição muscular das pernas e braços. Observando inclusive o formato do abdome até a região pubiana, que no estilo arcaico aparece sem nenhum pelo, evoluindo a partir do estilo chamado helenístico num padrão, onde os pelos pubianos são tratados como ornamento do corpo, assim como o próprio panejamento dos trajes que se acentuam em dobras e drapeados até então nunca vistos. A escultura deste período entre 300 a 200 aC, atinge um grau de expressividade bem mais acentuada, maior dinâmica e objetividade.&lt;br /&gt;•    A nudez masculina na escultura grega tem uma abrangência bem maior que a feminina. Pode-se atribuir isto, ao fato de que os esportes olímpicos eram praticados por jovens nus. O primeiro deles ocorreu em 776 aC. E, considerando o domínio do helenismo no mundo mediterrâneo, a cada estádio inaugurado pelos gregos, civilizações estrangeiras, subjugadas, assistiam aos jogos. Um dos livros da Bíblica Católica, considerado como “deuterocanônico”, o Livro dos Macabeus, relata o fato haver certa vergonha entre os judeus circuncisos, pela falta da pele do prepúcio, considerando que os gregos não praticavam a circuncisão.&lt;br /&gt;•    A história da Grécia acaba a medida em que floresce a civilização romana. No entanto a sua influência cultural, a própria língua, falada em todo o mundo mediterrâneo (o Koiné), a literatura, a filosofia e arte permaneceram vivas, num testemunho autêntico de sua existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O HELENISMO EM ROMA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;OS ACRÉSCIMOS DA CIVILIZAÇÃO ROMANA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O PALEONCRISTIANISMO, A ARTE DE BIZÂNCIO E O ROMÂNICO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;•    Com certeza o orgulho romano preferiu marcar sua origem na lenda sobre a mamãe loba que criou Rômulo e Remo, que na sua verdadeira fonte Etrusca. Um povo cuja origem ficou ignorada, salvo pelas anotações do historiador clássico grego Heródoto, que menciona o movimento deste povo entre a Ásia Menor (região da Turquia) para uma região entre Roma e Florença, que atualmente chamamos de Toscana. Talvez fosse a falta de charme, heróis, como os gregos ou mesmo uma mitologia homérica que fez Roma imortalizar a loba capitolina como mãe adotiva do fundador de sua cidade. O certo é que os etruscos, teriam vivido no período arcaico grego, o que mostra que a sua escultura já estava bem mais evoluída, sem falar no panejamento de suas vestes, ao invés da nudez dos gregos.&lt;br /&gt;•    Quando falamos em civilização romana, não vamos traçar a sua existência, calcada apenas em suas obras de arte, em sua arquitetura, mas, sobretudo na forma de vida e no padrão de desenvolvimento tecnológico atingido. Roma não se tornou apenas o mundo mediterrâneo da época, como o foi a Grécia em termos culturais e científicos, Roma foi muito mais que isso. Já no período do nascimento de Cristo, ano 4 da era de Augusto, de 27 aC  a 14 dC, considerado como o da Pax Romana, a própria Bíblia o denomina de “a plenitude dos tempos”. Foi quando Roma atingiu o grau de maior desenvolvimento econômico e tecnológico. Um exemplo disso foi a ligação viária em todas as suas províncias, com construções de pontes, aquedutos, cisternas e um urbanismo invejável, onde em algumas cidades, podia-se contar com água encanada e serviço de esgotos. Além de que podia-se viajar tranqüilamente entre as cidades, sem receio de assaltos, por conta do vigilante serviço da guarda imperial.&lt;br /&gt;•    A arquitetura romana pode parecer dúbia aos incautos, pela forte influência do helenismo. No entanto, pode-se perceber claramente todo o nível de evolução que o estilo sofreu. Roma desenvolveu a abóbada e o arco, este último como elemento que iria fazer parte de todas as construções hodiernas daquele período. O arco está presente nos aquedutos, nos arcos de triunfos, dos estádios, nos anfiteatros, nas basílicas e em tantas outras construções.&lt;br /&gt;•    A escultura romana manteve a mesma linha de beleza dos gregos, mas retratou sem dúvida a sua própria sociedade, seus costumes, sua indumentária, a moda, mas sobretudo seus imperadores e os homens mais ilustres, num realismo sem trégua. O baixo relevo romano contou a própria história de sua civilização, deixando tristes registros, como a destruição do Templo de Jerusalém em 70 dC, pelo Imperador Tito, cuja imagem dessa catástrofe fez registrar em seu arco em 81 dC, onde os soldados romanos conduzem entre os despojos, o próprio “Menorah”, ou o candelabro de sete pontas.&lt;br /&gt;•    Mas foi na pintura que Roma nos legou ensinamentos valiosos, técnicas como afresco e estuque numa linguagem viva de efeitos de Trompe L’oeil , ou ilusionismo, que só iriam aparecer novamente a partir do renascimento.&lt;br /&gt;•    O cristianismo surgiu e aos poucos se instalou no Império Romano a ponto de no ano 313, Constantino torná-lo religião oficial do Império, através de um edito assinado em Milão. Mas é em 323 dC quando a capital do Império é transferida para Bizâncio – a futura Constantinopla(atual Turquia), que o cristianismo ganha o seu maior espaço. A sede do império era transferida para a parte mais cristianizada do ocidente. É Bizâncio que semeia a primeira safra da arte cristã primitiva. A futura arte Bizantina estaria presente na arquitetura, na escultura, na pintura, nos mosaicos e principalmente nas iluminuras da literatura sagrada do cristianismo. O artista cristão, com todo o seu conhecimento técnico da arte pagã, produziu uma obra, totalmente voltada, para o sentimento piedoso e próprio do cristianismo.&lt;br /&gt;•    Ampliando cada vez mais o seu espaço, a religião que se escondia nas “catacumbas” até o século II, agora converte nobres, a ponto de “Gala Placídia” ter em Ravena, no ano de 425 dC, um mausoléu com figuras de santos cristãos. Este passa a ser quase o modelo das Igrejas, cujo estilo, muito semelhante as construções bizantinas, foi apelidado apenas de românico, pois repetia ou imitava as construções clássicas, embora baixas e sombrias como verdadeiras cavernas, ou mesmo catacumbas.&lt;br /&gt;•    Era a hora de se recolher em meditação e penitência, dentro do pensamento agostiniano que dizia: “eu preciso ter fé para poder compreender”. A fé estava adiante de qualquer investida filosófica da existência humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A IDADE MÉDIA –  MORTE AO PAGANISMO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;VERTICALIZANDO A FÉ – O GÓTICO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;•    É difícil analisar o vazio entre o ano 600 a 800. Uma lacuna, que não foi preenchida por nenhuma obra importante. Onde a Europa se debatia às cegas, sem noção de pátria, esquecendo o nível de modernidade que havia alcançado o Império Romano. Fugindo das cidades, criando uma estrutura de defesa no campo, mais tarde transformando-se nos castelos feudais. Sem estradas, sem sistema de esgotos, sem água potável, mergulhando no pior nível de qualidade de vida de todos os tempos.&lt;br /&gt;•    Carlos Magno foi coroado pelo Papa em 800, como Imperador do Sacro Império Romano, deixando o Império Romano, reduzido a Constantinopla. O pai da escrita carolíngea,  tinha vergonha de saber apenas ler, embora não soubesse escrever. Porém era ainda um privilegiado, pois o restante da Europa, exceto o clero, era analfabeto. Deve-se a Carlos Magno uma espécie de “renascimento” das artes, literatura e arquitetura. Alguns historiadores chamam de “Renascimento Carolíngeo”.&lt;br /&gt;•    A força da Igreja já é suficiente para manter um colégio de cardeais para eleger o Papa em 1059.&lt;br /&gt;•    Mas  as antigas Guildas(associações) de profissionais, vão se transformar em Universidades, onde as mais antigas são de Bolonha, Oxford e Paris.&lt;br /&gt;•    É em Paris que aparece Pedro Abelardo no ano de 1100, formulando um pensamento totalmente contrário a Agostinho de Nipona: “Eu preciso compreender para poder ter fé.”&lt;br /&gt;•    Com a literatura vernácula na França, aparece, pela primeira vez o sentido de Pátria, e não apenas o sentido étnico – Gália.&lt;br /&gt;•    É um período de grande efervescência cultural e científica, onde a alquimia é o pretexto para a busca da “pedra filosofal”ou do “elixir da longa vida”. Somado a tudo isto, está a presença judaica, com seus costumes e a sua “cabala”, onde a numerologia e a matemática se confundem com a magia negra.&lt;br /&gt;•    É neste momento que surge a Santa Inquisição, através da ordem dominicana, onde Pedro Guy se torna uma lenda.&lt;br /&gt;•    É o momento da construção das grandes Catedrais Góticas. É preciso entender como o estilo dos godos (franceses) se tornou a tábua de salvação da Igreja para combater a heresia. Era a hora de elevar o pensamento a altura de Deus. A nova linha arquitetônica parecia querer verticalizar a fé, através de linhas esguias, onde a nave principal da Igreja abria um vão livre de mais de 100 metros de altura. Isto fazia com que o homem se tornasse ainda menor diante de Deus. O templo gótico não era apenas majestoso na sua proporção, mas sobretudo assustador. O arquiteto gótico foi buscar elementos decorativos já presentes na estranha arquitetura românica, como os demônios, as caveiras, os escorpiões, dragões e outros elementos do seu bestiário, onde as gárgulas apareciam como elemento necessário, ao escoamento da água dos telhados. O homem deste período experimentava a sensação de entrar numa igreja sombria, de aspecto triste, onde apenas a luz do sol filtrada por entre a rosácia do vitral trazia a luz ambiente. Ajoelhava-se e quando estendia o olhar para o céu, deparava com imagens grotescas, que pareciam cantar em voz uníssona os responsórios do Canto Gregoriano. É quando pela primeira vez, este mesmo homem avista a imagem da mãe do Salvador sendo venerada num altar. Até então, Maria era apenas, a mãe de Jesus.&lt;br /&gt;•    O estilo gótico também abrange outros seguimentos das artes, principalmente a pintura, onde a dramaticidade, se confunde com a amargura, com a miséria e o sofrimento, cujas molduras em ouro, refletem o mesmo esplendor dos pináculos e as arcadas ogivais do estilo.&lt;br /&gt;•    Na escultura, as imagens se alongam num panejamento retilíneo e sóbrio, aparecendo, muitas vezes, como solução de ornamentos de fachada, pórticos ou frontões. Imagens esguias equilibradas em pequeninos consolos, de uma forma quase mágica.&lt;br /&gt;•    1200 cai Constantinopla, sepultando o último baluarte romano.&lt;br /&gt;•    É a época de São Francisco, afrontar o Papa com “O Sermão da Montanha”. Deus havia lhe dito para “consertar a sua Igreja” e a princípio ele não entendeu e restaurou São Damião.  Roma (a Igreja, não mais o Império) era quem precisava de conserto.  É a Época do pensamento tomista, onde o cristianismo é visto pela ótica Aristotélica e finalmente a época em que Dante Alighieri, na sua “comédia” – Divina, nos ensina pela primeira vez o italiano, num mundo onde o latim continuava a ser a língua do clero e dos nobres.&lt;br /&gt;•    É quando o poder papal vai para Avingnon e fica entre 1309 a 1376.&lt;br /&gt;•    É quando John Wycliffe em 1384, contesta a doutrina da Igreja e traduz a Bíblia para o inglês.&lt;br /&gt;•    É a peste negra que a assola o medievo imundo dos castelos, das vielas sombrias, da miséria humana em seu grau mais elevado é o ano de 1347 e a epidemia vai até 1350.&lt;br /&gt;•    A Igreja está um caos. É a grande cisma papal de 1378. O Papa retorna a Roma, mais o Cisma só termina em 1417.&lt;br /&gt;•    Em ação a Inquisição queima por heresia Jan Hus, reformador Tcheco em 1415 e Joana  d’Arc em 1431 por bruxaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RENASCIMENTO - EM BUSCA DO ELO PERDIDO&lt;br /&gt;•    O Renascimento foi o primeiro período da História onde o homem tinha consciência de sua própria existência, do seu papel na sociedade a ponto de criar um termo para se auto designar. A idade média havia  quebrado a continuidade de todo o apogeu da antiguidade clássica, havia rompido completamente  qualquer ligação com a história, a cultura, as artes e a ciência, para mergulhar  num período de “trevas” de 1000 anos. A esse tempo intermediário, chamou-se “Idade Média”. O termo “renascimento”adotado no mundo inteiro, representava o propósito de fazer resurgir todas as artes e ciências, que haviam florescido nos tempos antigos.&lt;br /&gt;•    O homem do renascimento, considerava-se no mesmo nível de um cidadão romano, sentia tanto orgulho disso, que tratava-se mutuamente de “nós os latinos”. , e fazia questão de continuar a falar o latim.&lt;br /&gt;•    Da mesma forma que a Roma antiga, a Itália renascentista passou também a ser imoral e vulgar, onde o clero respondia por boa parte dos escândalos. E muitos deles, patrocinados por Alexandre VI –  o pai de Lucrécia Bórgia, amante de Giulia Farnese, um dos homens mais poderosos de seu tempo, que é morto envenenado.&lt;br /&gt;•    É em Florença, cenário político dos Bórgias, considerada a nova Atenas, que a fogueira cala a voz do Prior do Convento de San Marco – Girolamo Savonarola.&lt;br /&gt;•    Eis a Reforma Protestante em 1517. Eis um novo golpe na Igreja que agora se sentiria acuada, olhando para o Juízo Final de Michelangelo, sem descobrir qualquer essência sagrada, em meio a nudez estonteante de uma corte celestial de anjos e demônios. Onde estava o sagrado? O que era sagrado havia sumido da Igreja. Em seu lugar, apenas a essência do paganismo tão rejeitado na Idade média.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MANEIRISMO – QUANDO O IDEALISMO VIRA ESCOLA&lt;br /&gt;•    Mas o que era um “ideal de vida” logo passou a ser um estilo, uma escola. O Maneirismo que poderia ser apenas designado como uma ponte entre o Renascimento e o Barroco, recebeu um título pejorativo. Isto porque o renascimento já havia perdido o seu fogo inicial e a medida em que o tempo ia passando, o estilo passava a ser uma “escola”, cujos resultados eram, muitas vezes, repetições de temas abordados por Rafael e Michelangelo.&lt;br /&gt;•    Embora Andrea Palladio faça parte desse período, o arquiteto criou uma obra tão pessoal, que seu estilo recebeu o seu próprio nome: Palladianismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BARROCO - DE VOLTA AO SAGRADO&lt;br /&gt;•    Para dizer que o Barroco foi o estilo que mais serviu a Igreja, não é muito difícil. Basta olhar e ver que em meio a todo o seu exagero, o sentido do sagrado acha-se preservado. Teatral por natureza, tem o seu significado original, no sentido de uma coisa “irregular, contorcida e grotesca”. Apareceu para designar o estilo do período que vai de 1600 a 1750. Os historiadores acham que ele surgiu em Roma, alguns acrescentam – a partir do “Baldaquim”de Bernini. Outros, que ele surgiu ditado pela Igreja para cobrir os estragos que o Renascimento e o maneirismo teriam deixado, diante da Reforma Protestante. Uma outra corrente ainda acrescenta que o Barroco é o “estilo do Absolutismo”. Embora o absolutismo tenha chegado a França no século XVII, durante o reinado de Luis XIV. Porém a arte Barroca também floresceu na Holanda burguesa e protestante.&lt;br /&gt;•    Na verdade o Barroco não era unicamente um estilo, mas um novo modo de viver, cujos costumes e influências estavam por toda parte. Se no Renascimento o modelo masculino era de bela compleição muscular, no Barroco o homem rechonchudo, pequeno, delicado estava mais ao gosto da moda, embora tivesse a aparência de um “bibelô”. O “dolce far niente”era ocupação dos nobres autênticos ou falsos. Ricos viviam de alugueres, heranças ou subvenção do Estado. Era o tempo de festas, música e alegria  em meio à mesma sutil perversão e libertinagem, num cenário de estuque e ouro  onde o suor e a sujeira, se escondiam embaixo das perucas brancas e do pó de arroz da pele.&lt;br /&gt;•    Mas era o estilo que fazia as mais belas procissões, onde “meninos anjos” seguiam o cortejo do Pálio conduzido pelos irmãos da Ordem Terceira de São Francisco, cobrindo com seus lambrequins dourados, os rostos dos sacerdotes paramentados com os seus belos ostensórios em ouro com o Santíssimo Sacramento. O clamor da Virgem Maria, com o peito atravessado por espadas, no encontro com o Filho açoitado, enquanto as famílias assistiam das janelas atapetadas à cena, quase em lágrimas.&lt;br /&gt;•    Assim era o Barroco, nos seus contrastes, na sua exuberância e na sua fantasia. Foi assim que chegou ao Brasil, que ainda vivia uma quase idade média, com direito a Inquisição, mas com costumes e modo de vida e estilo Barroco. Como transpor o Barroco Europeu nas limitações do novo mundo?  Este era o grande desafio. De Portugal vieram os Mestres canteiros, capazes de lavrar a pedra no risco do artista, num trabalho muito parecido ao do além mar. A simplicidade, das construções do período colonial,  foram se ajustando as novas medidas, fazendo surgir os mais belos frontões de fachada, portas e janelas.  O novo estilo estaria  presente em tudo, fosse num simples chafariz ou num frontispício de uma Igreja. Igrejas que agora ostentariam retábulos dourados em uma policromia que misturava o decorativo, aos elementos mais fortes do estilo, como as “colunas salomônicas”, lembrando Bernini, ou nos capitéis coríntios inspirados na plumagem dos cocares dos índios. Esse Barroco brasileiro, adquiriu feições mulatas em seus anjos caboclos, tornou-se único e diferente. E mesmo quando a Revolução Francesa pois fim ao estilo, ele ainda permaneceu por algum tempo se vestindo no Rococó, onde a figura de Antônio Francisco Lisboa – O Aleijadinho, é a nossa apoteose. Há de se considerar que os Estados Unidos, tenham vivido esta mesma época, no entanto não há vestígio de arquitetura Barroca. O que se pode concluir, que devemos, sem dúvida esta parte da história da arte ao colonialismo português.&lt;br /&gt;•    Pode-se dizer que o estilo Rococó tenha nascido na Alemanha, precisamente na Austria, isto porque só em 1690 é que o Barroco chega àquela região, de forma tardia. O modelo italiano, ainda permanecia inserido em pórticos, cúpulas mas é sobretudo na parte interior, que um novo estilo desabrocha. Tendo a cor branca como pano de fundo, o novo estilo de solta em dourado, com sombreamento em tons pastel, que já era um esquema cromático preferido no século XVIII, quase fazendo desaparecer elementos estruturais como colunas, pilastras, arquitraves em benefício do espaço. Os tetos transbordando de efeitos de trompe l’oeil, com pinturas de artistas como Tiépolo, são agora  contornados por pomposas molduras em ouro, ou drapeados de cortinas, fitas, rendilhados, ondulados e toda a sorte de elementos inventados na França por volta de 1700, principalmente o chamado Rocaille, uma espécie de ornamento assimétrico em forma de concha, que era o próprio símbolo do Rococó. Este estilo após a morte de Luis XIV, se espalha nas novas e elegantes residências de nobres, ligados à corte de Versalhes em Paris, eram os chamados Hôtels. A essa altura já sem o dedo crítico do supervisou de arte da Corte, o pintor Charles Lebrun que mantinha a arte sob vigilância, para cumprir o seu único objetivo: glorificar o Rei.&lt;br /&gt;•    Na pintura o estilo se tornou menos linear e mais pictórico, onde a cor passou a ser mais valorizada. A extravagância, e a sensualidade tomou conta dos temas  que fez com que a mitologia grega voltava a ser destaque.&lt;br /&gt;•    A Inglaterra nunca aceitou o Rococó na arquitetura, a pintura ainda se manteve um tanto sem exageros, dado a preferência inglesa pelo gótico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ORIGEM DO BARROCO BRASILEIRO&lt;br /&gt;A SEMENTE DO BARROCO NA COLÔNIA DE PORTUGAL&lt;br /&gt;•    Para se compreender a evolução artística e urbanística brasileira é necessário, em primeiro lugar, tomar por base a idade do Brasil. Entre 1501 a 1600, ou seja, no século XVI o país iniciava o período de colonização. O Cultivo da cana-de-açucar data de 1530.  Em 1580 já existiam 115 engenhos espalhados pelo litoral. O século XVII, entre 1601 a 1700, é marcado pela presença holandesa. Maurício de Nassau esteve no Brasil entre 1637 e 1644. O maior artista brasileiro do período barroco viveu entre 1730 e 1814, ou seja: entre o século XVIII e XIX. Logo, o estilo, pelo qual principia a arquitetura, a pintura e a imaginária brasileira é o Barroco, que na Europa aconteceu entre 1600 a 1750. Depois, veio a Missão Artística de 1816, que mesmo com toda a sua influência do neoclassicismo napoleônico, tão ao gosto do Império brasileiro, conviveu, num clima bastante eclético, com o barroco e o rococó.&lt;br /&gt;•    No século XVII o Brasil como colônia de Portugal, mantinha o seu desenvolvimento cultural sob a bula do Estado e a tutela da Igreja. Como vimos no capítulo anterior, o Barroco não era apenas um estilo, mas um modo de vida. Não importava então que viajante atravessasse o oceano e chegasse numa terra desabitada cujas vilas ainda eram extremamente primitivas, seus modos, o seu vestir ou os seus gostos continuavam barroco.&lt;br /&gt;•    Há de se  imaginar, também, que o interesse inicial no país era a exploração de suas riquezas. Planejamento urbano de vilas, futuras cidades, nada ia além da construção de um forte, uma capela e as residências senhoriais. Aos poucos, com o início do ciclo do açúcar, as vilas começaram a tomar forma. O transplante da arquitetura portuguesa para a colônia foi inevitável. Casas residenciais em taipa ou alvenaria, sem platibanda, com o telhado aparente, com eira, beira e sobreira, pitadas com cores típicas:  Branco, ocre e “azul del Rey”. Todas, se esgueirando em tortuosas ruas que se afunilavam ao gosto do acaso. A arquitetura militar, ainda seguindo o mesmo plano medieval das grandes fortalezas, e a religiosa se ajustando as limitações do material local. O Brasil barroco vivia o contraste do período medieval, distante do  pensamento iluminista e do conforto  europeu. O primeiro século no Brasil era realmente como na idade média. A mobília de uma casa era apenas o essencial e utilitário: arcas, mesas, bancos e catres,  muito refugo do mobiliário colonial português, substituído pela leveza da pátina barroca. A marcenaria foi posteriormente se desenvolvendo com a chegada de artífices, que passaram a utilizar as madeiras nativas como o jacarandá, o cedro e o vinhático. Antes os móveis, na maioria vindos de Portugal, eram de carvalho, ébano e marfim. Geralmente, móveis em madeira escura, com apliques em metal e couro que não mais correspondiam ao estilo vigente na Europa que se renovava ao gosto do monarca francês Luis XIV –“Le roi soleil”.&lt;br /&gt;•    O que faz então com que o barroco brasileiro se diferencie do barroco europeu? O espírito do estilo barroco está exatamente no seu  aspecto teatral, onde o gesto, a ilusão concebida não se desfaz na arte produzida no Brasil. A diferença está, exatamente, no caminho para se chegar a esse mesmo efeito. Se na  Europa, principalmente em Roma, o ideal renascentista conseguiu freiar os impulsos  do novo estilo por um bom tempo, no Brasil este ranço não chegou a existir. Elementos clássicos, sejam de sustentação, como colunas e pilastras ou adornos, foram reinterpretadas de uma maneira singular e irreverente. Não é difícil enxergar em altares, cariátides mulatas ou com aparência indígena, onde capitéis são confundidos com cocares e o acanto dos acrotérios se transformam na folhagem tropical, em meio a uma legião de querubins mestiços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A REVOLUÇÃO FRANCESA E NEOCLASSICISMO&lt;br /&gt;•    O Barroco e o Rococó diante do novo pensamento iluminista se tornou o símbolo da ostentação, do gosto aristocrático, arrogante e vulgar. Na metade do século XVIII o forte apelo à razão, natureza e moralidade na arte representou um retorno aos valores antigos, onde filosofia grega representava a serena grandeza “simplicidade nobre”. Foi dessa forma que nasceu um novo retorno ao clássico, que se espalhou, na França, Inglaterra e na América, agora independente. O Barroco nunca chegou a América do Norte. Mas a austeridade das novas idéias, criava um Neoclassicismo rude, severo, onde o dórico grego era o ponto de referência, talvez por ser mais exato em suas medidas, não permitindo ornamentos desnecessários. Um exemplo disso é o Portão de Brandemburgo, em Berlim – 1788/91, todo em colunas dóricas.&lt;br /&gt;•    A pintura dessa época também ignorou toda a plasticidade e dinâmica do Barroco e Rococó, com suas excentricidades, seu ilusionismo, para uma obra marcada por uma linha de crítica ao antigo regime e valorização do pensamento filosófico. Os ornamentos agora, davam lugar a valorização da anatomia, panejamento clássico em cenários austeros.&lt;br /&gt;•    O escultor desse período foi subjugado a uma situação extremamente constrangedora de criar uma obra que pudesse competir com a escultura grega já aclamada pelo seu alto padrão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/425705622748118051-8757082604738307119?l=resmungosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/feeds/8757082604738307119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=425705622748118051&amp;postID=8757082604738307119' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/8757082604738307119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/8757082604738307119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/2008/02/panorama-da-histria-da-arte-ocidental.html' title='PANORAMA DA HISTÓRIA DA ARTE OCIDENTAL'/><author><name>Benedito Ramos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11261507968685590861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_j5bc7KIKJhE/R7FgLRX4R_I/AAAAAAAAAEc/98XK4YkPfjk/s72-c/grecia_maior.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-425705622748118051.post-8097438706856258839</id><published>2008-02-10T13:53:00.000-08:00</published><updated>2008-12-09T15:52:35.273-08:00</updated><title type='text'>A MAIS VELHA DAS PROFISSÕES  - Benedito Ramos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_j5bc7KIKJhE/R694ORX4R9I/AAAAAAAAAEM/2ZCC3hjN7y8/s1600-h/39v40r.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_j5bc7KIKJhE/R694ORX4R9I/AAAAAAAAAEM/2ZCC3hjN7y8/s200/39v40r.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165479484194310098" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;A profissão é relativamente nova, segundo Will Durant: “aparece com a civilização, com o advento da propriedade e o desaparecimento da liberdade marital”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A prostituição, foi desde o alvorecer da humanidade, a mais regular das profissões. Sobretudo, por ser capaz de adaptar-se a cultura de cada época e conviver em&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;sociedade sob as mesmas prerrogativas. Diz Anatole France, que “a moralidade é a soma dos preconceitos de um grupo”. Razão pela qual, vamos ver na história que a “velha profissão” está inserida em todos os contextos sociais, étnicos e principalmente, religiosos. A contar pela origem latina da palavra prostituição que se assenta no vocábulo &lt;i style=""&gt;Prostilo,&lt;/i&gt; que quer dizer fachada de um templo com colunas. E isto, certamente, é explicado pelo fato da maioria das religiões pagãs, relatar a prostituição como parte dos rituais sagrados. Isto ocorria na entrada dos templos. Era comum se encontrar as tais prostitutas cultuais a que se refere o livro do Gênesis, capítulo 38. Entre as mais antigas narrativas semitas, esta parte do livro da Lei, conta a história de Judar e Tamar, esta última, disfarçada, deitou-se com o sogro, como uma prostituta cultual, por um cabrito e exigiu como penhor, o seu cajado e o selo da família. Mas não podemos esquecer que na Babilônia, pelo menos, uma vez na vida, cada mulher deveria ir ao templo de “Milita” (a vênus babilônica) para ter relações com um desconhecido. E depois, quando livrava-se da obrigação, voltava para casa e tinha uma vida normal. Mas estas, não eram consideradas prostitutas. Ao contrário, se fossem virgem teriam mais dificuldade para arranjar marido. Afinal, o rompimento do hímen, assim como o sangramento, era um mau presságio para algumas tribos. Muitas mães procuravam estrangeiros para deflorar suas filhas, caso contrário não se casavam. Pasmem, nas Filipinas, havia até um funcionário público encarregado deste trabalho incômodo, para poupar os noivos. Resumindo, a prostituição sagrada, na Babilônia, só foi abolida em 325 d.C. por Constantino.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O que mais nos intriga, é que quando buscamos o dicionário para analisar melhor a origem da palavra. A língua portuguesa, muito prática, trata de estabelecer: prostituta = meretriz.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Quando vamos buscar a segundo vocábulo, descobrimos que ironicamente, ele quer dizer entre outras, “mulher pública”. E isto é gravíssimo. Meu Deus! Principalmente, na retórica política. Mas é também explicável, considerando não só a ausência do caráter privado, como pela idéia de introverter a personalidade feminina, como prova de decência. E isto ficou bem patente quando a partir do século XV, a palavra cortesã, passou a designar prostituta de classe, para diferenciar das meretrizes, gradualmente inferiores. E isto é bem esdrúxulo, uma vez que,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;além da cama, é claro, estas mulheres, se diferenciavam das demais, donas de casa e mães, principalmente, pela cultura, pelo relacionamento político, coisa que o cônjuge não permitia. O resultado é a prosperidade da classe&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;através da riqueza e do prestigio que angariavam&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;no seu ofício. Eram capazes, na alcova, de pedir a cabeça de qualquer um, como outrora fez uma certa “Salomé”. Aliás,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;é bom lembrar que sempre foi mais fácil conseguir favores através da amante do que com a esposa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Na Roma antiga, a profissão tinha direito a uma iniciação, a partir da puberdade que lhe outorgava os louros de um diploma universitário. O autor deste texto constatou uma destas escolas, quando conheceu em 1994 a Vila dos Mistérios, nas ruínas da antiga Pompéia, na Itália. Tudo documentado nos afrescos das salas, velado por uma solene representação de culto a Dionísio. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O mais engraçado em tudo isto é a forma como as sociedades encontraram uma solução para designar outro tipo de relação extraconjugal: o concumbinato. Sagrado, também na sua importância histórica, confunde-se às vezes com a prostituição, mas serve para legitimar a poligamia no berço da civilização mesopotâmica, trazendo a cultura ocidental, através da Bíblia, a lógica divina desta relação. Sarah deu sua escrava Hagar para o patriarca Abraão, cansada de esperar o “filho da promessa”, e este gerou duas facções que hoje vivem se matando: os judeus e muçulmanos. Salomão, o sábio, o Rei que construiu o grande templo, o filho de Davi, tinha 700 mulheres princesas e de quebra, 300 concumbinas. Isto transformou Israel numa Babel de deidades estrangeiras.&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Maomé, o pai do Islamismo, tinha um imenso harém que lhe aborrecia com pedidos de dinheiro para pequenas despesas ou pela sua preferência pela tentadora Aixa, segundo Will Durant. Este acrescenta que o profeta resolveu o assunto com uma revelação providencial para o Alcorão: “Das tuas mulheres, podes preterir quem desejares e receber quem quiseres: e qualquer que desejares daquelas que deixaste de lado, não será pecado para ti: é melhor que elas possam ser confortadas e não se queixem, e possam ser contentadas com o que lhes deres.”&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O fato é que através dos tempos esta relação passou a ter cada vez mais importância. Algumas ficaram famosas, geraram riqueza prestígio e título de nobreza. O caso de Giulia Farnese e o Papa Alexandre VI – o pai de Lucrécia Bórgia. A família Farnese, se tornou senhores de Parma. Vários membros desta família, fizerem parte do clero, inclusive Alessandro Farnese ou&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Paulo III, que concedeu ao seu filho o título de Duque de Parma.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; No Brasil  independente,  o Imperador  Pedro  I, trouxe para o seio da família, sua prestigiada concumbina-mor  Dona Domitila de Castro  - a Marquesa de Santos, como Dama de Companhia da Imperatriz Dona Leopoldina, que a história  não teve como preterí-la, tamanha  a sua influência  nos  destinos  do país.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;Se formos seguir este mesmo raciocínio nos tempos pós-modernos, não será diferente. A prostituição continua a existir, ora anunciada na mídia escrita ou televisiva, ora disfarçada adequadamente, com um &lt;i style=""&gt;status quo &lt;/i&gt;bem mais adequado a um código civil mais generoso. E enfim podemos chegar a conclusão que esta “velha profissão”, embora tenha “altos e baixos” acompanhará a humanidade, na sua trajetória até a “consumação dos séculos”.&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/425705622748118051-8097438706856258839?l=resmungosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/feeds/8097438706856258839/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=425705622748118051&amp;postID=8097438706856258839' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/8097438706856258839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/8097438706856258839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/2008/02/mais-velha-das-profisses.html' title='A MAIS VELHA DAS PROFISSÕES  - Benedito Ramos'/><author><name>Benedito Ramos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11261507968685590861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_j5bc7KIKJhE/R694ORX4R9I/AAAAAAAAAEM/2ZCC3hjN7y8/s72-c/39v40r.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-425705622748118051.post-901092547187284850</id><published>2008-02-10T03:11:00.000-08:00</published><updated>2008-12-09T15:52:35.451-08:00</updated><title type='text'>PENSE E DESCUBRA SE VOCÊ EXISTE</title><content type='html'>Benedito Ramos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;È para contrariar Descartes, mesmo, caro leitor. Alguma vez já pensou, realmente, se você existe? &lt;i style=""&gt;Cogito, ergo sum,&lt;/i&gt; foi o que o filósofo disse. Com a frase “Penso, logo existo”, ele admitia a possibilidade da dúvida, que poderia ser resolvida através da especulação. Não basta afirmar uma existência é preciso prová-la. É o reconhecimento desta prova que constata a existência de alguma coisa. Trazendo esta discussão para o lado pragmático podemos concluir que qualquer existência (sobretudo a humana) depende do reconhecimento da prova. De repente você não existe.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_j5bc7KIKJhE/R67kNBX4RwI/AAAAAAAAABI/gj7rTNY8ILA/s1600-h/2006061406.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_j5bc7KIKJhE/R67kNBX4RwI/AAAAAAAAABI/gj7rTNY8ILA/s200/2006061406.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165316734998562562" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O fato é que você só é alguma coisa se for reconhecido como tal. É este reconhecimento público que marca a existência do indivíduo ou de qualquer coisa. Onde está o Brasil na história da arte ocidental? A história da arte brasileira existe para os brasileiros, mas sua trajetória está emancipada de todos os movimentos de caráter mundial. Contamos nos dedos os artistas reconhecidos fora do país. O pintor Rosalvo Ribeiro, por exemplo, morou na França por quase quinze anos, deixou aquele país no alvorecer do modernismo e veio morrer em Maceió de tuberculose. Hoje é, completamente ignorado, mesmo no Brasil. Para o restante do mundo ele, simplesmente não existe.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A literatura tem destas coisas, uma obra que não circula nacionalmente, nega a existência do seu autor ao país, mesmo que este apregoe, aos quatro cantos, os seus dotes literários.&lt;i style=""&gt; Não basta ser honesta sendo mulher de César é preciso provar&lt;/i&gt;. Mesmo tendo restrições à obra de Paulo Coelho, o autor deste texto reconhece que é um dos escritores mais conhecidos mundialmente. Paulo Coelho existe. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Mas não é apenas nesta área que a existência humana precisa de reconhecimento. Há seres humanos que, simplesmente, não existem embora façam parte do mundo civilizado. Isto porque as suas existências dependem da visão da sociedade. Ou seja, não basta dizer: eu existo. É necessário que os seus entornos reconheçam a sua existência. Quem olha para garis e faxineiros? Tudo está limpo como mágica, mas é como se eles fizessem parte da paisagem urbana. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Há homens que lutam para provar a sua existência. Outros que não fazem questão alguma. Dos primeiros, poderíamos dizer que precisam chegar ao mundo dos vivos. Só a partir daí a “dúvida” pode ser considerada apenas como “indiferença”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;E, finalmente é o dinheiro o responsável por levar muitos, inexistentes ao mundo dos vivos, com direito até fotografias em coluna social. Portanto, não basta “pensar, e logo existir” é necessário que os outros façam a mesma coisa em relação a você. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/425705622748118051-901092547187284850?l=resmungosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/feeds/901092547187284850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=425705622748118051&amp;postID=901092547187284850' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/901092547187284850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/901092547187284850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/2008/02/pense-e-descubra-se-voc-existe-benedito.html' title='PENSE E DESCUBRA SE VOCÊ EXISTE'/><author><name>Benedito Ramos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11261507968685590861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_j5bc7KIKJhE/R67kNBX4RwI/AAAAAAAAABI/gj7rTNY8ILA/s72-c/2006061406.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-425705622748118051.post-1176599773393059574</id><published>2008-02-09T13:29:00.002-08:00</published><updated>2008-12-09T15:52:35.653-08:00</updated><title type='text'>A DEMOCRACIA CULTURAL - Benedito Ramos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_j5bc7KIKJhE/R64hdRX4RuI/AAAAAAAAAA4/qnS6LbCtJ1E/s1600-h/O+pintor+Carmine+di+Roccanova+apresenta+seu+manifesto+do+Maneirismo+Geom%C3%A9trico.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_j5bc7KIKJhE/R64hdRX4RuI/AAAAAAAAAA4/qnS6LbCtJ1E/s320/O+pintor+Carmine+di+Roccanova+apresenta+seu+manifesto+do+Maneirismo+Geom%C3%A9trico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165102609404020450" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A crítica a cultura de massa, desempenhada por Adorno e Horkheimer, pensadores frankfurtianos do século 20, fere profundamente as raízes de uma falsa democracia cultural que abrange horizontalmente todas as camadas da sociedade. Coisa que na realidade é um exemplo de alienação coletiva, haja vista, que o engajamento desta sociedade, nesta cultura de massa é feito de forma vertical, do topo da pirâmide, retornando a este mesmo topo, a uma minoria em forma de riqueza material. Um arranjo que o mundo capitalista faz para duplicar o produto cultural transformando-o em larga escala para atender à demanda. “A luta contra a cultura de massa só pode ser levada adiante se mostrada a conexão entre a cultura massificada e a persistência da injustiça social”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Claro que isto tem sentido, a medida em que constatamos que a exclusão cultural atinge, principalmente aqueles que são privados de conhecer a música clássica, a ópera, o teatro e os filmes de arte. Principalmente, porque esta horizontalidade cultural atinge estes excluídos e não o topo da pirâmide, que pode pagar para assistir bons espetáculos. Em Maceió o “Projeto Concerto aos Domingos”, realizado pelo Instituto Histórico, coordenado pela pianista Selma Brito, acabou por falta de 4 mil reais por mês.  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Finalmente, aquilo que os frankfurtianos chamam de “barbárie”, onde a arte é o melhor “antídoto”. Para estes pensadores o conceito de “arte” consegue sobrepujar-se incólume aos desmandos da cultura de massa Eis a disformidade da arte em benefício de uma leitura facilitada, sem possibilidade de nenhuma reflexão. Uma espécie de democracia cultural na voz dos que promovem a cultura de massa. É exatamente isto que vemos, notadamente, no Brasil, onde a política cultural distribui esta réstia de cultura, que preenche o espírito das massas periféricas em forma de axé-music, bandas de forró e folclore estilizados, feito para turista ver. Tudo isto, embalado pela mobilidade de uma sociedade de excluídos, que são contemplados com empregos temporários, suficientes para decorar a contabilidade dos noticiários nacionais em prol do desenvolvimento. Ao final desta ópera bufa, não resta mais que as ruas malcheirosas e apinhadas de lixo para dar emprego a mesma leva de miseráveis que também aplaudiu na noite anterior. Para os frankfurtianos, ao contrário “a cultura é a quintessência dos direitos humanos. Em um mundo antiintelectual, antiteórico e inimigo do pensamento autônomo, a razão ocupa lugar central”.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/425705622748118051-1176599773393059574?l=resmungosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/feeds/1176599773393059574/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=425705622748118051&amp;postID=1176599773393059574' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/1176599773393059574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/1176599773393059574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/2008/02/democracia-cultural.html' title='A DEMOCRACIA CULTURAL - Benedito Ramos'/><author><name>Benedito Ramos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11261507968685590861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_j5bc7KIKJhE/R64hdRX4RuI/AAAAAAAAAA4/qnS6LbCtJ1E/s72-c/O+pintor+Carmine+di+Roccanova+apresenta+seu+manifesto+do+Maneirismo+Geom%C3%A9trico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-425705622748118051.post-7904039672257364927</id><published>2008-02-08T15:05:00.000-08:00</published><updated>2008-12-09T15:52:35.808-08:00</updated><title type='text'>OS ÓRFÃOS DE ROMA  - Benedito Ramos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_j5bc7KIKJhE/R6zuXmm3vTI/AAAAAAAAAAo/a2FWcwHEYjs/s1600-h/1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_j5bc7KIKJhE/R6zuXmm3vTI/AAAAAAAAAAo/a2FWcwHEYjs/s320/1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164764961955102002" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=""&gt;O FIM DA PAX ROMANA&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Se há uma lacuna na história, algo que não ficou bem contado e que até hoje ninguém escreveu especificamente, é sobre o período de transição do mundo antigo ao medieval. E não é, simplesmente, uma questão de se arrematar informações sobre o período de decadência do Império Romano, que coincide com o início da Alta Idade Média. É muito mais que isto. Esta resposta&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;estaria guardada na consciência do homem desse período, na sua visão e compreensão do que estava acontecendo com a poderosa Roma que ele conhecia. Diz o pernambucano Oliveira Lima, autor de “História da Civilização”, publicado em 1919 pela&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Editora Melhoramentos, pg. 109, que Roma era: “A mais sólida das civilizações antigas, aquela que descende diretamente a civilização moderna...” E com certeza este pensamento não era diferente para um cidadão romano, fosse este, um senador, um agricultor ou até mesmo um simples escravo. O poder de Roma, não vinha da força de seus exércitos, como muitas vezes julgamos. Ao contrário, era o seu povo, a sua gente, aquela humilde plêiade de trabalhadores, artesãos, camponeses, artistas, engenheiros, comerciantes e tantos outros que moviam a sua economia, fazendo uma com que esta fosse uma das civilizações mais organizadas de seu tempo. Marvin Perry, no seu livro Civilização Ocidental, da Martins Fontes, publicado em 1999, diz, na página 117 que: “A deterioração do exército foi uma das principais causas da crise do século III”. Mas é preciso ir mais fundo na questão, para entender que a origem da indisciplina e da desordem das forças militares romanas, são, sem dúvida alguma, de ordem econômica. Basta observar que este império não cresceu apenas geograficamente, tomando cidades e se beneficiando de sua infra-estrutura. Sua expansão foi também semeada de construções, obras públicas, estradas, pontes. Mas era na capacidade de manter o império auto-suficiente, com um comércio bem distribuído, com uma indústria e uma agricultura estabilizada que gerava a riqueza de sua população. Famílias inteiras, empregados e escravos conseguiam manter uma propriedade rural, produzindo uma dúzia de produtos vitais, desde a preparação de conservas, até tecidos de lã e linho alvejado. Produtos, com compradores certos atravessavam as boas estradas, construídas pelo império e que serviam ao escoamento dessas mercadorias para as principais cidades, guardadas dos saqueadores pela sua milícia. Com uma moeda valorizada a riqueza do campesinato, assim como da indústria e do comércio em geral, fazia nascer uma classe, que mesmo considerada plebéia, concentrava mais riqueza que aos membros do Senado Romano. Esta autonomia econômica baseada no sistema do Laissez-faire permitia que a população estivesse engajada na distribuição de emprego e renda, sem a interferência do estado. Com todos os desníveis sociais, a concentração da riqueza a uma minoria privilegiada de políticos e altos funcionários, não chegava a ser um escândalo. Durante muito tempo, não foi a política do pão e circo, o principal objetivo do governo. Grandes investimentos foram feitos para dar a cidade de Roma uma infra-estrutura a altura de seu pendor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:georgia;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Mas as cidades não produziam, viviam desta exploração das atividades agrícolas e industriais mantidas nos seus entornos. Ganhou-se dinheiro até quando a máquina estatal funcionou adequadamente. Quando a sobrecarga a tributária começou a ser usada para cobrir os gastos públicos e o governo ditou leis para controlar as atividades econômicas, não havia mais operários suficientes para manter o mesmo nível de produção. A população havia sido dizimada em mais de 30%, tanto pela guerra, como pelas suas conseqüências – as epidemias. O empobrecimento do populacho ao nível de miséria torna Roma sua inimiga mortal. A lealdade se esvai. Principalmente, do soldado romano, recrutado das províncias mais pobres e que fatalmente aderiam também aos ataques contra a riqueza. Aproveitando-se disso as tribos germânicas, começam a atravessar as fronteiras para saquear e destruir. Coisa que o próprio cidadão romano reduzido à miséria, também já estava fazendo, sobretudo, nas cidades. Para conseguir suprimentos e fundos para pagamento aos militares, o governo confiscou bens e impôs trabalho forçado, além de obrigar a hereditariedade profissional na indústria familiar e na agricultura. A urbanidade romana começava a ser destruída pelas invasões, saques, guerras civis e a fome. E isto tudo, contribuiu sobremaneira, para a desvalorização da moeda e o declínio da economia. Nada mais havia restado da “Pax Romana”, de Otávio Augusto, nem da “Plenitude dos Tempos” a que se referia a carta de São Paulo aos Gálatas, capítulo 4, versículo 4. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=""&gt;A SEMENTE DO FEUDALISMO&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O III século d.C. é marcado pelo crescimento das concentrações rurais – &lt;i style=""&gt;latifundia,&lt;/i&gt; geralmente, grandes propriedades que passam a ser fortificadas. Estas indústrias agrícolas, que produziam, praticamente tudo o que as cidades consumiam, se voltaram exclusivamente aos mercados locais. E isto concorreu para o empobrecimento dos aglomerados urbanos. Com isso, artesãos e pequenos agricultores passaram a buscar proteção, junto aos grandes proprietários, que trocaram os escravos, já bastante escassos, pela mão de obra dos &lt;i style=""&gt;coloni&lt;/i&gt;. Estes passaram a trabalhar, recebendo um percentual da produção. Iniciava o regime servil onde o trabalho era a paga pela proteção e a sobrevivência. O crescimento do &lt;i style=""&gt;latifundia&lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;coincidiu com o declínio das cidades, a esta altura, saqueadas, depredadas e expostas aos criminosos. Estava nascendo o sistema feudal. Nascia a idade média. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Não é difícil imaginar, o homem do início da idade média, em meio à convulsão causada pelo declínio econômico de Roma, pelas invasões e guerras, pela miséria, doenças e principalmente, pela falta da ordem e da justiça. A perda da fé no Estado, a falta de confiança na administração pública, tudo isto, somado a desordem moral, política e econômica reduziu as crenças pagãs romanas ao lodo. Roma patrocinava a sua religião, cujos oráculos, naquele momento, pareciam inócuos. É neste cenário que o cristianismo, surge num alento ao sofrimento. Primeiro, pela solidariedade ou a fraternidade, criada entre seus adeptos, para acudirem-se mutuamente. Depois, o fascínio de uma história viva contada pelos seguidores mais íntimos, pessoas que haviam conhecido os primeiros mártires da Igreja, como Policarpo, bispo de Esmirna. Ou mesmo, aqueles que haviam passado pela cruel perseguição de Décio, que cingido da púrpura imperial resolveu devolver a antiga glória de Roma, conforme nos conta o historiador Justo L. Gonzales, em seu livro “A Era dos Mártires”, ed. Vida nova, pg. 141. Por outro lado, o paganismo, que não se preocupava com a vida futura e sim com ritos secretos, exóticos, tornava-se cada vez mais amoral aos novos padrões do entendimento humano. Até então era comum o culto a Dionisio que simbolizava o poder reprodutor. Razão pela qual, ainda se pode ver no Museu Arqueológico de Nápoles, os mesmos falos, que a artesania popular reproduz hoje, para vender a turistas, em frente à Vila dos Mistérios, na antiga Pompéia. Mas eram,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;sobretudo, as religiões orientais que faziam sucesso na urbe&lt;i style=""&gt;. &lt;/i&gt;No culto a Cybele, havia padres cantores, bailarinos que dançavam ao som de címbalos, flautas e tambores. Tudo isso era muito difícil de ser mudado, mais ainda, pelo temor e o fanatismo. O próprio Agostinho de Hipona, conta em suas “Confissões”, pg. 90 – Coleção “Os Pensadores”, que sua mãe Santa Mônica, embora convertida ao cristianismo, durante muito tempo, ainda participou da festa fúnebre pagã, que ocorria entre 13 a 21 de fevereiro, quando levava alimentos e bebidas ao cemitério. Deixou o costume, apenas, quando foi obrigada pelo Bispo de Mediolanum(Milão) – Santo Ambrósio. Da mesma forma, não podemos esquecer que o dia 25 de dezembro é, na verdade, o dia, considerado pela religião persa, de Mithra – o deus do sol, como o do nascimento do sol invencível – Mithra. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mas foi o enfraquecimento do poder político de Roma, o fortalecimento dos &lt;i style=""&gt;latifundia&lt;/i&gt; que contribuíram para criar as lideranças necessárias para o surgimento de uma nova casta de aristocratas rurais. É só entender,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;que o primeiro rei é sempre aclamado, mesmo por aqueles a quem venceu. É a sua aceitação diante da comuna que o faz rei. A partir de então o poder passa a ser herdado através da primogenitura. A crença de que o poder era dado por Deus, concorria para que o soberano fosse ungido pela Igreja, como uma vez foi o Rei Davi. Estes reis, nesta época eram apenas os “Senhores” donos das terras. Como diz Thomas Hobbes – Leviatã – edições Martin Claret, pg. 98: “Torna-se manifesto que, durante o tempo em que os homens vivem sem um poder comum capaz de os manter a todos em respeito, eles se encontram naquela condição a que se chama guerra. Uma guerra que é de todos os homens contra todos os homens. A guerra não consiste apenas na batalha, ou no ato de lutar, mas naquele lapso de tempo durante o qual a vontade de travar batalha é suficientemente conhecida.” Isto quer dizer que o cidadão romano viu-se órfão de sua pátria, abandonado, sem a proteção e a segurança que o Estado lhe devia, conforme volta a afirmar Hobbes na pg. 125: “Constituiu-se insuficiente para garantir aquela segurança que os homens desejariam que durasse todo o tempo de suas vidas, ou seja, que eles fossem governados e dirigidos por um critério único(...)”&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Se o feudalismo surgiu desta busca de proteção o homem medieval cerceou a sua liberdade a ponto de tornar-se um servo. Considerando, inclusive, que o regime escravista nunca foi abolido por Roma. O escravo tornou-se simplesmente, dispendioso. Isto não alterou em&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;nada a condição de miséria e pobreza a que o império romano&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;havia reduzido o homem, pobre, miserável, mas cidadão romano. O Senhor feudal apenas o agregou a seus domínios e o submeteu ao seu despotismo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Os órfãos de Roma não herdaram mais que o sincretismo religioso e as superstições do paganismo. O helenismo, na sua essência filosófica, na sua cultura e, sobretudo no próprio idioma em nada lhes servia. Se não falavam sequer a sua língua vernácula, o latim, como saber de filosofia ou entender o que se passava com as artes e a cultura? Esta população, analfabeta, inculta e pobre se alastrava em guetos ou perambulava em busca de alimento, em cidades destruídas ou seguia a alhures pelas estradas abandonadas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=""&gt;OS CAMINHOS DA SERVIDÃO&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;A exclusão social, no terceiro século da era cristã, trouxe a primeira leva de miseráveis e os conduziu a uma situação bem pior do que a de um escravo. Sem trabalho nem propriedade, não eram senhores nem de si mesmos. E é bom lembrar que o Império Romano, nunca foi de incentivar as obras assistenciais, principalmente na &lt;i style=""&gt;urbe,&lt;/i&gt; para evitar a migração às cidades. Portanto, a falta de uma ocupação era encarada como a égide da preguiça. Não podemos negar que o ocidente hodierno também herdou a mesma cultura de ojeriza a pobreza, considerando-a um estorvo à civilização. A razão é que a &lt;i style=""&gt;pobreza&lt;/i&gt; parece ser sinônimo de &lt;i style=""&gt;incompetência para gerir a riqueza&lt;/i&gt;. Era assim que os romanos pensavam. Era assim que John Locke, no século XVII, continuou convicto. E é o que ainda hoje acreditamos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;O Império Romano trapaceou o pobre na essência dos seus direitos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;E um exemplo disse é que a sigla S.P.Q.R. ou Sanatus Populusque Romanus, nunca significou realmente “O Senado e o Povo Romano”. Diz Breno Silveira, ao prefaciar os “Anais” de Tácito da Coleção Jackson, volume XXV, pg. viii, que: “Na atualidade &lt;i style=""&gt;povo&lt;/i&gt; é o que se pode especificar como sendo, o corpo civil de uma nação. Nos tempos romanos, &lt;i style=""&gt;povo&lt;/i&gt; era o que hoje se qualifica como sendo &lt;i style=""&gt;exército&lt;/i&gt;. O corpo civil na Roma Imperial era o Senado, para onde iam os senhores territoriais, os descendentes das velhas aristocracias, famílias estas que tinham direitos sagrados e que podiam deixar herdeiros.(...) Assim, a expressão:&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt;o senado e o Povo romano&lt;/i&gt;, deve ser traduzida para &lt;i style=""&gt;o corpo civil, aristocrático e o exército romano&lt;/i&gt;.”&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O que fica claro que o povo, propriamente dito, não tinha direito algum. Portanto, o estado de pobreza sempre foi, soberbamente, desprezado pela sociedade. Afinal, Roma a fabulosa Roma, apesar de toda a sua opulência, convivia com esta vizinhança, sem educação, suja e fedorenta, cujos ruídos e algazarra perturbavam a ordem, “(...)fosse nos banhos públicos ou com os gritos de seus vendedores, nas calçadas”. É o que nos relata Andrea Giardina, organizador da obra: “O Homem Romano”, edição de 1992 da Editora Presença - Lisboa, p. 223. Uma outra prova do abismo existente entre as classes sociais, podemos ver a legislação vigente em 300 d.C. de acordo com as observações de Jayme de Altavila no livro Origem dos Direitos dos Povos, editora Ícone, p.87. Eis alguns tópicos: “&lt;i style=""&gt;II – Cabe aos nobres o governo das coisas sagradas e o exercício da magistratura. III – A plebe deve cuidar dos campos e da lavoura. IV – O povo deve acreditar nos magistrados. V – As leis são imparciais.” &lt;/i&gt;Tudo isto ratifica a disposição de Roma em garantir privilégios, através de uma legislação, que também estabelecia, claramente, sua intenção de manter a “plebe” fora dos domínios da urbe, cuidando “dos campos e da lavoura”. O que fica bem claro que colonos, agricultores ou até pequenos proprietários eram considerados como “plebe”. Para esclarecer o leitor, é qualificada como plebe a camada mais baixa da sociedade. Portanto, há de se entender que a lei&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;quando especificava “povo” era abrangente a toda a população obrigada a “acreditar nos magistrados”. Que raciocínio poderíamos fazer diante desta sentença?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Seria apenas a “plebe” (que deveria cuidar do campo) mas, era&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;parte do “povo” romano, que “deveria acreditar nos magistrados”?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ou, de acordo com as observações de Breno Silveira, este “povo” era apenas o exército romano? Será que não tem muito mais lógica? Roma não estava preocupada com a plebe, a não ser para colocá-la no seu devido lugar: o campo e não a cidade. Sobretudo, por uma razão muito simples: Toda&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;a infra-estrutura de Roma estava voltada a atender aos ricos e não a “plebe”. O&lt;i style=""&gt; domus&lt;/i&gt; de um senador romano possuía banho próprio e latrina, com esgoto para a “cloaca máxima”, enquanto a ralé fazia suas necessidades pagando ao serviço público ou atrás da moita. Finalmente, a última sentença: “As leis são imparciais”. Só tem lógica se esta “imparcialidade” a que se refere, fosse tratada entre iguais. Caso contrário, não haveria necessidade de legitimar a exclusão social. O que corrobora ainda mais para a idéia de que a famosa frase: “O Senado e o Povo Romano” é um engodo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Se a Igreja Cristã havia sobrevivido ao terceiro século e já dispunha de uma certa organização hierárquica, isto aconteceu, simplesmente, porque o Império Romano estava ocupado demais, tangendo os vândalos e os bárbaros de suas fronteiras. Ocupado demais, para ver que aquela crença da ralé se espalhava, através dos canteiros de miséria, que Roma havia semeado. Mas aos poucos o cristianismo vai substituindo o Estado, disfarçado e quase anônimo mesmo, disputando com o judaísmo, a ferocidade do governo. Se a perseguição maciça havia cessado, o flagrante e a delação, ainda eram levados a sério. A pena era geralmente, a de abjurar o seu credo e adorar um deus pagão. E isto valia até para os soldados, muitos já convertidos. Alguns jovens evitavam o serviço militar pelas suas cerimônias religiosas obrigatórias, onde o cristão disfarçado era sempre reconhecido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Para se ter uma idéia do que se passava, pelos idos de 250 d.C. em relação a perseguição aos cristãos no tempo de Décio(249-251), há o testemunho de um &lt;i style=""&gt;Libellus &lt;/i&gt;– (Certificado de Sacrifício) descoberto em 1893, em Fayon, no Egito, segundo Henry Bettenson, organizador do livro “Documentos da Igreja Cristã”, ed. Aste – 1967, p.41-42. Eis o texto: AOS COMISSIONADOS PREPOSTOS PARA OS SACRIFÍCIOS NA ALDEIA ALEXANDRONESO, DA PARTE DE AURÉLIO DIÓGENES, FILHO DE SÁTABO, NASCIDO EM ALEXANDRONESO, DE 72 ANOS DE IDADE, MARCA PARTICULAR: UMA CICATRIZ NA SOBRANCELHA DIREITA. -&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt;Sempre sacrifiquei aos deuses, e agora na vossa presença, de conformidade com os termos do edito, acabo de oferecer sacrifícios e libações e de provar carnes sacrificadas. Solicito de Vossa Senhoria outorgar-me um certificado para o devido efeito. Saudações. – &lt;/i&gt;SUPLICA APRESENTADA POR MIM, AURÉLIO DIÓGENES. EU CERTIFICO ter PRESENCIADO O SACRIFÍCIO DE AURÉLIO SIRO. –&lt;i style=""&gt; Datado neste primeiro ano do Imperador César Gaio Méssio Quinto Trajano Décio, Pio, Félix, Augusto. (26 de junho de 250)&lt;/i&gt; Como já falamos anteriormente, Décio queria devolver a Roma toda a sua glória. E começava por tornar obrigatório, através de um Edito, o culto aos deuses romanos, relegados ao um plano secundário pela população e principalmente por membros da seita cristã. Este certificado, muitas vezes era obtido mediante suborno de cristãos, através de amigos pagãos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Após 250, no reinado de Valeriano(253-260), vamos ver que havia uma preocupação de Roma com membros da corte, como senadores, cavaleiros e fidalgos romanos que já aderiam ao cristianismo. E isto fez com que o Imperador enviasse o seguinte “Rescrito” ao Senado: &lt;i style=""&gt;“(...) ordeno que sejam castigados imediatamente os bispos, os sacerdotes e diáconos; os senadores, cavaleiros e fidalgos romanos que devem ser privados de suas propriedades e degradados; e, se persistirem na fé cristã, decapitados; as matronas, privadas de seus bens e desterradas. Qualquer membro da casa de César que confessou ou ainda confessa ser cristão, perderá seus bens e será entregue preso para trabalhos forçados nas terras do Imperador”.&lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;A patente ruína da urbanidade religiosa romana fica evidente em dois documentos do tempo de Maximino datados de 308, da mesma coleção de Henry Bettenson. O primeiro deles, o Imperador ordena a reconstrução dos templos arruinados e obriga a &lt;i style=""&gt;“oblação de sacrifícios e libações exigíveis de todos sem exceção, homens, mulheres, escravos, meninos e até crianças de colo(...)”. &lt;/i&gt;O segundo documento ordena, não só a reconstrução dos templos, “rapidamente”, como a &lt;i style=""&gt;“restauração dos bosques sagrados, nomeando ainda sacerdotes dos deuses para cada cidade e aldeia, designando-lhes, cada província, um sumo sacerdote escolhido entre oficiais particularmente devotados a seu serviço, e assistido por um corpo de soldados e de uma guarda pessoal(...)”.&lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A decadência de Roma estava implícita, principalmente, no aspecto religioso, onde a pessoa do Imperador confundia-se com a de um deus. A esta desagregação não poderia estar relacionada, apenas ao empobrecimento da população romana. A prova de fidelidade ao imperador, passava, necessariamente pela mesma fidelidade aos deuses. O que dá a entender que a elite também havia se afastado das suas obrigações religiosas, permitindo que os templos ficassem abandonados, a ponto de ser necessária a ordem para reconstrução e nomeação do clero, “assistido por um corpo de soldados e de uma guarda pessoal”. Décio queria ressuscitar o paganismo, como se este representasse a força necessária para soerguer Roma.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=""&gt;TREZENTOS ANOS DE CAOS&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:georgia;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:georgia;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Falar sobre a trajetória do homem romano após o Século III não é uma tarefa fácil. Não estamos lidando com uma seqüência histórica, mas com um recorte de cerca de 300 anos de informações dispersas, onde tudo o mais só passa a existir a partir do ano 476, data da queda do Império Romano no ocidente. Esta ausência de informações seqüenciais e paralelas acompanha geograficamente este homem, como se a sua existência dependesse da existência do império. O termo &lt;i style=""&gt;idade média&lt;/i&gt; &lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;ficou assim convencionado e&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;levado a academia, que teria início partir daquela data, ignorando-se o processo e a formação desta nova fase, quando acaba o vínculo com Roma. E, praticamente, não há questionamento sobre esta sistemática, que prescreve mil anos, até o início da Idade Moderna em 1453, assinalando a queda de Constantinopla. Parece lógico e muito simples, do ponto de vista da relação com a antiguidade clássica, onde Roma era o baluarte referencial. Mas, não sobre o aspecto antropológico. Não é justo que a história crie parâmetros em cima de dois únicos fatos, sem considerar que após a morte de Marco Aurélio em 180 d.C. iniciou o processo de decadência. Foi ali o fim da&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;“Pax Romana”&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;de Otavio Augusto, iniciada em 27 a.C. São, portanto, 296 anos de transformação social que não pode passar incólume na história. Mesmo sem um rótulo próprio, este período&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt;pré-medievo&lt;/i&gt; é, muitas vezes chamado de “paleocristão”.&lt;span style=""&gt;      &lt;/span&gt;Razão pela qual, é necessário rever os decretos imperiais sobre a igreja cristã primitiva para se delinear o cenário da época. Afinal de contas, estes “órfãos de Roma”, como temos denominado desde o início, passam por um processo de perda de identidade civil,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;cultural e religiosa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;O avanço do cristianismo,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;mesmo passando pelos bastiões do Estado ainda disputava, disfarçadamente, sua posição com o paganismo que há muito havia perdido sua popularidade. Após a perseguição de Maximino, veio o Edito de Tolerância de Constantino, em 311, com uma redação ainda tímida, propunha, pela primeira vez, a convivência mútua permitindo que o cristianismo pudesse coexistir com o paganismo. Eis parte do texto, extraído da página 44, do livro “Documentos da Igreja Cristã” de Henry Bettenson: &lt;i style=""&gt;“(...)Sendo, porém que muitos persistem em suas opiniões e evidenciando-se que,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;hoje, nem referenciam os deuses, nem veneram seu próprio deus, nós usando da nossa habitual clemência em perdoar a todos, temos por bem indultar a esses homens, outorgando-lhes o direito de existir novamente e de reconstruir seus templos, com a ressalva de que não ofendam a tranqüilidade pública”. &lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;A fase seguinte foi o Edito de Milão, assinado em 313. Este documento, realmente teve um grande efeito, pois permitiu que fossem restituídas todas as propriedades da Igreja. No mesmo ano, e pela primeira vez Roma dá dinheiro aos cristãos. Esta concessão é feita a algumas igrejas na África. A partir de 319 Roma, através, ainda de Constantino, condena a prática de adivinhação e outras seitas. O texto é explicito e diz:&lt;i style=""&gt; “Nenhum arúspice aproximar-se-á do limiar de seu vizinho inclusive com outro propósito(do que adivinhar). Desterre-se a amizade com gente dessa profissão, sem excetuar amizades já velhas. O arúspice que violar o domicílio de seu vizinho será queimado; e qualquer pessoa que o convidar, seja por persuasão ou pago de dinheiro, será privada de seus bens e banida a alguma ilha(...)” &lt;/i&gt;Ora, os arúspices eram funcionários públicos de Roma, consagrados a tarefa de predizer o futuro através das entranhas de defuntos. Acreditamos, que a esta altura dos acontecimentos, muitos deles, tentavam sobreviver de seu ofício, fora dos templos pagãos, fechados por Constantino. Como a população não convertida ainda era grande, o paganismo representava a religião secular do império. Se entre os próprios cristãos já havia cismas, imagine entre a população laica. O mais interessante em tudo isso é que no final desta mensagem de Constantino há uma ordem marcante: &lt;i style=""&gt;“Quem delatar tais contravenções não será considerado como delator, mas será merecedor de recompensa.&lt;/i&gt; DADO EM ROMA A PRIMEIRO DE FEVEREIRO, QUINTO ANO DO CONSULADO DE CONSTANTINO AUGUSTO E DE LICÍNIO CESAR.” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A tarefa de ver o período intermediário, entre o século III e o século V, através das convulsões sociais e religiosas das camadas mais pobres da população romana, exige um desenho claro do cenário urbano da península itálica. A decadência do império, não trouxe a Roma apenas a ruína de sua urbe mas, uma verdadeira massa populacional de outras origens, fazendo com que a cidade se tornasse inabitável. Quem tinha recursos, mudava-se para alguma propriedade rural e não participava da corte. Will Durant, na sua obra “História da Civilização”, volume IV, p.27, descreve a cidade até com certa crueldade: &lt;i style=""&gt;“A maioria dos ricos vivia em suas propriedades campestres, evitando dessa maneira o tumulto e a canalha das cidades. Todavia, a maior parte da riqueza da Itália era canalizada para Roma. A grande cidade já não era mais capital, raramente via um imperador, porém continuava a ser o centro social e intelectual do Ocidente. Era lá que se encontrava a nata da aristocracia italiana, não uma casta como antigamente, porém recrutada periodicamente pelos imperadores no círculo dos proprietários de terras. Conquanto o Senado tivesse perdido o prestígio e muito de sua força, os senadores levavam uma vida cheia de esplendores e ostentação(...)”. &lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Não é de se estranhar que a Roma do Século IV, segundo Durant, tivesse: “(...) 175 dias feriados durante o ano; 10 se destinavam às lutas dos gladiadores, 64 aos de trabalho de circo, e os restantes aos espetáculos teatrais”. Esta era a herança da velha Roma, o que a princípio nos faz acreditar na política de pão e circo aos pobres. C.R. Whittaker, no capítulo X do livro “O Homem Romano”, organizado por Andrea Giardina, nos dá outra idéia. Apesar de um imperador acreditar que podia conquistar o seu povo através da distribuição de trigo e dos espetáculos do circo e do anfiteatro, havia sempre muito mais gente na fila da comida que na fila da diversão.&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;Numa cidade de um milhão a um milhão e meio de habitantes, cabiam 250 mil no Circo Máximo e 50 mil no Anfiteatro Flávio (Coliseu). Ora, há de se considerar conforme o texto que: &lt;i style=""&gt;(...) uma parte considerável dos verdadeiros pobres não assistia a nenhum dos espetaculares obséquios que, segundo se dizia, corrompia a plebe romana. É evidente que os ricos também se apinhavam nos espetáculos e não desdenhavam de fazer fila para as distribuições públicas.”&lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt;  Ou seja para ir ao circo tinha que receber o trigo, então os ricos entravam na fila e ficavam com os dois: o trigo e o espetáculo. &lt;/span&gt;A realidade, é que a cidade continuava a viver, mesmo que Roma fosse apenas um fantasma dos tempos áureos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Se o cristianismo conseguiu mudar o comportamento da população, segundo um sacerdote de Marselha, do século V, diz Will Durant, que nem os cristãos estavam isentos da imoralidade coletiva, do adultério e da embriaguez. &lt;i style=""&gt;(...) são vícios da moda, a virtude e a temperança constituem alvo de gracejos, o nome de Cristo, tornou-se uma expressão profana entre os que o chamam de Deus.” &lt;/i&gt;Pudera, no fim do século IV ainda existiam no Império, 700 templos pagãos. Afinal, o Imperador Juliano, deu uma reviravolta em 362 e ordenou a reconstrução e a abertura dos templos fechados por Constantino. Na sua aversão pelo cristianismo, apelidou seus seguidores de galileus. Eis o seu decreto:&lt;i style=""&gt; “Imaginava que os bispos galileus teriam comigo maiores obrigações do que com os meus predecessores. Pois, no governo deles muitos foram banidos, perseguidos e encarcerados e, dos chamados hereges, muitos foram executados(...) Todas estas coisas foram invertidas em meu governo: os desterrados têm permissão para regressar; os bens confiscados retornam a seus proprietários.(...) Que o cristão desnorteado não perturbe a quem adora os deuses como convém e conforme foi legado pela remotíssima antiguidade; que os adoradores dos deuses não destruam nem pilhem a casa dos que a ignorância, mais do que a livre escolha, desencaminha.(...)”&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;Juliano, não perseguiu os cristãos, mas manteve ativo o culto aos deuses pagãos com a mesma freqüência e apoio do Estado. Nota-se no texto, que o cristianismo também não havia perdoado a infidelidade nos tempos de Constantino. Arma idêntica que veio usar mais tarde em plena Idade média, frente aos tribunais da Santa Inquisição, onde o algoz continuava sendo o Estado. Quanto a população, esta instabilidade religiosa, somada a própria falta de interesse do paganismo, tornava os cultos uma ópera bufa, onde o esforço do imperador era inútil para conter a apatia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Afinal, nem o Estado nem a religião exerciam mais o seu papel. Roma se desagregava no ocidente, dispersa, sem rumo, dominada pelo medo, pelo fanatismo de um cristianismo que se debatia em cismas, condenando o mundo pagão e o próprio império. Afinal, a Igreja era agora um império ainda mais poderoso, cada vez mais distante do filho do carpinteiro galileu chamado Jesus. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Para se entender os efeitos desta decadência sobre a cultura, basta observar o que aconteceu com a produção artística do IV e V século. Ao sobrepujar o Império Romano a Igreja tem a seu serviço, não mais os artistas pagãos que helenizaram Roma, mas aqueles que atendiam a pobre iconografia cristã, ao gosto da piedosa crítica dos primeiros monges. Iniciada nas paredes das catacumbas, o afresco ressurge nas ábsides das pequenas capelas mostrando o “Cristo Juiz”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ou mesmo na tentativa dos Imperadores Cristãos de produzir uma obra mais ao desbotado gosto romano feita em mosaico, ostentando sua corte em meio aos santos e ao próprio Cristo, como foi o caso de Ravena. Tanto uma como a outra produziram obras muito distante em qualidade, proporções, desenho e talho. De um lado Roma tentando reviver o &lt;i style=""&gt;canon&lt;/i&gt; das proporções humanas, em figuras de baixa estatura e cabeças grandes. Enquanto a Igreja representando seus santos, com uma ingenuidade romanizada, buscando em vão o seu próprio estilo. Mas Roma havia perdido o mote de sua arquitetura. Seus belos capitéis coríntios, ornados de folhas de acanto, serviam apenas como escora para os templos que surgiam entre as ruínas. E mesmo assim, desprezavam o gáudio romano, para mergulharem em uma tristeza proposital enterrada nos baixos tetos de suas primeiras igrejas, onde os motivos bestiais eram ornamentos de colunas e frontões para assustar os &lt;i style=""&gt;pobres pecadores&lt;/i&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O mundo não havia mudado para os excluídos. Nem para os que permaneciam nas cidades, nem para os do campo. A polarização social se vê as voltas com dois padrões monetários no século IV, quando o Estado resolve criar uma moeda de ouro para a corte e outra de cobre para os negócios da baixa camada. Mas, a esta altura dos acontecimentos o que se escondia por trás da miséria humana era bem mais que uma economia diferenciada. Os primeiros momentos da sociedade feudal traziam no seu bojo, o próprio medo, enraizado pelo infortúnio da servidão. O desamparo pátrio, somado ao autoritarismo eclesiástico e ao conformismo letal. “Eu preciso ter fé para poder compreender”. É o que diz Santo Agostinho. &lt;i style=""&gt;As coisas de Deus não se questiona. A miséria, a doe&lt;/i&gt;nça tudo é motivado pelo pecado.   E é o mesmo agostinho que precisa escrever  sua obra máxima  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;De Civitate Dei &lt;/span&gt; - A Cidade  de Deus,  para  provar que  o saque ocorrido em 14 de agosto de 410 por Alarico - o Rei dos Visigodos  não foi um castigo a Roma por  substituir  os seus antigos deuses pelo  Cristianismo.  "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Atestam-no as capelas dos mártires e as basílicas dos apóstolos, que em plena desolação de Roma abriram o seuo a quantos cristãos ou gentios, nele buscavam refúgio.  Até  o sagrado  limiar o furioso inimigo banhava-se em sangue, mas nessa barreira a raiva assassina expirava. Para esses lugares  alguns vencedores, tocados de compaixão, levavam aqueles que, mesmo fora de tais recintos haviam poupado, para subtraí-los a mãos mais ferozes, eles próprios também cruéis e impiedosos pouco mais longe, desarmados quando se aproximavam dos lugares em que lhes era interdito o que o direito da guerra permitira  alhures.  Detinha-se nos santuários, a ferocidade que faz vítimas, embotava-se a cupidez que quer cativos. Assim escapou a  morte a maioria dos caluniadores de nossa era cristâ, que atribuem ao Cristo os males que Roma sofreu; o benefício da vida, por eles devido ao nome do Cristo, não é a nosso Cristo, porém que atribuem, e sim ao destino, quando, se amaduramente refletissem, no que suportaram de infortúnios poderiam reconhecer a Providência, que se vale do flagelo da guerra para corrigir e pulverizar a corrupção humana e, atormentando com semelhantes aflições almas justas e meritórias, faz que, depois da prova, possam a melhor destino ou as retém na terra para outros designos."   &lt;/span&gt;A Cidade  de Deus - editora Universitária -São Francisco - pg.28. E de forma magnífica  faz comparação da mesma situação  histórica  anterior ao  Cristianismo.   &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Abri as histórias de todas as guerras, quer anteriores à fundação  de Roma, quer posteriores a seu nascimento e à organização de seu império, lede-as e mostrai-nos estrangeiros, inimigos senhores de cidade conquistada, que tenham poupado aqueles  que sabiam estar refugiados nos templos de suas divindades mostrai-nos algum chefe bárbaro que, em cidade por ele forçada, haja ordenado se poupasse toda pessoa surpreendida neste ou naquele templo. Não vê Eneas Príamo, imolado no altar, extinguir com o próprio sangue o fogo por ele mesmo consagrado?  Dionísio e Usisses degolaram os guardas da cidadela  e, apoderando-se da estátua da deusa, ousaram tocar-lhe com as mãos ensanguentadas as fitas virginais!  Não é verdade porém, que, depois as  esperanças dos filhos de Dânao esvaneceram ou lhe escaparam das mãos, porque, depois triunfaram, depois entregam Tróia à espada e as chamas, depois, ao pé dos altares em que  se  refugia degolam Príamo. E de modo algum Tróia pereceu por haver perdido Minerva. Para que Minerva perecesse, nada perdera? Quem sabe se os quardas? Sim, com certeza, porquanto, mortos os guardas puderam roubá-la. Não era a estátua que velava pelos homens, mas os homens que velavam pela estátua. e o culto público punha a pátria e os cidadãos sob a guarda dessa deusa, impotente para guardar seus próprios guardas." &lt;/span&gt;pg. 29  e 30. São questões  que  Agostinho propõe  entre 413 e 426,  período em  que escreveu esta obra.  Imagina-se o quanto não debateu o assunto.  E  quanto não foi inquirido na sua fé por testemunhar  um Cristo  que não se importara com a tragédia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText3"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;É nesta relação ambígua sobre a fé em Cristo que a Igreja, antes perseguida,  passa a perseguir os heréticos. E entre estes estão os Judeus. Dispersos desde o ano 70 d.C. quando o templo de Jerusalém foi destruído por Tito, o que fez Domiciano&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;em 81-96 d.C.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;erguer um arco para comemorar o triunfo sobre a Judéia. Estes judeus, mesmo alijados de seus direitos, nunca foram ou fizeram parte das camadas mais baixas desta&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;população. Muito ao contrário, diante de todas as circunstâncias, se mantiveram cativos a sua própria origem. Razão, talvez para a animosidade causada a Igreja. Primeiro pela indiferença a seus santos e ao próprio Cristo, depois pela capacidade de sobrevivência, da firmeza diante da intolerância. É possível que isto tenha provocado a soberania do cristianismo, que fez dos padres, seus arautos para divulgarem a suposta&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;culpa na morte do Redentor. Os judeus haviam matado Jesus. E isto era o bastante para que a ignorância coletiva, agora mais do nunca, generalizada pelo analfabetismo, criasse uma frente de batalha entre as duas religiões. Os órfãos de Roma, finalmente, haviam sido adotados pela preferência do cristianismo aos pagãos, ou aqueles, que simplesmente, não mais tinham religião e nem pátria. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Era esta a sociedade medieval cujos alicerces haviam ruído com o Império Romano e agora estava à mercê de um governo ainda mais autoritário – o feudalismo. Quanto a religião pagã patrocinada pelo Estado Romano, tinha agora uma outra que também lhe era imposta sem direito a nenhuma alternativa, sob pena capital. O que havia mudado então? Se 476 representa apenas um marco da queda o Império no Ocidente, esta data não registra mais que a retirada de um governo que havia falido, pela sua própria incompetência, corrupção e principalmente porque seu povo não mais lhe deu fé. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;          &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Não é justo que entre 180 dC. (data da morte de Marco Aurélio) e 476 dC. não seja considerado como um período &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: georgia;"&gt;pré-medieval&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;, num mesmo tratamento dado ao termo: &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: georgia;"&gt;pré-histórico&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;. E, sobretudo, pelas especificidades existentes entre uma data e outra, substancialmente diferente de todos os outros períodos da história da humanidade. Afinal a história é a trilha do próprio homem na geografia e no tempo. E não seria diferente centrar este critério no mesmo aspecto social que norteou a história da humanidade. A queda do Império Romano no Ocidente é um marco frio e específico para assinalar o fim da Idade Antiga, quando esse mesmo Império Romano persistiu no Oriente e influenciou o seu tempo, sua economia e seus costumes até 1453. Afinal era ou não &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: georgia;"&gt;o bezante (&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;bizantius) a moeda mais forte em plena Idade Média?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/425705622748118051-7904039672257364927?l=resmungosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/feeds/7904039672257364927/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=425705622748118051&amp;postID=7904039672257364927' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/7904039672257364927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/425705622748118051/posts/default/7904039672257364927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://resmungosliterarios.blogspot.com/2008/02/os-rfos-de-roma-benedito-ramos.html' title='OS ÓRFÃOS DE ROMA  - Benedito Ramos'/><author><name>Benedito Ramos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11261507968685590861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_j5bc7KIKJhE/R6zuXmm3vTI/AAAAAAAAAAo/a2FWcwHEYjs/s72-c/1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
